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Prepare-se para entrar em uma zona...: O Show do Paul - 2

sábado, 27 de novembro de 2010

O Show do Paul - 2

A expectativa era enorme. Uma oportunidade única para a qual eu já havia me preparado para ver passar longe, estava sendo entregue às minhas mãos. O que fazer? Só me restava aguardar, já que as regras diziam que seríamos todos contatados pela organização do concurso.

Mas a ansiedade não deixava. O show era dali a poucos dias. 4 para ser exato e eu imaginava como o convite seria entregue. Correio era muito arriscado, poderia extraviar. A melhor solução, e também mais rápida, seria entrega por motoboy ou algum serviço de entregas. Mandei um e-mail à organização do concurso para saber como seriam entregues os convites.

Fui informado que seria contatado por e-mail e que receberia todas as orientações. Não restava mais nada senão aguardar. No meio dos meus afazeres, fui buscar mais informações sobre o show. Seria no Morumbi, então fui ver a divisão do estádio e fiquei pensando em qual lugar eu iria ficar. Já me contentaria com qualquer lugar, mas imaginei que havia uma possibilidade de ficar na pista.

Seria maravilhoso! Se fosse a premium então... Nossa! Imagina estar lá perto do palco a poucos metros dele. Incrível. Mas não queria ficar criando muita expectativa, porque conhecendo a minha sorte, seria uma arquibancada, talvez uma um pouco mais próxima. Não fazia mal algum. Eu estava indo ao show!

Procurei me acertar com meus primos para saber como eles iriam, afinal o Morumbi é um estádio fora de mão e com uma estrutura precária ao redor. Eu fui ao show do Eric Clapton e o estádio do Pacaembú é muito melhor localizado e a infra-estrutura ao redor também é bem melhor. Assim como os meios de condução para chegar lá.

Fiquei sabendo que meus primos estavam organizando, com ajuda do tio rockeiro, uma van para levar todo mundo para o show. Beleza! Posso deixar o carro na casa deles, vou e volto de van, pego o meu carro e volto para casa. Lindo esquema!

Faltava acertar como eu faria com as pequenas. Elas concordaram em voltar para a casa da mãe mais cedo para que eu pudesse ir ao show. Na volta iria direto à casa dos meus primos e de lá, direto ver o Paul.

Recebo o e-mail da organização. Confirmo meu nome, documentos e endereço e me dizem que o meu convite, que dá direito a camarote, será entregue via motoboy. Camarote?! Será que tá certo? Puxa vida! Eu vou ao show e ainda por cima de camarote? Nossa! deixa eu ver no site. Por incrível que pareça não tinha nada referente a camarotes. Nem portão de entrada e nem a localização deles.

Bom, -pensei-, pode ser que seja arquibancada, mas com acesso a alguma estrutura anexa. Onde será que fica isso?

No dia seguinte recebo a ligação de alguém da organização, confirma alguns dados e se estarei em casa, porque só eu poderia rececer o prêmio. Ok. Estarei em casa sim. A ligação estava ruim, mas perguntei onde seria o portão de entrada para eu poder me organizar e ele me disse que junto com o convite viria uma carta explicando tudo e que eu ficaria num camarote com comida e bebida à vontade.

Legal! No dia seguinte, chega meu convite. Lá está o meu portão de entrada e todas as instruções necessárias. Só faltava chegar o dia. Estava quase lá!Os dias passam rápido, fizemos os últimos acertos quanto a van que nos levaria ao show. Contando todo mundo e dividindo o valor, seriam uns R$30,00 para cada um. Pouco mais que isso. Ótimo! Ainda por cima ficou barato, já que estacionamento nessas ocasiões é mais de R$100,00.

Tudo corria bem. Levei as pequenas e já fui encontrar a galera. Ainda estava cedo, marcamos a saída às 17h e eu chegaria por volta das 15h. Já fui pensando em pedir ao meu primo para colocar algumas músicas do Paul para irmos esquentando. Não precisou. quando cheguei já dava para escutar os acordes finais de alguma música e o público aplaudindo. Tive inclusive que esperar os aplausos abaixarem para tocar a campainha de novo e ele escutar.

