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Prepare-se para entrar em uma zona...: Fevereiro 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Dentes... Pra quê te quero?!?

Já faz um bom tempo que os meus sisos nasceram. Ou melhor, os superiores nasceram e os inferiores fizeram um serviço digno da atual administração deste nosso País. Além de não nascerem completamente, ficaram na horizontal.

Os superiores extraí faz tempo, foi uma extração simples. Basicamente um empurrãozinho aqui, outro ali, um "crec" pra cá e dois pra lá... Um puxão e lá se foi um deles.

Depois de uns dias, foi-se o do outro lado. Quase a mesma coisa, acho que foi até mais simples. Mas aí chegou a vez desses inferiores.

-Bom, esses aqui vai ser mais complicado.
-Como assim?
-Vai ser preciso cirurgia. Aí é melhor fazer com a minha esposa. Lá no consultório dela é mais equipado e ela é especialista.
-Credo. Cirurgia?!?
-É. Mas é rotineiro. Não é um bicho de sete cabeças, só que eu nãofaço esse tipo de extração.

Bom, o dentista é meu amigo e lá fui eu fazer a avaliação com a esposa dele. Radiografia dos dois lados, panorâmica, etc,etc.

-É. Tão bem de lado.
-Muito complicado?
-Aparentemente não, mas não dá para dizer antes de abrir porque às vezes, na radiografia aparece tudo bonitinho mas quando abrimos a gengiva é uma complicação só. (excelente explicação!)
-Sei... E quanto fica isso?
-R$250,00
Achei caro, mas comecei a pensar que eram dois dentes e tal, e ela completou:
-...cada um.

Putz! 500 pilas para tirar esses &$*&@&# de dentes do siso? Nem a pau!
-Bom, eu vou pensar porque é meio caro...
-É preço padrão para esse tipo de cirurgia, mas se ajuda eu posso fazer em duas vezes.
-Tá. Vou pensar.

E fiquei pensando pelos próximos 6 ou 7 anos.

Aí, a coisa começou a incomodar porque esses bichos empurram os outros dentes e às vezes toda a arcada fica dolorida. Descobri uma rede chamada Sorridents que faz todos os procedimentos e ainda parcelam em várias vezes. Como são franquia, acabam com um preço mais em conta.

Fui lá porque a gengiva superior inchou e ficou muito dolorida. Com receio de ser uma gengivite ou algo assim, marquei uma avaliação.

Não sei como são as outras clínicas, mas a dentista que fez a minha avaliação é muito bonita. Isso, de alguma forma, ajuda bastante. Ela receitou um antibiótico e pediu retorno depois para fazer uma limpeza e já identificou de cara duas coisas: Os sisos e a falta de aparelho nos meus dentes.

-Então você toma esse antibiótio para cessar essa inflamação e depois volta.
-Ok.
-E você precisa tirar esses sisos, você sabe né?
-...Hmmmm.É, eu sei.
-E aparelho? Nunca pensou em usar? Dá para deixar os seus dentes direitinho.
-Ah, já usei um tempo,mas depois parei no meio e nunca mais voltei a usar. Já os sisos, esses tem incomodado mesmo.

Ela já me encaminhou à ortodontista (também uma moça muito bonita. O que acontece com as dentistas desse lugar??) Ela fez toda a avaliação, indicou que seria preciso extrair mais 4 dentes, ou fazer uma cirurgia maxi-bucal para corrigir a posição do maxilar inferior, mas essa teria que ser em um hospital mesmo. Eu heim?

Bom, tive que fazer uma radiografia panorâmica nesse meio tempo que serviria tanto para verificar se houve algum dano na raiz do dente por causa da inlfamação, como também para a ortodontia e a extração do siso.

No retorno, fiz a limpeza e já agendei a extração do siso. Na sexta feira antes do carnaval, assim teria tempo para me recuperar, já que eu previa que precisaria cortar o osso para liberar o dente e isso deveria doer pacas depois.

No dia fatídio tudo ia bem, não fosse um porém. Eu tenho um pavor incontrolável de agulha. Qualquer uma. Até para pregar botão em camisa eu suo frio. Mas fui tentando me "auto-convencer-me-a-mim-mesmo" durante o caminho de que essa fobia não existia.

E olha, vou te dizer. Não estava adiantando nada.

Sentado na sala de espera, fiz as minhas últimas tentativas, mentalizei a agulha, imaginei ela chegando e... Parei porque estava piorando tudo. Finalmente a dentista me chama.

Agora todo mundo vai achar que, ou estou mentindo ou então preciso desesperadamente de uma companhia feminina, mas ela também é bonita! Isso pra falar a verdade ajuda demais, porque já imaginou, você encarando uma fobia e ainda por cima aparece um rascunho do inferno feito a lápis com ponta solta para ter tratar??

