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Prepare-se para entrar em uma zona...: O Show do Paul - Final

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Show do Paul - Final

A segunda-feira começa bem. Alguns detalhes de um job que precisavam ser definidos, mas aparentemente eu conseguiria sair a tempo de ir ao show. Eu calculei que saindo às 15h, teria tempo suficiente, mesmo com trânsito, para chegar a um ponto de estacionamento alternativo e ainda ir a pé até o estádio. Mas para isso, eu teria que deixar tudo pronto. Não prejudicaria um job para ir ao show. Sendo um show do Paul McCartney eu agonizaria algumas horas em lamentações infindáveis e teria acessos de fúria, mas terminaria o job.

Felizmente não foi preciso. Meu cliente é muito exigente, e tem um perfil muito inovador o que torna qualquer trabalho simples, em uma epopéia. É bom trabalhar com ele, porque seus limites são ampliados e você é jogado alguns anos à frente de tudo que está fazendo até o momento. O lado bom é que ele também é muito prático e economizamos tempo dessa forma. E, no meu caso particularmente, não precisei abrir mão do show.

Assim, deixei tudo organizado e quando o relógio anunciou 15h eu já estava dentro do carro, com a porta da garagem abrindo. E lá fui eu em direção ao estádio, com o meu mapinha no banco do passageiro. Eu preciso visualizar as coisas para entendê-las, talvez seja um reflexo da abstinência literária causada por Machado e cia, mas o fato é que vendo o mapa eu consigo me localizar em qualquer lugar. Se levar somente as anotações do caminho, invariavelmente me perderei pelo caminho.

E ficar perdido não é uma ba opção quando se quer chegar cedo em algum lugar. Tudo ia bem, até que, 15 minutos depois de sair de casa, tudo parou. O trânsito estava horrivel de uma forma que eu não conseguia me recordar de outra situação pior. Com muito esforço e lentidão cheguei a um ponto onde poderia pegar um caminho alternativo e assim o fiz, esprando que ao menos estivesse "menos pior" do que onde estava. Melhorou um pouco mas não durou muito. A continuação desse caminho estreita de 3 para 2 pistas e nesse ponto, tudo voltou à velocidade zero.

Eu já tinha perdido uma hora e meia para chegar até ali, num percurso que não deveria levar mais que 40 minutos. Comecei a estudar o mapa e procurar por alternativas. Virei à direita em uma travessa e novamente à direita em uma rua paralela, que estava andando e me levaria de volta ao percurso orginalmente traçado. Mas para minha infelicidade, uma quadra antes de chegar à avenida que eu precisava pegar, a rua se torna contra-mão. Só naquela quadra e acabei voltando para o mesmo lugar.

Nova tentativa e dessa vez, sucesso. Ali já era a Av. Faria Lima e, para variar, estava completamente parada. A faixa que ia para o túnel andava um pouco e minha esperança era que esse trânsito melhorasse quando eu chegasse lá. Mas foi nesse lenga-lenga até chegar perto do estádio. Eu passei em frente ao hospital onde pretendia deixar o carro, mas naquele momento já eram quase 18h e decidi ir em frente assim mesmo.

Chegando lá encontrei um estacionamento por módicos R$100,00, mas considerando que já eram 18:15h resolvi ficar por lá mesmo. E a vaga ainda era na parede, o que significava que aquilo ainda iria encher de carros.
"Os carros só ao liberados no fim do show", avisou o dono do estacionamento enaquanto me dava o tíquete do estacionamento.

O estacionamento ficava bem em frente do portão onde eu entraria. Chegando pela segunda vez no balcão, fiquei surpreso de ver que, ao contrário do domingo, não havia fila nenhuma para entrar.
-Agora estou no dia certo?
-Ah, agora sim!- disse uma delas enquanto checava o número do meu convite, enquanto uma outra completou:
-Eu falei que ia te passar na frente, mas olha só! Hoje não tem nem fila!
-Relaxa! O importante é que eu estou aqui!

E finalmente recebi a pulseira, cinza desta vez (a do domingo era vermelha e mais bonita)e o ingresso. Passei a revista com um PM que só falava inglês e confesso que até demorei a perceber isso. Entrei e vi que haviam algumas bancas com camistas e pôsteres do show para vender. As coisas iam de R$15,00 a R$45,00. Achei até barato por ser memorabilia de um show como esse e fiquei pensando se levaria uma camiseta ou um pôster. No show do Clapton eu voltei sem nada, mas os preços eram exorbitantes. Fazendo uma comparação, seria algo como R$80,00 por uma bandana silkada em uma cor só com o filigrama "EC".

