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Prepare-se para entrar em uma zona...: Junho 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Que comédia!

Recebi uma dica de stand-up da minha prima. No teatro Cacilda Becker toda quinta a partir das 21:30h.

Legal! Eu curto stand-up comedy mas nunca tinha ido a um espetáculo ao vivo. Era uma quarta-feira e eu queria achar uma companhia para ir comigo. Chamei uma grande amiga para ir junto, mas ela não tinha o dia livre.

Com o pouco tempo que restava, fiz algumas tentativas e no final quem resolveu ir foi um primo que se tornou meu vizinho há pouco tempo.

Beleza. Pelo menos não fico à tôa no caminho até lá. já que ir de ônibus é sempre chato.

Na quinta, ligo pro cara e marco com ele. Como o espetáculo começa às 21:30h, vamos nos encontrar às 20h no metrô e de lá pegamos um ônibus só que vai direto e passa perto do teatro.

Por volta de umas 19h o cara me liga:
-E aí beleza?
-Tudo certo. Tá na zona "lost" ainda?
-É, tô saindo daqui a pouco. Mas deixa eu perguntar uma coisa. Tem que ir de social?
-... Que...?
-Social. Tipo, terno, camisa...
-Cara, é um show de stand-up, não recepção da realeza britânica! Vai do jeito que quiser!
-HAhahaha! Tá certo! É verdade! Na hora combinada estou por lá!

Me aprontei e fui. Cheguei no mesmo instante que ele me liga para avisar que também está lá. Só que eu procuro de um lado, do outro e nada. Cadê o cara?
Esperei mais um tempo e não achei ele.

Eu avisei que ele precisava atravessar para o lado de cá. Será que se perdeu no meio do caminho? Vi que havia um corredor abaixo da estação que fazia a ligação dos dois lados da estação. Calculei que ele só poderia estar lá, já que não estava na saída.

Subi e fui de um lado a outro e nada de achar o infeliz. Daí ele me liga.

- Onde você tá?
- ué? Te procurando. Você está na estação certa?
- Estou. Mas não estou te vendo.
- Eu estou aqui na plataforma de baixo.
- Ah! Então espera que já chego aí!

E logo em seguida vem o cara descendo a escada rolante.

- Caraca velho! Tava escondido lá em cima?
- hahaha! Achei que era para esperar na catraca! E agora?
- Vamos pegar o bus que passa aqui na frente.

E descemos até o ponto que fica bem em frente da saída da estação. Só que lá tem uma placa com todos os nomes e números das linhas que passam ali. E nenhum era nem parecido com o que o Google maps tinha me mostrado.

- E agora?
- Bom, melhor perguntar para alguém.

O "alguém" em questão era um botequinho que tem ali perto. A única coisa aberta naquele horário.

- Ah! Esse ônibus passava aqui, mas agora tá passando na rua de trás. É só virar aqui à direita e você vai ver um ponto à esquerda. Ele tá passando ali porque parte do trajeto tá em obras.

Lá fomos nós andar um quarteirão até o tal ponto. Mas chegando lá percebemos que, diferente da rua onde estávamos, essa era de mão dupla e o ponto indicado ficava na mão contrária ao lado para onde pretendíamos ir.

- Hmmmmm. Tá estranho. Eu acho que deverímos estar do outro lado da rua.
- Peraí. Ei! Senhor. Por favor sabe se o ônibus 278-A passa aqui?
- 278-A? Deixa ver... Ah! Passa sim, mas lá do outro lado.

E lá fomos nós para o outro lado. E ficamos uns 20 minutos lá. E nada do tal ônibus passar.

Perguntamos de novo sobre o mítico ônibus 278-A e, vejam só que coisa, ele não passava lá naquele ponto!

- Vocês seguem adiante nesta mesma rua, vai passar aquele cruzamento ali, depois mais um e já vão ver um ponto. Lá ele passa!.

E fomos nós caminhar mais um pouco. Só que, depois de passar os dois cruzamentos, cadê o tal ponto? Mal tinha iluminação na rua.

Nessa hora meu primo, já descrente que existia um ônibus de número 167 e que ele passava por ali, onde quer que fosse, achou melhor voltarmos à estação de metrô.

- Ah, então vamos para a estação Tietê, que fica ali, do outro lado da rua.

Chegando lá ele vê 3 seguranças do Metrô e vai perguntar como fazer para chegar na Lapa.

- Ah, tem dois ônibus que passam aqui do lado, mas não lembro direito o nome. Era Pedro II ou III ou Pio XI. Ah, são os únicos que tem número no nome e os dois vão pra Lapa.

O único problema é que a Lapa é enorme e cada ônibus deve ir para um lado diferente. E detalhe, nenhum deles é da linha que eu tinha anotado.

Até eu já estava acreditando que o Google estava chorando de tanto rir do mané aqui procurando o tal ônibus que não existe, quando chegamos ao ponto e fui ver a placa das linhas que passam lá. E lá estava ele. Ou melhor, eles. São dois ônibus com o mesmo número, mas nomes diferentes.

