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Prepare-se para entrar em uma zona...: 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Show do Paul - Final

A segunda-feira começa bem. Alguns detalhes de um job que precisavam ser definidos, mas aparentemente eu conseguiria sair a tempo de ir ao show. Eu calculei que saindo às 15h, teria tempo suficiente, mesmo com trânsito, para chegar a um ponto de estacionamento alternativo e ainda ir a pé até o estádio. Mas para isso, eu teria que deixar tudo pronto. Não prejudicaria um job para ir ao show. Sendo um show do Paul McCartney eu agonizaria algumas horas em lamentações infindáveis e teria acessos de fúria, mas terminaria o job.

Felizmente não foi preciso. Meu cliente é muito exigente, e tem um perfil muito inovador o que torna qualquer trabalho simples, em uma epopéia. É bom trabalhar com ele, porque seus limites são ampliados e você é jogado alguns anos à frente de tudo que está fazendo até o momento. O lado bom é que ele também é muito prático e economizamos tempo dessa forma. E, no meu caso particularmente, não precisei abrir mão do show.

Assim, deixei tudo organizado e quando o relógio anunciou 15h eu já estava dentro do carro, com a porta da garagem abrindo. E lá fui eu em direção ao estádio, com o meu mapinha no banco do passageiro. Eu preciso visualizar as coisas para entendê-las, talvez seja um reflexo da abstinência literária causada por Machado e cia, mas o fato é que vendo o mapa eu consigo me localizar em qualquer lugar. Se levar somente as anotações do caminho, invariavelmente me perderei pelo caminho.

E ficar perdido não é uma ba opção quando se quer chegar cedo em algum lugar. Tudo ia bem, até que, 15 minutos depois de sair de casa, tudo parou. O trânsito estava horrivel de uma forma que eu não conseguia me recordar de outra situação pior. Com muito esforço e lentidão cheguei a um ponto onde poderia pegar um caminho alternativo e assim o fiz, esprando que ao menos estivesse "menos pior" do que onde estava. Melhorou um pouco mas não durou muito. A continuação desse caminho estreita de 3 para 2 pistas e nesse ponto, tudo voltou à velocidade zero.

Eu já tinha perdido uma hora e meia para chegar até ali, num percurso que não deveria levar mais que 40 minutos. Comecei a estudar o mapa e procurar por alternativas. Virei à direita em uma travessa e novamente à direita em uma rua paralela, que estava andando e me levaria de volta ao percurso orginalmente traçado. Mas para minha infelicidade, uma quadra antes de chegar à avenida que eu precisava pegar, a rua se torna contra-mão. Só naquela quadra e acabei voltando para o mesmo lugar.

Nova tentativa e dessa vez, sucesso. Ali já era a Av. Faria Lima e, para variar, estava completamente parada. A faixa que ia para o túnel andava um pouco e minha esperança era que esse trânsito melhorasse quando eu chegasse lá. Mas foi nesse lenga-lenga até chegar perto do estádio. Eu passei em frente ao hospital onde pretendia deixar o carro, mas naquele momento já eram quase 18h e decidi ir em frente assim mesmo.

Chegando lá encontrei um estacionamento por módicos R$100,00, mas considerando que já eram 18:15h resolvi ficar por lá mesmo. E a vaga ainda era na parede, o que significava que aquilo ainda iria encher de carros.
"Os carros só ao liberados no fim do show", avisou o dono do estacionamento enaquanto me dava o tíquete do estacionamento.

O estacionamento ficava bem em frente do portão onde eu entraria. Chegando pela segunda vez no balcão, fiquei surpreso de ver que, ao contrário do domingo, não havia fila nenhuma para entrar.
-Agora estou no dia certo?
-Ah, agora sim!- disse uma delas enquanto checava o número do meu convite, enquanto uma outra completou:
-Eu falei que ia te passar na frente, mas olha só! Hoje não tem nem fila!
-Relaxa! O importante é que eu estou aqui!

