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Prepare-se para entrar em uma zona...: Março 2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

Às vezes

Em alguns momentos da vida ficamos com uma pilha de perguntas e nenhuma resposta nas mãos. Sempre há aquelas que demoram a ser respondidas, ou que nunca terão resposta. Mas de vez em quando, talvez de tempos em tempos, surgem períodos em que surgem muitas perguntas, dúvidas, todos os tipos de questionamentos e nenhuma resposta.

Isso é desconcertante, porque a impressão é de que estamos rodando em círculos, como em um sonho em que você corre, corre e está sempre no mesmo lugar. Pensando bem, isso está mais para pesadelo. Bem, é no mínimo desconfortável, especialmente porque isso acontece enquanto você está acordado.

Os dias tem sido assim. Sem grandes mudanças, sem grandes esperanças de que algo grande aconteça. Não tendo com quem dividir as dúvidas e incertezas, só posso contar comigo para encontrar as respostas que preciso. Talvez uma leve esquizofrenia fosse conveniente agora. Não precisa ser nada muito forte, só um ou dois amigos que possam discutir alguns tópicos comigo.

Claro que, sendo eles fruto da minha imaginação, o conteúdo mental deles seria o mesmo que o meu, então posso dizer que de certa forma seria como se eu fizesse tudo sozinho. Mas pelo menos teria alguém para debater. Ou quase.

Ainda bem que no meio desse turbilhão de interrogações que varre a minha existência, ainda existem coisas boas. Não falo de ficar com minhas filhas, isso é a melhor coisa do mundo para mim. Mas às vezes, sinto falta de ter alguém por perto. Alguém com quem as horas passem mais rápido do que deveriam, alguém que você queira estar por perto quando ela precisar, que possa contar com você assim como você conta com ela.

Não tem ninguém assim no meu horizonte. E sinceramente, desisti de tentar, de procurar. Tenho tantas coisas para resolver e essa está sendo mais uma coisa na lista de "a fazer, ainda não feito e sei lá quando vou fazer". Risquei. Deixei pra lá. Se uma hora aparecer uma garota que seja insana o suficiente para querer ficar comigo, revejo a lista. Depois de me certificar que ela não é psicopata, claro.

Nesses tempos ando vendo muito Law & Order - SUV, Criminal Minds, CSI, etc... Fiquei meio paranóico? Bom, isso é outra coisa que só vai entrar na lista depois que eu resolver alguma coisa dela.

Mas voltando ao assunto, apesar de ter riscado da lista, não significa que não sinta falta. E algumas pequenas coisas me fazem bem. Não substituem completamente, nem poderiam, mas são o bastante para me trazer de volta ao centro.

Uma delas é jantar com uma amiga. Uma pessoa muito especial, dessas que eu citei antes, com quem as horas passam mais rápido do que deveriam e blá blá blá. Ela já deixou claro, há muito tempo, que não aconteceria nada de mais. Se algo mudou, eu não saberia dizer, na verdade, vou sempre assumir que nada mudou, até que ela me diga.

Enquanto isso, somos amigos, eu não preciso criar expectativas e nem me frustar depois. Normalmente saímos para jantar, o que aliás preciso rever urgentemente. Sempre vamos aos mesmos lugares. Acho que ela merece algo diferente. O Andiamo parece legal. Quem sabe?

O mais legal de jantar com ela, é que sempre parece o primeiro encontro. Aquele que você ainda não sabe se vai ganhar um beijo no rosto ou na boca no final (alguns esperam mais que isso) e não sabe direito o que fazer, o que dizer. Aquela sensação de descobrir algo, encontrar algo novo. Eu sempre sei como vai terminar, mas isso não é uma frustração. Pelo contrário. Sei que é minha amiga, não preciso chegar a lugar algum e posso ser eu mesmo. Ser sincero do começo ao fim que nada mudará o final.

Não que eu minta quando é para valer, mas procuro omitir algumas coisas no início. Como por exemplo o fato de eu ser ateu. Isso ainda causa mais desconforto nas pessoas do que deveria. Então deixo isso para um momento lá na frente, quando o assunto surgir naturalmente.

É claro que é uma pena sempre saber o final do filme, mas vale a pena. É divertido, a companhia é boa e o principal, eu gosto dela.

Às vezes, é bom contar com alguém do seu lado.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Enfim...Fim!

Eu estava aguardando que a parestesia causada pela extração do siso inferior direito, passasse antes de encarar a extração do último deles.

Para quem não sabe, parestesia é a insensibilidade causada por uma lesão no nervo. Para todos os efeitos é como se fosse uma anestesia comum, mas dura mais que algumas horas. Isso ocorre porque em casos de intervenção cirúrgica, o nervo pode ser lesionado (se rompido pode causar a paralisia do local) ou então, devido ao procedimento efetuado, ficar pressionado por um coágulo e isso impede que ele transmita os impulsos nervosos.

A extração do siso anterior durou 2h, a dentista não conseguiu retirar as raízes do dente e precisou usar a broca em quase tudo. E ao que tudo indicava, o último siso não seria diferente.