Caramba! Se vão para lugares diferentes, custava ao menos chamar um de 278-A e o outro de 278-B? Mas não! São os dois 278-A! Um é Penha e o outro Ceasa, e o Google tinha dito que era um nome só: Penha-Ceasa.

Aguardamos e assim que o primeiro apareceu, entramos e perguntamos ao cobrador sobre o itinerário e como era esperado aquele era o ônibus errado.

Novamente no ponto e 15 minutos depois, surge o ônibus certo. Mal entramos e começamos a ver o trajeto que ele estava fazendo. Sensação de dejà vu. Ele passa por todos, sem exceção, lugares onde estivemos perambulando pelos últimos 40 minutos.

Mas finalmente estávamos a caminho. Mais ou menos na metade, minha prima liga para avisar que já chegou lá e está nos esperando.

Tranquilo, já que o ônibus nos deixaria a poucas quadras do teatro. Seriam poucas se eu não tivesse errado o ponto de descida. Estava escuro e eu não conseguia ler as placas com os nomes das ruas. Calculei que já estaríamos no lugar certo ou faltando pouco.

Sim, eram só mais 3 quadras.

Aí, beleza! E só virar à esquerda e andar mais 5 quadras e... Legal! Além de tudo é subida! Toca subir 5 quadras. Estávamos na penúltima e minha prima liga avisando que o espetáculo já vai começar e que ela comprou os nossos ingressos.

Aí só nos restou correr morro acima na última quadra e meia que faltava e chegar lá com dor no baço, câimbras e sem um dos pulmões. Ou pelo menos era essa a sensação. Mas chegamos!

Pegamos o espetáculo bem no comecinho e valeu a pena. Após uns 10 minutos de show, consegui recobrar o fôlego para rir e convencer a senhora que estava ao nosso lado de que não era preciso chamar a ambulância.

Foi um show muito bom! Quem quiser ir pode encontrar mais detalhes em www.meuteunoseu.com.br. Vale a pena!

Saindo de lá, por volta das 23h, estávamos com a barriga doendo de tanto rir e também porque não tinha jantado antes de sair de casa. Resolvemos comer uma pizza, mas por ali só tinha alguns barzinhos abertos.

E minha prima sugeriu o Margherita. Eu disse que por mim poderia ser marguerita ou muzzarela, tanto fazia. Como bom paulista que sou, nascido e criado em São Paulo, desconhecia completamente essa pizzaria e achei que ela estava se referindo ao sabor da pizza (esse foi o único momento em que achei bom minha amiga não ter conseguido ir comigo).

Chegando lá escolhemos meia presunto cru e meia americana que simplesmente evaporou da mesa. Era uma pizza maravilhosa. Mas como a fome continuava, resolvemos pedir mais uma. Arigato. Não, não estou agradecendo nada, é o nome da pizza. Dessa aí sobraram 3 pedaços, porque ainda íamos comer sobremesa.

Não sei porque, mas minha prima, que parou no terceiro pedaço e não quis sobremesa, ficou meio espantada.

Aí, plenamente satisfeitos, percebemos que eram 1:11h. Como já não tinha mais metrô naquele horário, o jeito foi pegar um taxi. E meu primo lembra que tem que voltar para a zona "lost" porque deixou um aparelho de trabalho lá.

- Beleza, faremos a coisa mais "inteligentical" (obrigado London!) que poderia ser feita agora. Como você precisa ir pro outro lado e não tem dinheiro, vamos até a minha casa, pego o carro e te levo.

E lá fomos nós. Quase chegando em casa, minha prima liga.

- E aí tudo bem?
- Tudo estamos quase em casa. E você? Já chegou?
- Que nada. Meu morreu.
- Morreu?!? Como assim?

Nesse momento o taxista e meu primo que ia no banco de trás quase enfartaram.

- É. Morreu e não liga nada. Nem o pisca alerta funciona.
- Deve ser a bateria(aqui quase me bateram), vou pegar o carro e vou praí. Onde você está?
- Não precisa, já chamei o socorro. Ah, acho que chegou, parou um motoqueiro do lado do carro. Vou lá ver!
- Tá, qualquer coisa me liga que eu vou até aí.

No final das contas fui até a Zona "lost", voltei e não consegui falar com a minha prima. No dia seguinte ela me conta que teve que trocar a bateria e que aquele motoqueiro era só um curioso, mas pelo menos ele ficou lá por um tempo fazendo companhia para ela.

É. Comédia!


quarta-feira, 2 de junho de 2010

MInha nada mole vida

Depois que perdi o emprego, avaliei as minhas opções. Eu poderia procurar emprego, tocar a editora, colocar um projeto antigo em prática...

Resolvi que não teria tempo nem dinheiro sobrando para escolhar por tentativa e erro. Se quero que algo dê certo, tenho que começar ontem. Então continuo enviando currículos e ao mesmo tempo, vou encaminhando todos os outros projetos. O mais frustrante é ter mais de 3 meses de envio de currículos e respostas para vagas e não ter tido sequer uma entrevista.