E finalmente recebi a pulseira, cinza desta vez (a do domingo era vermelha e mais bonita)e o ingresso. Passei a revista com um PM que só falava inglês e confesso que até demorei a perceber isso. Entrei e vi que haviam algumas bancas com camistas e pôsteres do show para vender. As coisas iam de R$15,00 a R$45,00. Achei até barato por ser memorabilia de um show como esse e fiquei pensando se levaria uma camiseta ou um pôster. No show do Clapton eu voltei sem nada, mas os preços eram exorbitantes. Fazendo uma comparação, seria algo como R$80,00 por uma bandana silkada em uma cor só com o filigrama "EC".

Mas resolvi entrar e dependendo de como fosse o esquema lá dentro eu sairia de novo para comprar algo. E antes de chegar ao camarote, tinha fila. Que estava parada e ninguém sabia exatamente o porquê. Enquanto isso, vi que na minha frente havia uma senhora e 3 adolescentes, duas garotas e um rapaz. Julguei que as duas eram filhas e o rapaz namorado de uma delas, e estavam discutindo algo a respeito de valores.

O rapaz foi tirar satisfação com alguém enquanto ficamos na fila e me perguntaram quanto eu tinha pago no meu ingresso.
-Eu ganhei o meu.
-Ah, então tá certo. É que nós pagamos um valor bem maior do que está escrito aqui atrás.

Aí eu vi que no verso do ingresso estava escrito R$140,00 enquanto que eu tinha visto a venda do camarote por R$1.500,00.
-É, foi isso mesmo que nós pagamos! deve ter gente ganhano muito em cima disso. Porque não colocam o valor real?

Eu também não entendi. Poderiam deixar sem valor algum, mas enfim, finalmente liberaram a nossa entrada. E uma nova fila se formou na entrada do camarote. E um segurança avisava que "quem já tinha pego a camiseta, poderia entrar direto".
-Opa! Vamos ganhar uma camiseta?
-Pelo jeito sim- disse um rapaz da fila que tinha um sotaque que me lembrou o pessoal do Mato Grosso - se eu soubesse não tinha pago R$80,00 nessa aqui, lá fora.
-R$80,00?! Mas eu vi na banquinha ali do corredor por R$40,00!
-Pois é. Eu já tava meio chateado, agora então, só na hora que começar o show mesmo!

É, estava perto. E a única coisa que me chateava era que eu estava sozinho lá. Mas isso não importava. Eu ia curtir o show de qualquer jeito. E quando entramos eu vi, primeiro uma área envidraçada do Jacques Janine e não entendi nada. Tinha umas moças lá fazendo alguma coisa no cabelo, mas se era demonstração ou se era para uso dos que estavam lá, eu não sei.

Logo depois tem uma rampa e lá fica o hall com sofás e grandes pufes retangulares que faziam as vezes de mesa, enquanto ninguém resolvesse acomodar suas regiões glúteas por lá. Dois buffets com comidas diversas. Muitos tipos de pães e mini sanduíches, mas também tinha coisas que eu não fazia a menor ideia do que era, como um tipo de queijo que ficava sobre um desses queimadores de álcool, do tipo que usamos para fazer fondue, e você pegava um pedaço dele aquecido, praticamente um creme e comia em uma dessas casquinhas de massa crocante.

Tinha um bar para bebidas em geral, mais 3 quiosques; um da Bacardi, outro da Amarula e outro da Smirnoff; que serviam drinks. Como não bebo nada alcoólico tive que passar batido.

Sentei em uma poltrona bem confortável num canto da sala, mas achei ruim porque tinha um vidro na minha frente. Que graça tem ver o show daqui?! Estiquei o pescoço e lá estavam as cadeiras da arquibancada. Fui pra lá e, apesar de ter uma cobertura naquela área, pelo menos 3 fileiras da beirada estavam molhadas. E tinha uma senhora secando com um pano e aproveitei para me instalar em uma delas.

Tinha achado um lugar muito bom. Logo um casal se acomodou à minha esquerda e eram muito simpáticos. Eram mais velhos, mas com uma jovialidade ímpar. À minha direita ficaram dois caras. Um era magro e grisalho e o outro o extremo oposto. Alto e corpulento, mas muito divertido. Este vivia sumindo porque estava explorando o lugar e eis que numa dessas ele volta com uma sacola cheia de coisas, inclusive um pôster.
-Olha só que legal! Nesse pôster tem um espaço vazio embaixo. Aí você pode mandar enquadrar e aqui colocar o ingresso e do lado a pulseira! É o que eu vou fazer! Vai lá também, compra um para fazer isso que fica legal! Olha, não precisa sair até lá fora não. No corredor, vira à esquerda e fala com um pessoal da TAM que eles te deixam passar e ali tem uma banquinha que vende essas coisas. É bem mais perto.

