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Prepare-se para entrar em uma zona...: Maio 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Hardware, software, headacheware

Desde a minha 8º série (atual 9º ano, eu acho) eu já sabia o que queria fazer da vida. Queria fazer propaganda. Dessas que passam na tv. E acho que tão longínqua quanto, é a infindável discussão a respeito de um dos mais usados, e igualmente odiado, software de vetorização.

Para quem não sabe, todo designer gráfico que se preze, usa um software de vetor qualquer que seja. Antes, os Macintoshs dominavam a área, pois eram as melhores máquinas para tal função. Depois os PCs baratearam (os Macs, não)e melhoraram sua performance. Até o Windows deu uma melhorada (cópia descarada do Mac OS, que é cópia descarada de um ambiente gráfico desenvolvido pela Xerox).

Seguindo essa mesma linha de tempo, é natural que os softwares desenvolvidos para design gráfico fossem feitos para Mac e só para Mac, afinal quem iria usar um PC para isso? O pacote Adobe, na época na versão com duas cores- preto e verde ou preto e laranja dependendo do fósforo do seu monitor- só existia para Mac.

Um dia, um canadense pensou: Porque não fazer um software de vetor para PC?

A resposta deveria ser que os PCs em sua imensa maioria não prestavam para a coisa. Mas o canadense, tal qual um Wolverine dos programadores, juntou sua equipe de mutantes em códigos de programação e desenvolveram aquilo que seriam, até hoje, a maior das contradições do mundo do design: O Corel Draw.

Todo mundo odeia o Corel, tem gente que nem sabe porque, mas odeia. E o pior é que, seja por qual motivo for, usa. E diariamente.

Bom, a razão dessa raiva toda pode ser porque o Corel foi um dos, senão o primeiro, software de vetor para PC. Não lembro se antes havia uma versão para Mac e, já rejeitado nos reinos da maçã mordida, resolveu se mudar para uma vizinhança mais acolhedora. Fato é que desde seu surgimento, muitos passaram a odiá-lo e com razão. A partir de então, qualquer um com um PCzinho em casa se dizia publicitário, ou designer. Ou pior ainda, diziam que faziam "Desing".

Bom, esses ainda devem "fazer desing" até hoje.

Outro motivo, e esse bem mais sério, era que o Corel tinha um sério problema de daltonismo. Eu diria até que seria um caso de anacronismo (quando o indivíduo vê tudo preto e branco, ou ao menos não consegue distinguir as cores) e chutava quais cores estavam sendo usadas.

Era comum ver vermelhos que quando impressos viravam o mais esdrúxulo dos magenta (AKA: Fúcsia)meio roxo, meio rosa. Tons de azul que ficavam verdes e deixavam brancos os designers e vermelho-fúria os donos de agência e diretores de criação.

Só isso bastou para que todo profissional sério se recusasse a utilizá-lo. Bom, isso até a popularização maciça dos PCs, dos processadores Pentium III e IV e da grande maioria das gráficas adotá-lo como principal software.

Claro que as grandes gráficas, mesmo tendo um corel lá perdido para atender aos clientes desavisados que o utilizam e acham o máximo, ainda usam o pacote Adobe como principais softwares, mas atendem os clientes "Corel Drawístas".

Eu particularmente, gosto do Corel para algumas coisas. Como eu trabalhei só em pequenas agências, a maior parte do tempo usei o Corel em PCs. E me habituei a usar as ferramentas de desenho dele. Gosto muito do Illustrator, mas algumas coisas eu resolvo mais rápido no Corel, nem que depois tenha que exportar para o Illustrator para finalizar.

E eu ainda me dou ao luxo de plugar um segundo monitor para facilitar o trabalho. Todas as paletas de funções e janelas secundárias, eu deixo nesse segundo monitor e fico com a minha tela livre para trabalhar, com a maior área útil disponível possível.

Outro dia, entre atender um cliente, procurar por um serviço de tradução "overnight" e ainda receber e encaminhar o material do cliente, estava eu fazendo uma ilustração no Corel. Fui desligando as coias que não ia precisar mais, inclusive o segundo monitor, que já não era necessário.

Liga para um, manda e-mail para outro, atende ligação e se não bastasse, lembro de uma amiga que anda meio chateada esses dias. A coisa mais natural e lógia a se fazer num caso desses é, obviamente, abrir o Corel e começar uma ilustração para animá-la um pouco. Uma coisa simples, que não deveria tomar mais que uns minutos e ainda a deixaria mais feliz.