Vai ver, como profissional eu sou um ótimo desempregado.

Não tenho tempo para ficar lamuriando, então segui adiante com o que julgava que poderia me dar um retorno a médio prazo. Agora eu teria tempo para resolver os problemas de diagramação dos livros da editora. Mas infgelizmente, não aconteceu dessa forma. Um sócio saiu e então, numa conversa com o sócio que restou, decidimos que faltava algo para dar a ingnição nesse motor. A faísca que falta nesse caso é dinheiro.

Nos vimos na situação complicada de ter que aceitar um sócio capitalista. Até aí tudo bem, já que teríamos financiamento para finalizar o livro e quem sabe até resgatar alguns dos patrocinadores que perdemos com o tempo. Mas isso implica em uma decisão. Esse sócio em questão não admite uma sociedade com mais de 2 pessoas, ele incluído.

Me restam duas opções: ficar e possivelmente matar a editora, ou sair e ver tudo que fiz sair com os méritos de outra pessoa.

Ao menos na segunda hipótese, a editora finalmente tomaria vida e teria a chance de se erguer e enfrentar os gigantes do ramo editorial. Mas isso não é uma decisão fácil de tomar. É quase como deixar seu filho para que outro cuide dele.

E porque eu não continuo e meu sócio sai? Simples. Um dos motivos de eu ter começado este projeto foi justamente de proporcionar a ele uma chance de se reestruturar e, mais importante ainda, é lembrar que quem tem o know-how é ele.

E ele mesmo fez a negociação de forma que eu ainda pudesse ser ressarcido em alguma coisa do investimento que fiz. Aceitei deixar a editora, com dor enorme no coração.

Mas segui em frente e então recebi a ligação de um amigo, fotógrafo e casado com uma ilustradora. Ambos são profissionais liberais. E eis que este me convida a participar de algo que ele quer fazer há muito tempo. Um estúdio de criação. Ele fotografa, a esposa ilustra, um outro amigo faz vídeos e sites, só faltava quem fizesse a venda.

Eu, no caso. E topei. Porque não? Pode ser o que trará o retorno mais rápido.

Então comecei a ligar para empresas e consegui um job de última hora. Fizemos em tempo recorde e fui levar o trabalho finalizado. A empresa fica na Bela vista e quando estava indo, vi muitas lojas onde eu poderia passar dias sem me entediar. O lugar é repleto de antiquários e no meio do caminho vi uma pequena lojinha, com massas e biscoitos. Daquelas que parecem bem antigas.

Quando estava voltando, resolvi passar lá (só para xeretar mesmo, já que ainda queria passar nos antiquários e eram mais de 16h). Uma olhada rápida e vi muitas massas e num cantinho, umas bandejas com doces. Na hora vi algo que queria provar há muito tempo: Cannoli!

Eu os conheci no blog do Katsuki (http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br) e fiquei com vontade de provar. Parecia bem diferente daqueles canudos com doce de leite ou de abóbora que eu comprava na vendinha perto de casa.

Mas nesse dia eu estava sem dinheiro e saí deixando para trás o último dos cannoli de creme.

Felizmente, tive que voltar lá depois de alguns dias, e então fui decidido a comprar o doce. Passei lá na saída e fui logo procurando os cannoli. Se não tivesse acho que teria levado algum outro porque todos tinham uma aparência deliciosa. Mas lá estavam eles, vários cannoli de chocolate com avelãs!

Fui ao balcão e paguei R$4,50 à moça do balcão. Peguei o doce (você mesmo se serve) e munido de um pratinho e guardanapos que ela me forneceu, analisei o produto.

A casquinha parecia bem crocante, mas achei um pouco grossa. Tive a impressão de que seria daquelas que eu comprava na vendinha, que eram meio duras e às vezes nocauteavam minhas obturações.

Na primeira mordida essa impressão desapareceu. A massa é deliciosamente crocante e saborosa. O recheio farto de nutella (tive a impressão de ser esse o recheio) faz qualquer sair do regime, mas eu estava no céu. Fazia tempo que não comia um doce tão bom.

E enquanto saboreava calmamente o meu cannolo (cannoli é plural), fiquei olhando as outras coisas da loja. Tem uns pães muito bonitos lá e outras massas que nunca tinha visto antes, além de embutidos diversos. Para quem só conhecia salame e mortadela, era uma infinidade lá pendurada.

Antes de sair, pedi um cartão. O lugar se chama Padaria Italianinha (r. Rui Barbosa, 121 - 11 3289-2838/3141-4166) e é uma padaria tradicional da Bela vista. O site deles é www.padariaitalianinha.com.br e tem uma lista de tudo que eles fazem de bom por lá.

Nessa semana, o cannolo que comi foi a comemoração por um trabalho bem feito e para que venham outros ainda melhores.