Mas resolvi entrar e dependendo de como fosse o esquema lá dentro eu sairia de novo para comprar algo. E antes de chegar ao camarote, tinha fila. Que estava parada e ninguém sabia exatamente o porquê. Enquanto isso, vi que na minha frente havia uma senhora e 3 adolescentes, duas garotas e um rapaz. Julguei que as duas eram filhas e o rapaz namorado de uma delas, e estavam discutindo algo a respeito de valores.

O rapaz foi tirar satisfação com alguém enquanto ficamos na fila e me perguntaram quanto eu tinha pago no meu ingresso.
-Eu ganhei o meu.
-Ah, então tá certo. É que nós pagamos um valor bem maior do que está escrito aqui atrás.

Aí eu vi que no verso do ingresso estava escrito R$140,00 enquanto que eu tinha visto a venda do camarote por R$1.500,00.
-É, foi isso mesmo que nós pagamos! deve ter gente ganhano muito em cima disso. Porque não colocam o valor real?

Eu também não entendi. Poderiam deixar sem valor algum, mas enfim, finalmente liberaram a nossa entrada. E uma nova fila se formou na entrada do camarote. E um segurança avisava que "quem já tinha pego a camiseta, poderia entrar direto".
-Opa! Vamos ganhar uma camiseta?
-Pelo jeito sim- disse um rapaz da fila que tinha um sotaque que me lembrou o pessoal do Mato Grosso - se eu soubesse não tinha pago R$80,00 nessa aqui, lá fora.
-R$80,00?! Mas eu vi na banquinha ali do corredor por R$40,00!
-Pois é. Eu já tava meio chateado, agora então, só na hora que começar o show mesmo!

É, estava perto. E a única coisa que me chateava era que eu estava sozinho lá. Mas isso não importava. Eu ia curtir o show de qualquer jeito. E quando entramos eu vi, primeiro uma área envidraçada do Jacques Janine e não entendi nada. Tinha umas moças lá fazendo alguma coisa no cabelo, mas se era demonstração ou se era para uso dos que estavam lá, eu não sei.

Logo depois tem uma rampa e lá fica o hall com sofás e grandes pufes retangulares que faziam as vezes de mesa, enquanto ninguém resolvesse acomodar suas regiões glúteas por lá. Dois buffets com comidas diversas. Muitos tipos de pães e mini sanduíches, mas também tinha coisas que eu não fazia a menor ideia do que era, como um tipo de queijo que ficava sobre um desses queimadores de álcool, do tipo que usamos para fazer fondue, e você pegava um pedaço dele aquecido, praticamente um creme e comia em uma dessas casquinhas de massa crocante.

Tinha um bar para bebidas em geral, mais 3 quiosques; um da Bacardi, outro da Amarula e outro da Smirnoff; que serviam drinks. Como não bebo nada alcoólico tive que passar batido.

Sentei em uma poltrona bem confortável num canto da sala, mas achei ruim porque tinha um vidro na minha frente. Que graça tem ver o show daqui?! Estiquei o pescoço e lá estavam as cadeiras da arquibancada. Fui pra lá e, apesar de ter uma cobertura naquela área, pelo menos 3 fileiras da beirada estavam molhadas. E tinha uma senhora secando com um pano e aproveitei para me instalar em uma delas.

Tinha achado um lugar muito bom. Logo um casal se acomodou à minha esquerda e eram muito simpáticos. Eram mais velhos, mas com uma jovialidade ímpar. À minha direita ficaram dois caras. Um era magro e grisalho e o outro o extremo oposto. Alto e corpulento, mas muito divertido. Este vivia sumindo porque estava explorando o lugar e eis que numa dessas ele volta com uma sacola cheia de coisas, inclusive um pôster.
-Olha só que legal! Nesse pôster tem um espaço vazio embaixo. Aí você pode mandar enquadrar e aqui colocar o ingresso e do lado a pulseira! É o que eu vou fazer! Vai lá também, compra um para fazer isso que fica legal! Olha, não precisa sair até lá fora não. No corredor, vira à esquerda e fala com um pessoal da TAM que eles te deixam passar e ali tem uma banquinha que vende essas coisas. É bem mais perto.