E também, porque o instinto diz que você não pode dar vexame na frente de mulher bonita (feia pode).

Como é de praxe avise a ela da minha fobia, mas ela é super tranquila e isso passou uma segurança muito grande.

-Bom, estou vendo aqui na sua radiografia que eles estão bem deitados.
-É, mas eu queria tirar os dois hoje.
-Os dois? Eu acho que é melhor tirar um lado de cada vez, senão como você vai comer?
-Ah, de qualquer jeito eu vou ter que apelar para sopas, né? Então achei que seria melhor fazer tudo de uma vez só, ainda mais por causa desse med absurdo de agulha que eu tenho.
-Entendi. Mas vamos fazer assim. Vou tirar um só. Depois, se você estiver legal, tranquilo, tiramos o outro.
-Ok. Pode ser.

E lá fomos nós. Uma assistente acompanhava a dentista, do outro lado da cadeira. Basicamente para impedir que ficasse muito líquido acumulado na boca.

A cadeira começou a deitar e eu respirei fundo.

-Tudo bem?
-Sim.
-Então vamos começar. Essa pasta é um anestésico tópico. você nem vai sentir a picada da agulha.
-Hmm,hmm.
-Ok. É rapidinho e você vai sentir um formigamento.

Ela aplicou um pouco e esperou o anestésico agir e só então aplicou o restante. Foi bem tranquilo, apesar de eu ter a impressão que fiquei até sem respirar até ela terminar de anestesiar tudo.

Daí metade da minha boca começou a ficar dormente, mais precisamente o maxilar inferior e só do lado direito da boca.

A extração começou bem. Ela ia explicando os passos e a essa altura já não estava mais tão nervoso. Pelo menos eu acho que não.

Cortou a coroa e avisou "você vai sentir um pouco de pressão e vai ouvir um "crec", ok?"

E lá se foi um pedaço do dente.
Maravilha. Se for assim, tiro os dois hoje mesmo, pensei confiante.

Mas aí ela começou a tirar a raiz.
-Hmmm. Eu vou ter que abrir mais um pouco. Vou usar a broca bem de leve para você não sentir muito a vibração, ok?
Eu não conseguia responder nada, mas estava confiante que não seria muito demorado.

Mas aí ela empurrava e nada. Mais broca, empurrava e nada.
-Não é possível que isto ainda seja osso.
Broca, broca. Empurra, puxa e nada.

Volta a broca. Empurra e dessa vez eu ouvi um "crec" e pensei: "beleza, acabou! vamos para o outro lado".

E ela disse:
-Certo. Agora só falta a outra metade da raiz.

Aí eu pensei, quantas raízes tem essa porcaria afinal? Todo mundo fala que esses dentes do siso não prestam, que cariam à tôa, são fracos... Bom, não tava parecendo nada fraco não. Era mais uma mistura de Exterminador do Futuro com Duro de Matar.

-Hmmm... Esse pedaço vou tirar tudo na broca. Não vai sair.

E dá-lhe broca! Ainda bem que a minha fobia é da agulha, porque se fosse da broca ou do barulho do motorzinho...

Finalmente, um siso a menos. Feitos os pontos, finalmente pude fecha a boca. Foram só 2h com ela aberta e eu quase esqueci como se faz para fechá-la. Na hora, apesar de estar com os músculos da boca bem cansados, ainda achava que iríamos tirar o outro. Mas antes que eu fizesse qualquer insinuação a esse respeito ela disse:
-Olha, mesmo que você queira eu não vou retirar o outro dente hoje. Foi preciso mexer demais nesse aí e a possibilidade de ficar inchado é muito grande. Se eu fosse imprudente a ponto de extrair o outro lado também, você acabaria ficando com os dois lados tão inchados que não seria possível nem mesmo beber água.

Eu me sentia bem, sem dor, mas meio desgastado. Concordei imediatamente com ela.

Ela me deu uma dose de paracetamol, para prevenir a dor. Me deu a receita com os outros remédios que eu deveria tomar, compressas de gelo, repouso, nada quente, etc,etc.

Me deu também o telefone dela, caso eu tivesse alguma complicação ou dúvida. (Ok, ok. Sem piadinhas. Foi puramente profissional).

Comprei os remédios, voltei pra casa, peguei gelo para fazer as compressas e fiquei de cama. Depois de uns 30 ou 40 minutos, com a tv ligada e sem prestar muita atenção nela, veio um lampejo de lembrança.
Era a dentista dizendo algo sobre já tomar um dos remédios logo que chegasse em casa, algo sobre o paracetamol, remédio à base de cortisona...