E comecei o desenho enquanto atendia telefone, encaminhava e-mail, recebia material, montava o cronograma de trabalho. Um fundo em degradèe, uma círculo aqui, outro ali para compor uma figura. E aí percebo que a cor não está do jeito que quero. clico no ícone para abrir a janelinha onde eu posso determinar qual a cor exata que eu quero e... Nada.

Ué? Já deveria ter aberto. Deixa aí mais um pouco que eu tenho que atender essa ligação. Agora vejo se tem resposta no e-mail. Ok. Encaminho a resposta. Volto ao Corel e nada ainda. tento clicar em outra coisa e aquele som característico de Windows travado": Paaaam!

Que droga. Como assim? Clico de novo: Paam!
Paampaampaam!

Aperto ESC e aí no primeiro clique, dá certo. Ué? Que coisa... Clico de novo para editar a cor e nada. Paam!

Droga, não acredito. Mas agora não tenho tempo para resolver isso.

Resolvido o job, material finalziado entregue, cheque recebido e depositado, voltei para a máquina. Coloco o CD, peço para corrigir o programa. Faço a atualização que está disponível. Volto ao Corel, tento editar a cor e PAAAM!

- ARGH! Esse bicho tá me tirando do sério. Era só que faltava.

Resolvo desinstalar tudo e reinstalar de novo. Tento outra vez e PAAAM!

- Mas que droga! Nunca vi isso antes.

E desinstala, reinstala, atualiza, faz tudo de novo e de novo e de novo! Parecia o Baby da família Dinossauro: "Di novo!"

Resolvi pedir ajuda a outros designers, um pessoal muito bacana que eu perdi duas oportunidades de conhecer pessoalmente. Os e-mails começam a chegar e não podia ser diferente.
-Cara, nunca vi isso. Tenta reinstalar
-Faz melhor, desinstala e instala o Illustrator!
-Já experimentou usar outra mídia? Uma que não seja do Corel?

Foi bom ver as respostas do pessoal porque ao menos dei umas risadas. Todos realmente queriam ajudar, mas com esse problema do além, acho que nem o Chico Xavier.

A minha esperança era alguém já ter passado por isso, mas pelo visto eu era o pioneiro. Aí resolvi apelar. Chamei um amigo que é programador.

-Cara, me diz uma coisa. Qual o aplicativo que comanda aquelas janelas, tipo de menu, que ficam "flutuando" nos programas.
-Aí depende. Porque?
-É que a paleta de cores do Corel não aparece, mas o Corel trava e só volta se eu aperto ESC. Até parece que a janela está lá, só que invisível.
- Ah! Isso pode ser duas coisas. Ou o programa tá com algum problema e você via ter que reinstalar, ou por algum motivo a janela está em um lugar onde você não tem acesso. Tenta colocar a resolução máxima possível que normalmente aparece pelo menos um cantinho da janela e você puxa ela de volta.

Nessa hora na minha cabeça eu escutei um PAAAM! Claro! Só podia ser isso. Voltei à mesa com o outro monitor e pluguei ele no note. Na primeira tentativa, lá estava a paleta. Sozinha no outro monitor.

Por algum motivo o Corel achou que eu ainda estava usando 2 monitores e jogava as paletas todas para lá. Afe!

Mais uma do Corel para a minha coleção.


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Workin´ for a Livin´

Somedays won't end ever and somedays pass on by,
I'll be working here forever, at least until I die.
Dammed if you do, dammed if you don't
I'm supposed to get a raise week, you know damn well I won't.

Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin', livin' and workin'
I'm taking what they giving 'cause I'm working for a livin'.


Enquanto Huey Lewis seguia em frente com a sua música, eu me dirigia ao trabalho. É muito difícil escutar essa música, então gravei um CD com ela e mais uma dezena de outras músicas que gosto de escutar.

Essa letra é especialmente indicada para o trajeto "casa/trabalho". Apesar da verdade angustiante da letra, o ritmo é bastante animado e por isso o astral dela é positivo. E não tem como não escutar e pensar: "É, eu também trabalho para viver".

Hey I'm not complaining 'cause I really need the work
Hitting up my buddy's got me feeling like a jerk
Hundred dollar car note, two hundred rent.
I get a check on Friday, but it's all ready spent.

Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin', livin' and workin'
I'm taking what they giving 'cause I'm working for a livin'.