O casal que estava ao meu lado era muito gentil e se ofereceu para guardar meu lugar caso eu quisesse ir lá pegar comida ou bebidas. Eu aproveitei algumas vezes para pegar algo para comer e peguei uma coca-cola. Não aguentei e fui ver os pôsteres. Tinha um grande, bem legal, e outros dois menores que mais pareciam postais. Além das camisetas, tinha chaveiro e uma coisa que eu não tinha visto ainda, uma espécie de credencial plastificada do show, com correntinha e tudo.

Mas comprei o pôster mesmo e voltei. Ficou meio incômodo, e até devo ter atrapalhado um pouco o pessoal do meu lado com a sacola, mas valeu a pena.

Aproveitei o tempo que ainda tinha para o show para ver as pessoas na chuva e escutar todas as canções do Creedance que tinham "rain" na letra, especialmente "Who´ll stop the rain" que tocou pelo menos 5 vezes.

Mas o que parou a chuva foi o Sir Paul McCartney pisar no palco e dizer: "Tudo bem, na chuva?" - e com a cabeça meio de lado - "Chove, chuva".

E aí foi só curtição. Ele abriu o show com Magical Mystical Tour e emendou Jet seguido por All My Loving. O show todo segue em um ritmo impressionante, são 3h de show e parecia que tinha começado aquela hora. O cara não para nem para beber água.

Algumas coisas eu já esperava, como os fogos de artifício em Live and Let Die, mas não imaginava que seriam tantos e nem tantas vezes como foi feito nessa apresentação!

E sem contar a emoção do momento em que ele pega o violão Martin, e toca os primeiros acordes de Blackbird. Fiquei mais feliz ainda por não ter visto a versão retalhada com colher da Globo, porque ali tudo foi surpresa. Inclusive os dois "bis". No total foram 6 músicas a mais.

Indescritível! As horas passaram como se fossem minutos. O Sir Paul McCartney não para nem para (nota:estão vendo a desgraça que a deforma ortográfica faz?) tomar água. Quando ele sai do palco a primeira vez, sabemos que ele voltará. Mas a segunda foi realmente animal!

Quando o Paul diz: "Agora, temos que ir embora!" bate a sensação do "fim do show". E você aplaude o quanto pode e observa a banda sair do palco e as luzes coloridas se apagarem. A iluminação geral acende para que todos possam sair do estádio e você vê aquela multidão esvaziando a pista.

Fiquei na sala vip por uns minutos, comi algumas coisas por lá e aproveitei para pegar uma coca-cola para levar. Afinal, meu carro estava no fundo e demoraria até eu poder sair.

Tive que colocar a coca-cola num copo porque não era permitido sair com a lata de lá, mas sem problema, tomei um pouco lá e levei o resto que tomei enquanto observava o rio de gente que se formou na saída do estádio.

Até que foi rápido, logo a Giovanni Gronchi começou a esvaziar. Os carros que estavam na minha frente saíram e eu voltei ao meu. Mas quando saí com o carro na rua, percebi que ainda tinha muita gente andando, literalmente, no meio da rua. Devagar e sempre, consegui sair do estacionamento sem passar em cima de ninguém. E escolhi ir à esquerda, já que seria o melhor caminho para mim.

Mas mal comecei a andar, vi que a Giovanni estava bloqueada e só tinha uma rua à esquerda que eu poderia pegar. E essa rua, fui descobrir depois de uns 40 minutos de anda e para, sai na Giovanni. Poucos metros à direita de onde fica o estacionamento onde eu estava.

Se a Companhia de Engarrafamento de Tráfego tivesso colocado uma placa nos cavaletes que estavam na Giovanni, dizendo que o sentido era à direita eu não teria perdido 40 minutos dando uma volta que não resolveu nada. Mas enfim. Caminho certo, mas tudo parado devido ao volume.