O casal que estava ao meu lado era muito gentil e se ofereceu para guardar meu lugar caso eu quisesse ir lá pegar comida ou bebidas. Eu aproveitei algumas vezes para pegar algo para comer e peguei uma coca-cola. Não aguentei e fui ver os pôsteres. Tinha um grande, bem legal, e outros dois menores que mais pareciam postais. Além das camisetas, tinha chaveiro e uma coisa que eu não tinha visto ainda, uma espécie de credencial plastificada do show, com correntinha e tudo.

Mas comprei o pôster mesmo e voltei. Ficou meio incômodo, e até devo ter atrapalhado um pouco o pessoal do meu lado com a sacola, mas valeu a pena.

Aproveitei o tempo que ainda tinha para o show para ver as pessoas na chuva e escutar todas as canções do Creedance que tinham "rain" na letra, especialmente "Who´ll stop the rain" que tocou pelo menos 5 vezes.

Mas o que parou a chuva foi o Sir Paul McCartney pisar no palco e dizer: "Tudo bem, na chuva?" - e com a cabeça meio de lado - "Chove, chuva".

E aí foi só curtição. Ele abriu o show com Magical Mystical Tour e emendou Jet seguido por All My Loving. O show todo segue em um ritmo impressionante, são 3h de show e parecia que tinha começado aquela hora. O cara não para nem para beber água.

Algumas coisas eu já esperava, como os fogos de artifício em Live and Let Die, mas não imaginava que seriam tantos e nem tantas vezes como foi feito nessa apresentação!

E sem contar a emoção do momento em que ele pega o violão Martin, e toca os primeiros acordes de Blackbird. Fiquei mais feliz ainda por não ter visto a versão retalhada com colher da Globo, porque ali tudo foi surpresa. Inclusive os dois "bis". No total foram 6 músicas a mais.

Indescritível! As horas passaram como se fossem minutos. O Sir Paul McCartney não para nem para (nota:estão vendo a desgraça que a deforma ortográfica faz?) tomar água. Quando ele sai do palco a primeira vez, sabemos que ele voltará. Mas a segunda foi realmente animal!

Quando o Paul diz: "Agora, temos que ir embora!" bate a sensação do "fim do show". E você aplaude o quanto pode e observa a banda sair do palco e as luzes coloridas se apagarem. A iluminação geral acende para que todos possam sair do estádio e você vê aquela multidão esvaziando a pista.

Fiquei na sala vip por uns minutos, comi algumas coisas por lá e aproveitei para pegar uma coca-cola para levar. Afinal, meu carro estava no fundo e demoraria até eu poder sair.

Tive que colocar a coca-cola num copo porque não era permitido sair com a lata de lá, mas sem problema, tomei um pouco lá e levei o resto que tomei enquanto observava o rio de gente que se formou na saída do estádio.

Até que foi rápido, logo a Giovanni Gronchi começou a esvaziar. Os carros que estavam na minha frente saíram e eu voltei ao meu. Mas quando saí com o carro na rua, percebi que ainda tinha muita gente andando, literalmente, no meio da rua. Devagar e sempre, consegui sair do estacionamento sem passar em cima de ninguém. E escolhi ir à esquerda, já que seria o melhor caminho para mim.

Mas mal comecei a andar, vi que a Giovanni estava bloqueada e só tinha uma rua à esquerda que eu poderia pegar. E essa rua, fui descobrir depois de uns 40 minutos de anda e para, sai na Giovanni. Poucos metros à direita de onde fica o estacionamento onde eu estava.

Se a Companhia de Engarrafamento de Tráfego tivesso colocado uma placa nos cavaletes que estavam na Giovanni, dizendo que o sentido era à direita eu não teria perdido 40 minutos dando uma volta que não resolveu nada. Mas enfim. Caminho certo, mas tudo parado devido ao volume.

Vi um casal de adolescentes passar meio desesperados e o comentário das pessoas que estavam a pé (curiosamente a mesma velocidade que eu, de carro) era de que eles tinham sido assaltados.

Fora isso, não vi nada de anormal. VOltei traquilamente para casa e tratei de guardar muito bem os ítens que mandaria enquadrar depois. Sim! Segui o conselho do Jô (baterista da www.Hocuspocus.art.br) e mandei enquadrar. Agora enquanto escrevo estas linhas, posso olhar para o poster, que fixei logo acima da minha mesa.


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