E a parestesia estava demorando a passar. Como disse a dentista, isso não tem um tempo certo de recuperação, podem ser semanas ou meses. No meu caso estavam sendo longos meses. É uma sensação muito estranha, como se eu ainda estivesse anestesiado. O problema maior era saber se eu estava mastigando comida ou a minha língua, que devido à parestesia, estava insensível na metade direita.

E a minha preocupação era que isso ocorresse do outro lado também. Aí eu ficaria com a boca toda "parestesiada" e não ia saber nem se estava com a boca fechada ou não. E comer então? Seria como viver à base de chuchu, já que nada teria gosto algum, nem saberia se é quente ou frio.

Isso sem contar que eu ficaria falando igual ao Stallone e ninguém ia entender nada do que eu dissesse. Não que alguém entenda agora, mas não era minha intenção ficar falando como se cada parte da minha boca tivesse vontade própria e quisesse fazer coisas diferentes ao mesmo tempo.

Com quase um ano a parestesia ainda perdurava. Liguei para a dentista para saber se algo poderia ser feito para acelerar o processo. Já havia alguma melhora, o lado de fora da boca já havia recuperado a sensibilidade e só restava que a língua retornasse ao seu funcionamento normal. Não está mais totalmente insensível, sinto um formigamento, o que segundo a dentista é um bom sinal. Mas não tem muito o que fazer.

Mas tentei marcar a extração mesmo assim. Afinal, iria terminar essa novela de uma vez por todas. Queria marcar para o final do ano e decidi que final de outubro serial ideal.

Mas a dentista que fez a extração anterior já não trabalha mais na Sorridents, o que me deixou um pouco inseguro. Marcar com outro dentista e na primeira visita já fazer uma cirurgia dessas? Não era bem o tipo de situação que me deixava mais confortável.

Para piorar, marquei a data e alguns dias antes recebo uma ligação da clínica desmarcando a consulta, pois a dentista teve algum tipo de problema e não podeira me atender na data especificada. Depois me ligam novamente dizendo que uma outra dentista poderia me atender.

E no dia seguinte ligam de novo para desmarcar porque essa também teve algum imprevisto. Dada a época do ano, é de se esperar que as pessoas queiram emendar os feriados, aproveitar para esticar um pouco a semana entre Natal e Ano Novo, mas eu não estava marcando na véspera do Natal. Era no final de outubro, o que não fazia muito sentido. Então, deve ter sido realmente uma infeliz coincidência.

Então, decidi que só iria ver isso no ano seguinte. Esperei para ter certeza de que não teria nenhum trabalho para a época do carnaval e foi justamente nessa data que marquei a extração.

Conheci a dentista na hora e isso me deiava mais nervoso que o normal. Não bastasse a fobia de agulhas, ainda tinha a possibilidade de parestesia e eu não sabia quem era a dentista.

Muito simpática, ela também explicou como seria o procedimento, como seria aplicada a anestesia e tudo mais. A diferença é que ela passou um algodão com algo que julguei ser uma espécie de desinfetante no meu rosto e me cobriu com um tipo de lençol com um buraco em que o rosto fica encaixado.

Aquilo estava me deixando ainda mais neurótico porque a abertura era pequena e aquilo ficava caindo sobre meus olhos. Duas tesouradas depois, com a abertura maior e a sensação claustrofóbica eliminada, passamos à etapa seguinte. Anestesia.

Aí não tem jeito, mal consigo respirar até que ela termine as primeiras aplicações. Então o local fica anestesiado e consigo me acalmar, pois já não sinto mais a agulha na boca.

Eu já esperava que a coisa fosse complicada como o anterior, mas aparentemente dessa vez foi mais fácil. Ela cortou o dente ao meio, tirando a coroa e passou a retirar as raízes do dente.

Nessa hora, uma das alavancas que ela estava usando para forçar a raiz, escapou e me acertou um pouco atrás do céu da boca. Na verdade, a raiz se soltou mais fácil do que ela esperava e acabou não conseguindo evitar que me atingisse.

Eu tinha medo que algo assim acontecesse, já que ela precisava forçar o dente lateralmente. Bem, aconteceu. E aí pareceu que não tinha mais nada para acontecer de novidade.

Realmente a coisa foi bem rápida. E vi que dessa vez o dente saiu em 3 pedaços, como era esperado e não em vários cacos como foi o anterior.

Pontos feitos, gaze no lugar e lá fui eu comprar os antibióticos para tomar. A recuperação está indo bem, como desta vez foi preciso menos broca para tirar o dente, não ficou tão dolorido como da outra vez.

Mas ainda à base de sopa e líquidos. Quando invento de comer algo diferente, mesmo partindo em pedaços pequenos e comendo devagar, logo começo a sentir dor no local da extração. Devido à mastigação, creio eu.

Enfim, todos os 4 sisos extraídos. Só falta eu saber se consigo almoçar com uma amiga ainda esta semana. Será que servem sopa lá?