E agora? Qual será? Comecei a olhar o monte de caixinhas em cima do criado mudo e aí a realidade me acertou feito um tiro.

O local da extração começou a doer e estava aumentando rápido. Fui ver a receita. Paracetamol deve resolver. CARACA! Era para ter comprado o de comprimido. Esqueci.

Deixa ver o que tem aqui (e a dor aumentando)... Só tem infantil! Vai ter que servir. Mas aí, antes que eu conseguisse pegar uma dose, a dor ficou insuportável e eu mal consegui tirar o frasco da caixa.

Vendo que eu estava com algum problema minha mãe imediatamente veio e fez a única coisa que seria possível fazer naquela situação:
-O que você tá procurando?

Eu não consguia nem pensar quem dirá responder algo. Reunindo o que me restava de controle, comecei a bater com o dedo na caixa e tentei (em vão) tirar o frasco dela.

-Você quer o quê? Paracetamol? Mas isso é para criança, não é muito fraco?

Sim. A minha mãe escolhe sempre os melhores momentos para discutir os assuntos mais relevantes.

-Ah, deixa eu pegar o meu óculos. Porque aqui tem um remédio que o seu pai tomou quando fez os implantes dentrários dele. Deixa eu ver... (calmamente vasculhando o armário) É esse aqui, ó. Lisador. Não é para você tomar esse aqui?

A essa altura eu já estava tentando tomar o paracetamol com a caixa e tudo mesmo, só não consegui porque era impossível abrir a boca. A dor era insuportável. Eu peguei a caixa e comecei a agitá-la para ver se caía o frasco de dentro.

-Você quer esse aqui mesmo? Mas cadê a receita? Ah, aqui tá falando que é o de comprimido, cadê o comprimido, você comprou?

Eu balbuciei algo como "Nãããã~...". quem sabe ela entenderia que eu queria aquele porque não tinha o comprimido.

-Não? Mas porque não comprou? Eu vou lá comprar então.

-HMMhHnmMMHHmh mh MHMHMHMMHmhmMHMHMHmhmhmhhmhhmMHM!
-Ah, tá bom. vou dar esse aqui então. Quantas gotas?
-HHHHHHMMMUMMMMMUMMMMMMMMFMMHMMHMMMHM
-Pronto tá aqui.

Eu nem lembro como eu fiz para beber, mas logo em seguida a dor começou a diminuir.

E voltei a pôr gelo. Minha mãe foi comprar os comprimidos mesmo assim. Mas a dor mesmo, já estava passando.

Fiquei o carnaval todo praticamente de cama e tomando sopa. PAra não ficar só nisso fiz gelatina. Ou melhor, ia fazer mas minha mãe acho que eu estava dopado demais para operar o fogão.

É, um siso e 4 Kg a menos!


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Putz! Viajei - Final

Já para voltar a tarefa seria fácil. Ou melhor, achamos que seria.

Brasília é toda planejada e por esse motivo fizeram as ruas de tal forma que não há cruzamentos lá. Uma ou outra rua nas áreas residenciais ainda contam com pequenas rotatórias, mas cruzamento, não vi nenhum.

O restante é como em qualquer lugar: ruas com uma, duas ou mais faixas, pontes, acessos, retornos. E aí fui vendo o mapinha e seguindo a rua. Infelizmente ainda não fizeram o e-paper, então não teve como dar um zoom no mapa para ver com mais detalhes.

E por isso não sabia exatamente onde era o acesso, mas seguindo a lógica o acesso seria à direita e depois de subir a ponte teríamos que fazer um pequeno retorno, descendo pela rampa novamente e finalmente subindo a rampa oposta à primeira para ficar no sentido certo. Até já estávamos na pista da direita (eram 3) para pegar o acesso.

Estranhamente mal termino esse raciocínio e vejo uma placa do outro lado indicando o acesso à esquerda.
-Ué? A placa tá indicando o acesso pra lá.
-Pra lá onde?
-Esquece, já passou. Deixa ver o que faremos agora.

Nesse momento meu pai tem um insight: já que era para virar à esquerda lá, vamos virar na próxima e voltar um pouco.

O único problema é que eu já estava imaginando que se o acesso estava à esquerda, algo mais lá em cima deveria ser diferente também. Mas eu ainda estava olhando o guia, onde uma avenida com 3 pistas para vir e outras 3 para voltar e mais uma ilhota dividindo as duas vias tem cerca de 3 milímitros de largura, quando resolvi olhar para a rua e buscar alguma referência visual, como um lago de 2Km de raio que deveria aparecer como uma modeinha de 10 centavos no guia.

E vi que estávamos entrando em alguma rua à esquerda e subindo sei lá pra onde.
Como já era de se imaginar, as regras que estamos habituados aqui em SP não se aplicam lá e obviamente não deu para voltar e pegar o acesso, porque não era um retorno mas uma rua que ia para outro lado da cidade.