Vi um casal de adolescentes passar meio desesperados e o comentário das pessoas que estavam a pé (curiosamente a mesma velocidade que eu, de carro) era de que eles tinham sido assaltados.

Fora isso, não vi nada de anormal. VOltei traquilamente para casa e tratei de guardar muito bem os ítens que mandaria enquadrar depois. Sim! Segui o conselho do Jô (baterista da www.Hocuspocus.art.br) e mandei enquadrar. Agora enquanto escrevo estas linhas, posso olhar para o poster, que fixei logo acima da minha mesa.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Show do Paul - 3

Depois de um belo passeio de micro-ônibus, fui avisado pela moça que serve de cobradora e também informa os pontos aos passageiros de que eu deveria descer no próximo. A poucos metros dali fica a estação Clínicas. Baldeção na Sé e agora só faltava chegar ao Tatuapé. Dali era só pegar um ônibus e eu estaria na casa do meu primo.

Mas que ônibus? Esqueci qual era o nome e também nem sabia se teria torpedos para madnar um SMS a ele. Os créditos já tinham se esgotado quando os procurava na fila. Tinha que arriscar ou então andar mais cerca de uma hora até, quem sabe, chegar à casa dele. Arrisquei e por sorte ainda tinha torpedos disponíveis. Agora era torcer para que ele não estivesse no meio da maior zona e não visse o recado. Era quase hora de começar o show.

No metrô, enquanto esperava por uma resposta que nem sabia se viria, fiquei pensando que o show logo começaria e eles estariam lá vibrando com toda aquela platéia que ficou dias na fila e eu, bem, eu estava lá no metrô tentando voltar para casa. Esse é o tipo de momento em que eu entendo o Charlie Brown e a frase "Que puxa..." passa a fazer sentido.

Sempre achei que com todas as coisas que aconteciam a ele, a frase deveria ser mais furiosa, como "DROGA!" ou "MALDIÇÃO" ou como diria o velho Steve Austin, "Diabos"! Mas não. Ele vinha sempre com aquele "que puxa..." e eu nem sei qual é a frase verdadeira. Deve ser tão besta quanto isso, meio sem sentido, como se ele estivesse aceitando cada um dos fracassos. E na real, é isso mesmo. São essas situações vexaminosas e que não temos como arrumar, sequer dá para deixar "menos pior".

Eu, ali, estava curtindo um momento "que puxa..." quando ouço o celular apitar. Recado! Beleza! Ele viu a mensagem e já respondeu com o que eu precisava saber. Bom, aí foi só encontrar o dito cujo, que para facilitar sai da praça Silvio Romero, que àquela hora mais parecia um recanto da antiga Romênia, naqueles vilarejos sem luz, onde Drácula ia buscar sua vítimas.

Felizmente, o ônibus estava lá e de partida. Ainda consegui encontrar um lugar para sentar. Fui com uma garotinha de uns 7 anos de idade como companheira de viagem. acho que os pais e irmãos ocuparam assentos do outro lado do ônibus e por isso ela preferiu ficar no corredor. Melhor, assim eu poderia ver onde estava para poder escolher o ponto.

Andei poucos metros e peguei o molho de chaves para procurar qual era a do portão menor. Agora era só achar a chave da sala para pegar a chave do carro e os meus documentos. Beleza. Tudo confere. Agora é só abrir o ferrolho e já posso ir. Foi muito fácil, o ferrolho tem duas peças e se abre com uma chave tetra. Tirei o carro e fui fechar o portão. Ainda consegui um esquema para deixar o molho de chaves debaixo do capacho. Tudo certo. Mas quem disse que a tranca fechava?

Eu achei que as das peças precisavam da chave para abrir, mas que para fechar era só encaixar uma na outra. Por algum motivo, não estava funcionando. Como tinha deixado tudo apagado, foi meio complicado achar de novo a chave tetra, mas só tinha duas chaves desse tipo no molho e a outra tinha um formato diferente e era amarela enquanto a chave do ferrolho era prateada. Peguei a prateada e fui tentando achar a posição certa. Entrou e eu girei. Quer dizer, tentei girar porque ela não cedeu.