O melhor de tudo é que estou voltando de férias. Sempre peço as minhas férias em janeiro por causa das minhas filhas. Assim podemos aproveitar o mês para viajar (quando dá) ou pelo menos ficarmos juntos mais tempo. Por essa razão parei de vender parte das minhas férias. Passei a tirar os 30 dias. E quando acaba, é sempre uma tristeza, porque eu só verei as pequenas aos fins de semana.

Mas sem crise. Trabalhar é preciso e vamos em frente. Chegando no escritório, nada de novo. Comecei a organizar a minha mesa, abrir a pilha de correspondências acumuladas e ver os e-mails que ficaram parados na caixa postal.

E estou lá respondendo vários e-mails, algumas reclamações que chegam pelo SAC, redireciono o que precisa e então o telefone toca.
- Oi, é a Andressa do RH. Tudo bem?
- Oi Andressa. Tudo e você?
- Também. Ahnn... deixa te perguntar uma coisa. Você voltou hoje ao trabalho?
- Sim, como tirei o mês todo, foi do dia primeiro até o dia 30. Volto hoje.
- É que no meu sistema você ainda está de férias.
-...
- Como o dia primeiro foi feriado, só podemos lançar as férias a partir do primeiro dia útil seguinte.
- Então, quando eu deveria ter voltado.
- Depois de amanhã. Mas faz assim, porque você não volta agora para casa e daqui a dois dias pode chegar depois do meio-dia para compensar o que você trabalhou hoje, pode ser?
- Sim, claro. Sem problema.

Bom, terminei de responder meus e-mails que estavam parados e voltei para casa. Depois de dois dias quando retornei ao trabalho, após o meio dia como combinado, não conseguia abrir nada. E-mail, rede, nada.

Então um dos administradores de outro setor, que nada tem a ver como meu, me chama para conversar.

- Então cara. Eu nem sei direito o que falar. Você sabe que nós estamos com problemas, né?
- Sim, claro. Até conversei com o vice-presidente antes de sair de férias porque eu acho que posso fazer mais pela empresa se tiver mais atribuições do que atualmente.
- Pois é. É sobre isso que quero falar com você. É que me pegaram de surpresa, eu também não esperava por isso e...
- Putz... Já entendi...
- Desculpa cara. Eu nem sei te dizer o porque. Só sei que serão vários cortes ainda e nem sei se eu também não estou no meio.
- Desencana. Se isso acontecer, não esquece de apagar a luz.
- Queria que fosse assim. Mas espero que você consiga se recolocar logo e em um lugar melhor.

Bom, voltar de férias e descobrir que você está de férias não remuneradas indefinidamente... Não tem preço.

Juntei as minhas coisas e após as despedidas de praxe, voltei para casa para pensar no que fazer. Tenho um projeto incabado que talvez possa alavancar agora.
Duvido que eu consiga me recolocar rapidamente desta vez. Vou ter que encontrar algo que possa me sustentar durante esse tempo. Ou quem sabe eu já esteja preparado para seguir uma carreira solo.

Sempre quis ter uma empresa, mas nunca me senti empreendedor. Falhei miseravelmente em algumas tentativas e uma delas era bem recente. Faltou mais grana que outros fatores, mas mesmo assim foi um fracasso.

Fiz a via sacra dos recém desempregados: Me cadastrei em todos os sites de currículos gratuitos. Alguns eu já utilizo, só atualizei as informações. Agora tenho disponibilidade imediata.

Em menos de um mês, esgotaram todas as vagas disponíveis, para algumas eu já tinha enviado dois ou três currículos. Então, como nenhuma entrevista apareceu, resolvi analisar as outras possibilidades.

Nesse meio tempo, um amigo fotógrafo me liga e sugere uma parceria. Excelente. Mais uma opção e esta talvez seja a que tem o retorno mais rápido.


Ooh, Workin' for a livin'
Ooh, taking what they giving
Ooh, Workin' for a livin'
Ooh, ooh

Bus boy, bartender, ladies of the night
Grease monkey, ex-junky, winner of the fight
Walking on the streets its really all the same
selling souls, rock n' roll, any other day


As opções estão na mesa. Só que eu não tenho tempo para testar, não tenho grana suficiente para errar. Só tenho uma tentativa. Nesse caso só tenho uma alternativa.

Tentar todas ao mesmo tempo.

Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin', livin' and workin'
I'm taking what they giving 'cause I'm working for a livin'.

Workin' for a livin', livin' and workin'
I'm taking what they giving 'cause I'm working for a livin'.
Workin' for a livin', livin' and workin'