Quando entrei, já dei de cara com um show do Paul na tv. Era um DVD que já estava quase furando de tanto ser visto. E ficamos lá os dois, aguardando o resto da trupe chegar. Ele tem um violão igual ao que o Paul McCartney usa em Blackbird e foi tocando junto com ele enquanto cantávamos a letra. Caramba! Que expectativa. As horas não passam!

Chegou a hora. Juntamos todo mundo na casa de um amigo deles. Eu esperava ver um cara da idade deles, e lá descobri que é um cara mais velho, integrante da banda do tio, mas muito jovial.

Chega a van e lá fomos nós ao show. Chegamos e cada um de nós entraria por portões separados. Eu precisava encontrar o portão 17 e eles o 2 e 4. Lembro de ter visto que eram em lados opostos. Visto que eles estavam seguindo para um lado, fui para o outro. Andei, andei, andei. Perguntei a um policial onde ficava o portão 17 e segundo ele: "é só continuar contornando o estádio e você chega lá."

Ok. E andei, andei, andei. A fila era tão grande que não dava nem para saber de onde era a fila. Perguntei algumas vezes e me disseram que era para a pista. E continuei seguindo o muro. Logo encontro os meus primos. Demos a volta no estádio, nos encontramos no meio do caminho e continuamos procurando o fim da fila ou o portão.

Finalmente achei o portão 17. Fila pequena. Foi só entrar e achar um balcão onde trocavam o nosso pré convite pelo convite oficial. Tinha uma fila pequena, mas tudo bem. Comparando com a que estava lá fora, aquilo nem era fila. Conversei um pouco com uma moça muito simpática que estva na minha frente. Para passar o tempo e tentar ficar menos ansioso também.

Nada de mais. Finalmente chega a nossa vez. Ela entrega o cartão e eu o meu. Uma outra moça já coloca a fitinha no meu braço e então... Algo errado.
-Este número já entrou.
-Tem certeza? Vê se você não marcou errado.

As moças estavam com algum problema e pelo que vi, era o meu convite que estava dando problema.

-Peraí, não é possível. Tem alguma coisa errada, eu confiro antes de marcar a entrada e este número já entrou.
-Deixa eu ver... Ah! Já sei. Este convite é para amanhã!
-... heim? Como assim - disse eu completamente pasmo- amanhã não tem show. Só hoje!
-Tem sim, moço. E este convite é para amanhã.
-Putz! Não acredito nisso. Não pode ser!

Peguei a carta que veio junto com o convite e fiquei procurando alguma data. A menina olhou junto e achou a linha em letras em negrito dizendo: "Convite para o show do dia 22/11".

Não conseguia acreditar que estava lá no dia errado. Mas eu tinha tanta endorfina no sangue que sequer consegui achar ruim. A moça não estava conseguindo retirar a fitinha então eu mesmo a retirei.

Sensibilizadas pelo meu desastroso engano, as moças da recepção tentavam encontrar algum ponto positivo naquela situação que seria cômica se não fosse ridícula.
-Olha, pelo menos você vai encontrar a gente de novo amanhã!
-Só por isso já digo que valeu a pena. Mas afinal, poderia ser pior. Já pensou se eu venho um dia depois? Melhor voltar amanhã que não voltar, né?
-Está certo! E olha só! Vou fazer o seguinte, amanhã quando você chegar nem precisa pegar a fila. Me procura direto e eu passo você na frente, ok?
-Fechado! Então nos vemos amanhã!

Ainda desejei um bom show aos que estava na fila depois de mim e saí. E fiquei pensando: "Como diabos eu vou fazer para voltar para casa?"

Como ia voltar de van, nem verifiquei saídas alternativas. E pior! Acabei de lembrar que meu carro estava na garagem da casa do meu primo.