-Beleeeeza! Deixa ver onde estamos.

Olhei o guia e aparentemente deveríamos ver uma rua à esquerda, mas onde estávamos era uma reta só. Acabmos voltando para perto dos Ministérios, mas pelo menos era uma área conhecida.

Fizemos um pedaço do caminho que conhecíamos e tentamos voltar para onde o acesso deveria acabar. Só que lá, com essa história de não ter cruzamentos e blá,blá,blá, o lugar fica parecendo uma medusa de ruas cada uma vindo ou indo para um lugar diferente.

Duas voltas na medusa depois, já conhecíamos todos os acessos e aí não teve como errar. Depois disso foi fácil andar por lá.

No dia seguinte, certos de que já tínhamos entendido como funciona a malha viária de Brasília, fomos fazer outros passeios. Visitamos o Palácio do Itamaraty, que é uma construção no mínimo espantosa.

Lá temos o maior vão livre interno do mundo (o do MASP é externo)e uma coleção de obras de arte fantástica. Bastante eclética, misturam-se pelos andares do palácio, esculturas modernas, barrocas, mobiliário antigo, tapeçarias e até um teto com uma gravura muito intrigante. Bom, ter um teto de alguma coisa lá dentro já deveria por si só, ser deveras intrigante, mas essa gravura tem um tema pagão e não cristão.

Foi encontrada no teto de um galpão que servia como casa de festas, foi recuperado e está lá pendurado em uma das salas de jantar.

As visitas são sempre monitoradas e duram cerca de 1h.

Aí chega a hora do almoço e ninguém conhecia lugar nenhum para comer. Como ninguém estava com vontade de ir a McDonald´s (ir até lá para comer no Mc, ninguém merece) resolvemor ir ao único lugar que conhecíamos, o Mangai!

-Beleza. E onde fica?
-Ah, acho que fomos praquele lado.
-Será?!? Não lembro de termos passado por aqui.

Como nesse dia estávamos sozinhos, fomos com o pouco que a memória tinha guardado do caminho. E achamos uma parte dele, mas aí todas as entradas ficam iguais e é difícil saber qual é a certa.

Entramos em uma delas e no lugar do Mangai apareceu um telhado de sapê.
-Não é aqui. Vamos voltar.
-Acho melhor seguir em frente.
-Não,não. É mais para cima.

Resumindo, ninguém fazia a menor idéia de onde estávamos. Rodamos mais algumas quadras, mas quando não achamos tentamos voltar ao ponto inicial e passamos de novo em frente ao telhado de sapê. Resolvemos ver o que era aquilo.

É um restaurante chamado Oca da Tribo. É vegetariano, e self service, ou seja, paga uma vez e come quanto aguentar.

-Afe! Vegetariano? Não é melhor procurar um restaurante convencional?
- Ah, mas nós também servimos carnes- explicou o màitre - Só que são cobradas à parte.

Isso é uma boa sacada. Às vezes você tem um amigo vegetariano (ou alguém que curte cozinha vegetariana às vezes) e nunca o(a) acompanha porque não quer comer só vegetais. Lá não tem desculpa.

O buffet é bem servido. Pulei a parte das saladas (já que era vegetariano, não ia fazer diferença) e fui ver o que tinha de pratos quentes. Peguei arroz, um belisquete de beringela com ricota, moqueca de banana e banana caramelizada com queijo. Peguei mais alguma coisa com castanhas, mas não faço a menor ideia do que era.

Mas estava tudo muito bom. A moqueca é impressionante, uma delícia! nunca pensei que cozinha vegetariana pudesse ser gostosa.

Voltamos para casa no fim do dia e nos dias seguintes eu preferi deixar meus pais saírem sozinhos para passear. Fiquei com as pequenas na beira da piscina. hehehe.

No dia que voltamos para casa, fizemos um pequeno desvio até Guaíra para visitar um tio meu e dormimos por lá. É engraçado ver que, a cidade é típica dessas cidadezinhas do interior. Bem calma, com pessoas sentadas na calçada conversando à tarde, ou na pracinha. E é até bem estruturada porque tem um grande lago lá com ciclovia e pista de corrida.

Mas o que me deixou meio chateado foi ver que os moleques de lá também tem a mania de se juntar em algum canto, abrir as portas do carro (inclusive as do porta-malas) e ligar o som a todo o volume. Isso com espaços entre eles de cerca de 2m e cada um tocando um som diferente e nenhum que prestasse. Pensei que essas babaquices só acontecessem por aqui.

Mas enfim, não chega a denegrir a cidade.

E por fim, voltamos para casa para curtir o restante das férias.