Retirei a chave e procurei por outra posição e concluí que era aquela mesmo. Daí tentei de novo e pareceu que estava girando. Como não tinha a outra peça encaixada, estava mais leve, claro. Então posicionei as duas peças e girei a chave de novo para que o trinco interno se abrisse e pudesse encaixar as duas peças. E aí a chave fez TLEC e saiu na minha mão enquanto todo o resto, que estava apoiado nela, caía no chão.

Voltei para dentro da casa com aquele trambolho para ver o que eu tinha feito errado e ao acender a luz, olhei para o molho de chaves e percebi que ali haviam três chaves tetra. Duas prateadas inclusive. Quer dizer, naquele momento só havia uma chave e meia prateada.

Pronto! Só faltava eu ter que ficar lá até o pessoal voltar de madrugada porque não tinha como fechar o portão! Mas a ponta da chave que quebrou estava com uma beiradinha para fora. Procurei um cortador de unha que tinha visto por lá e com ele consegui tirar a ponta quebrada de dentro do miolo. Para não dar mais chabu, deixei a chave certa no miolo elá fui eu de novo. Fechei o ferrolho, chave embaixo do capacho e finalmente indo para casa.

Chegando em casa, fui procurar algo para comer e vi que minha mãe tinha deixado um bilhete dizendo que havia esfihas e kare-pan (um pão recheado com Karê, um prato feito à base de curry) na geladeira. Peguei um de cada e um copo de suco e liguei a tv. Enquanto procurava algo para ver, lembrei que a Globo transmitiria o show com uma hora de atraso, então fui procurar a Globo.

Peguei bem no comecinho de uma música, assim que essa acabou vejo que há um corte. Claro que a Globo ia tesourar o show. Ficou uma droga. Edição bem mal-feita, coisa da Globo mesmo que dá atenção para o Big Brother e outras tranqueiras. Vi só o suficiente para acabar de comer (e rápido) e desliguei a tv. Nessas horas lembro porque na minha tv não tem nenhum canal aberto. Tiro todos.

Mas amanhã seria um novo dia e eu só precisava dar um jeito de resolver tudo até o meio-dia para poder sair cedo de casa e chegar ao Estádio ou em algum ponto alternativo de estacionamento.


sábado, 27 de novembro de 2010

O Show do Paul - 2

A expectativa era enorme. Uma oportunidade única para a qual eu já havia me preparado para ver passar longe, estava sendo entregue às minhas mãos. O que fazer? Só me restava aguardar, já que as regras diziam que seríamos todos contatados pela organização do concurso.

Mas a ansiedade não deixava. O show era dali a poucos dias. 4 para ser exato e eu imaginava como o convite seria entregue. Correio era muito arriscado, poderia extraviar. A melhor solução, e também mais rápida, seria entrega por motoboy ou algum serviço de entregas. Mandei um e-mail à organização do concurso para saber como seriam entregues os convites.

Fui informado que seria contatado por e-mail e que receberia todas as orientações. Não restava mais nada senão aguardar. No meio dos meus afazeres, fui buscar mais informações sobre o show. Seria no Morumbi, então fui ver a divisão do estádio e fiquei pensando em qual lugar eu iria ficar. Já me contentaria com qualquer lugar, mas imaginei que havia uma possibilidade de ficar na pista.

Seria maravilhoso! Se fosse a premium então... Nossa! Imagina estar lá perto do palco a poucos metros dele. Incrível. Mas não queria ficar criando muita expectativa, porque conhecendo a minha sorte, seria uma arquibancada, talvez uma um pouco mais próxima. Não fazia mal algum. Eu estava indo ao show!

Procurei me acertar com meus primos para saber como eles iriam, afinal o Morumbi é um estádio fora de mão e com uma estrutura precária ao redor. Eu fui ao show do Eric Clapton e o estádio do Pacaembú é muito melhor localizado e a infra-estrutura ao redor também é bem melhor. Assim como os meios de condução para chegar lá.

Fiquei sabendo que meus primos estavam organizando, com ajuda do tio rockeiro, uma van para levar todo mundo para o show. Beleza! Posso deixar o carro na casa deles, vou e volto de van, pego o meu carro e volto para casa. Lindo esquema!

Faltava acertar como eu faria com as pequenas. Elas concordaram em voltar para a casa da mãe mais cedo para que eu pudesse ir ao show. Na volta iria direto à casa dos meus primos e de lá, direto ver o Paul.