Liguei pra ele e rapidamente consegui explicar a grande estupidez que fiz. E disse que precisava pegar o meu carro lá na casa dele.

-Cara, faz assim. Acha a gente aqui na fila porque nós ainda não entramos. Eu te entrego a chave.
-Beleza.

E lá fui eu rodar o estádio de novo. Com essa era a segunda volta. Depois de muito andar, achei os caras na fila. E todos com aquela cara de "COMO VOCÊ FAZ UMA COISA DESSAS?!". Bom, nem eu sei. Mas sou mestre em dar esse tipo de mancada.

Peguei a chave, fiz um pouco de hora lá, na fila com eles. Aproveitei para comprar uns hotdogs para eles não precisarem sair da fila e resolvi ir embora.

E aí? Como eu faço para ir embora dali? De carro eu sei voltar, mas a pé? Bom, policial ali não faltava. Algum deles deveria saber como eu faria para chegar a um metrô.

Me indicaram descer a rua e pagar a bifurcação à direita e pegar um ônibus que iria até a Sé. Queria um mais perto, mas de qualquer forma, servia. Segui a orientação do policial, mas algo estava errado. A rua não era aquela e para seguir o que ele disse, eu teria que seguia à esquerda, não à direita. Mas fui à direita mesmo assim, porque já estava ficando cansado de andar e para ir para o outro lado seria mais caminhada.

Quando estou subindo, vejo um ônibus. Faço sinal e tento perguntar se ele passa em alguma estação do metrô mas nessa hora junta um monte de desocupado, meio bêbados, outros vendedores ambulantes que queriam carona, um outro perdido bebaço que também queria carona porque estava sem grana e bêbado feito um gambá. E só depois dessa leva entrar eu consigo perguntar ao motorista. E a resposta: "Não".
-Sabe de algum que passe aqui e no metrô?
-Também não.

É, acho que o negócio é voltar e fazer o caminho indicado pelo policial. Nisso passo por um rapaz que está vendendo bebidas.
-Ô! Você quer ir pro metrô?
-É, mas acho que aqui não passa nenhum ônibus. Vou voltar lá pra baixo e procurar um.
-Não cara, fica aqui que passa sim. Tem um que vai até a estação da Sé. Faz a volta lá na praça. Chama República, eu acho. Mas eu sei qual é. Fica aqui que eu te aviso.
-Puxa, valeu!

Vem um ônibus, mas a resposta do motorista é a mesma, não passa no metrô e não sabe qual passa.

Ok. Mas o vendedor me assegura que ali passa sim. É só esperar. Cansado que estava, resolvi mesmo ficar por lá. E eis que passa um tipo de micro-ônibus que passa nas Clínicas. Beleza! Já serve!

E lá vou eu. Sento no fundo, perto da porta e aí começo a pensar no que fiz. Como consegui fazer aquilo? Naquele momento, comecei a pensar que todas as vezes que algo bom me acontece, algo ruim acontece logo em seguida. Parece um lembrete de que coisas boas para mim, são apenas a exceção que confirma a regra. Um prenúncio de todas as desgraças que aconteceriam dali por diante.

Naquele momento, fiquei triste por não ter podido ver o show. Aquele domingo era o dia ideal, quando todos estariam mais entusiasmados. Seria televisionado. Não que eu tivesse a esperança de aparecer na tv, isso sequer me interessa, mas todo mundo fica mais empolgado e o show tem mais energia.

Lembrei do momento em que eu tirei a pulseira de plástico que dá direito à entrada no camarote. Só ali sento como se fosse um rebaixamento ou algo assim. Mas quer saber de uma coisa? Eu não vou me deixar abater por isso. Rocky Balboa disse:"Não importa quão forte você bate. Importa quão forte você é atingido e continua a seguir em frente" (It ain´t about how hard you can hit. It is about how hard you can get hit and keep moving´foward!)

Está certo! Amanhã eu volto. Agora só tenho que pensar em como pegar meu carro.

(Continua...)


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