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Prepare-se para entrar em uma zona...: Julho 2010

domingo, 25 de julho de 2010

A Teoria Harper

Eu não sou exatamente o tipo de cara que gosta de ir à baladas ou barzinhos e ficar "pegando" mulher. Nunca vi muita coerência em ir a um lugar onde o som é tão alto que você sequer consegue ouvir o que você mesmo fala, ficar bebendo e sair beijando mulheres festa adentro.

Já não curto som alto, não bebo e não danço, logo não é o ambiente mais favorável para mim em qualquer aspecto.

Há aqueles que gostam disso, ficam contando com quantas "ficaram" naquela noite e tal. Eu não gosto disso. Prefiro convidar uma garota só por vez, ir a um lugar onde possamos conversar, com música ambiente suave e se no final der certo, maravilha! Se não der, paciência.

Mas ultimamente não tenho procurado ninguém porque tenho uma meta muito mais urgente a cumprir: arrumar uma casa para mim.

Como a ajuda da especulação imobiliária então, essa meta é quase impossível. Entre devaneios, envio de currículos e ligações para vender o nosso estúdio de criação (sim, essa é uma possibilidade. Ou arrumo um bom emprego ou a "ATO & ARTE - Estúdio de Criação" começa a render, qualquer alternativa é válida), fico pensando se não estou com uma meta impossível. Já fracassei tantas vezes nesses anos de separado que já começo a sentir os primeiros sintomas de uma depressão.

Mas como depressão é doença de gente rica, que pode ficar em casa na cama choramingando e tomando remédios caríssimos, e eu não estou nem perto disso, respiro fundo e... Lá vamos nós!

Então estou sozinho, sem emprego e sem ninguém. E vendo minhas filhas aos fins de semana.

Sem uma renda mensal, comecei também a cortar os gastos. Não saio para fazer nada, se vou a algum lugar vou a pé ou de ônibus. E como lazer me resta apenas a tv.

Gosto de alguns seriados como The Mentalist, Big Bang Theory, Two and a Half man, CSI. E eles por vezes conseguem me distrair um pouco das minhas frustrações. Desses dois são cômicos o que ajuda a dispersar o gosto ruim do fracasso. E ultimamente tenho conseguido ver apenas Two and a Half Man.

É até engraçado perceber que o Charlie e o Alan são na verdade personificações da nossa vida e do que gostaríamos que fosse a nossa vida.

Charlie é um cara que tem muito dinheiro, vive em uma casa na praia, não sai para trabalhar, aliás, são raras as ocasiões em que ele aparece trabalhando, está sempre fazendo algo divertido. Ou está bebendo ou está com alguma mulher maravilhosa.

Tá certo que eu, por exemplo, não beberia. Mas morar em uma casa de praia e poder fazer o que quer e quando quer é um bom modo de viver. Tem um bom carro, vai a bons restaurantes, se veste da maneira mais informal possível. É, com certeza é para se pensar.

Já o Alan, se divorciou, precisa trabalhar todos os dias, nunca tem grana para nada, dificilmente se arruma com alguma mulher e mesmo quando consegue, muita coisa dá errado antes e depois disso.

Bem mais parecido com a minha vida, infelizmente. Fico pensando, porque será que a nossa vida tem que ser mais "Alan Harper" do que "Charlie Harper"? Porque não poderia ser mais equalizado? Meses com 30 dias, "Charlie", meses com 31, "Alan".

Independente de como seria o escalonamento, seria bom termos um pouco mais de sorte na vida. E aí percebo que na verdade esse seriado funciona justamente por trabalhar os dois lados da moeda. Aquilo que você é (Alan) e o que gostaria de ser (Charlie). Os fracassos de Alan, o jeito exagerado de ser dele, contrapõe o lado utópico do Charlie. Acredito que tenha alguém que consiga ter um estilo parecido, mas igual ao do Charlie, em todos os aspectos, duvido.

A minha teoria é que você acaba assistindo porque se identifica em algum momento com o Alan. Ele se dá tão mal em tantas coisas que não é possível que você não se identifique com algum mico dele. Ele passa por todos. E até espera que ele se dê bem em algum momento, porque é a esperança que você também tem. Uma hora, tem que acertar.

E o Charlie é a utopia personificada. Muito dinheiro, quase nenhum trabalho, muita diversão, boa casa, bom carro, muitas mulheres. Quê mais um cara poderia querer? Mas de tão perfeito, é praticamente impossível chegar a esse ideal de vida.

Mas quer tanto que também se identifica com ele. Vê n Charlie aquele lance de sucesso que falta na sua vida.

E no final, acabamos percebendo que somos mais parecidos com o Jake mesmo. No meio de duas possibilidades de vida tão distintas e opostas, ele vai seguindo seu caminho, meio torto, mas segue.