Recebo o e-mail da organização. Confirmo meu nome, documentos e endereço e me dizem que o meu convite, que dá direito a camarote, será entregue via motoboy. Camarote?! Será que tá certo? Puxa vida! Eu vou ao show e ainda por cima de camarote? Nossa! deixa eu ver no site. Por incrível que pareça não tinha nada referente a camarotes. Nem portão de entrada e nem a localização deles.

Bom, -pensei-, pode ser que seja arquibancada, mas com acesso a alguma estrutura anexa. Onde será que fica isso?

No dia seguinte recebo a ligação de alguém da organização, confirma alguns dados e se estarei em casa, porque só eu poderia rececer o prêmio. Ok. Estarei em casa sim. A ligação estava ruim, mas perguntei onde seria o portão de entrada para eu poder me organizar e ele me disse que junto com o convite viria uma carta explicando tudo e que eu ficaria num camarote com comida e bebida à vontade.

Legal! No dia seguinte, chega meu convite. Lá está o meu portão de entrada e todas as instruções necessárias. Só faltava chegar o dia. Estava quase lá!Os dias passam rápido, fizemos os últimos acertos quanto a van que nos levaria ao show. Contando todo mundo e dividindo o valor, seriam uns R$30,00 para cada um. Pouco mais que isso. Ótimo! Ainda por cima ficou barato, já que estacionamento nessas ocasiões é mais de R$100,00.

Tudo corria bem. Levei as pequenas e já fui encontrar a galera. Ainda estava cedo, marcamos a saída às 17h e eu chegaria por volta das 15h. Já fui pensando em pedir ao meu primo para colocar algumas músicas do Paul para irmos esquentando. Não precisou. quando cheguei já dava para escutar os acordes finais de alguma música e o público aplaudindo. Tive inclusive que esperar os aplausos abaixarem para tocar a campainha de novo e ele escutar.

Quando entrei, já dei de cara com um show do Paul na tv. Era um DVD que já estava quase furando de tanto ser visto. E ficamos lá os dois, aguardando o resto da trupe chegar. Ele tem um violão igual ao que o Paul McCartney usa em Blackbird e foi tocando junto com ele enquanto cantávamos a letra. Caramba! Que expectativa. As horas não passam!

Chegou a hora. Juntamos todo mundo na casa de um amigo deles. Eu esperava ver um cara da idade deles, e lá descobri que é um cara mais velho, integrante da banda do tio, mas muito jovial.

Chega a van e lá fomos nós ao show. Chegamos e cada um de nós entraria por portões separados. Eu precisava encontrar o portão 17 e eles o 2 e 4. Lembro de ter visto que eram em lados opostos. Visto que eles estavam seguindo para um lado, fui para o outro. Andei, andei, andei. Perguntei a um policial onde ficava o portão 17 e segundo ele: "é só continuar contornando o estádio e você chega lá."

Ok. E andei, andei, andei. A fila era tão grande que não dava nem para saber de onde era a fila. Perguntei algumas vezes e me disseram que era para a pista. E continuei seguindo o muro. Logo encontro os meus primos. Demos a volta no estádio, nos encontramos no meio do caminho e continuamos procurando o fim da fila ou o portão.

Finalmente achei o portão 17. Fila pequena. Foi só entrar e achar um balcão onde trocavam o nosso pré convite pelo convite oficial. Tinha uma fila pequena, mas tudo bem. Comparando com a que estava lá fora, aquilo nem era fila. Conversei um pouco com uma moça muito simpática que estva na minha frente. Para passar o tempo e tentar ficar menos ansioso também.

Nada de mais. Finalmente chega a nossa vez. Ela entrega o cartão e eu o meu. Uma outra moça já coloca a fitinha no meu braço e então... Algo errado.
-Este número já entrou.
-Tem certeza? Vê se você não marcou errado.

As moças estavam com algum problema e pelo que vi, era o meu convite que estava dando problema.

-Peraí, não é possível. Tem alguma coisa errada, eu confiro antes de marcar a entrada e este número já entrou.
-Deixa eu ver... Ah! Já sei. Este convite é para amanhã!
-... heim? Como assim - disse eu completamente pasmo- amanhã não tem show. Só hoje!
-Tem sim, moço. E este convite é para amanhã.
-Putz! Não acredito nisso. Não pode ser!

Peguei a carta que veio junto com o convite e fiquei procurando alguma data. A menina olhou junto e achou a linha em letras em negrito dizendo: "Convite para o show do dia 22/11".

Não conseguia acreditar que estava lá no dia errado. Mas eu tinha tanta endorfina no sangue que sequer consegui achar ruim. A moça não estava conseguindo retirar a fitinha então eu mesmo a retirei.

Sensibilizadas pelo meu desastroso engano, as moças da recepção tentavam encontrar algum ponto positivo naquela situação que seria cômica se não fosse ridícula.
-Olha, pelo menos você vai encontrar a gente de novo amanhã!
-Só por isso já digo que valeu a pena. Mas afinal, poderia ser pior. Já pensou se eu venho um dia depois? Melhor voltar amanhã que não voltar, né?
-Está certo! E olha só! Vou fazer o seguinte, amanhã quando você chegar nem precisa pegar a fila. Me procura direto e eu passo você na frente, ok?
-Fechado! Então nos vemos amanhã!

Ainda desejei um bom show aos que estava na fila depois de mim e saí. E fiquei pensando: "Como diabos eu vou fazer para voltar para casa?"

Como ia voltar de van, nem verifiquei saídas alternativas. E pior! Acabei de lembrar que meu carro estava na garagem da casa do meu primo.

Liguei pra ele e rapidamente consegui explicar a grande estupidez que fiz. E disse que precisava pegar o meu carro lá na casa dele.

-Cara, faz assim. Acha a gente aqui na fila porque nós ainda não entramos. Eu te entrego a chave.
-Beleza.

E lá fui eu rodar o estádio de novo. Com essa era a segunda volta. Depois de muito andar, achei os caras na fila. E todos com aquela cara de "COMO VOCÊ FAZ UMA COISA DESSAS?!". Bom, nem eu sei. Mas sou mestre em dar esse tipo de mancada.

Peguei a chave, fiz um pouco de hora lá, na fila com eles. Aproveitei para comprar uns hotdogs para eles não precisarem sair da fila e resolvi ir embora.

E aí? Como eu faço para ir embora dali? De carro eu sei voltar, mas a pé? Bom, policial ali não faltava. Algum deles deveria saber como eu faria para chegar a um metrô.

Me indicaram descer a rua e pagar a bifurcação à direita e pegar um ônibus que iria até a Sé. Queria um mais perto, mas de qualquer forma, servia. Segui a orientação do policial, mas algo estava errado. A rua não era aquela e para seguir o que ele disse, eu teria que seguia à esquerda, não à direita. Mas fui à direita mesmo assim, porque já estava ficando cansado de andar e para ir para o outro lado seria mais caminhada.

Quando estou subindo, vejo um ônibus. Faço sinal e tento perguntar se ele passa em alguma estação do metrô mas nessa hora junta um monte de desocupado, meio bêbados, outros vendedores ambulantes que queriam carona, um outro perdido bebaço que também queria carona porque estava sem grana e bêbado feito um gambá. E só depois dessa leva entrar eu consigo perguntar ao motorista. E a resposta: "Não".
-Sabe de algum que passe aqui e no metrô?
-Também não.

É, acho que o negócio é voltar e fazer o caminho indicado pelo policial. Nisso passo por um rapaz que está vendendo bebidas.
-Ô! Você quer ir pro metrô?
-É, mas acho que aqui não passa nenhum ônibus. Vou voltar lá pra baixo e procurar um.
-Não cara, fica aqui que passa sim. Tem um que vai até a estação da Sé. Faz a volta lá na praça. Chama República, eu acho. Mas eu sei qual é. Fica aqui que eu te aviso.
-Puxa, valeu!

Vem um ônibus, mas a resposta do motorista é a mesma, não passa no metrô e não sabe qual passa.

Ok. Mas o vendedor me assegura que ali passa sim. É só esperar. Cansado que estava, resolvi mesmo ficar por lá. E eis que passa um tipo de micro-ônibus que passa nas Clínicas. Beleza! Já serve!

E lá vou eu. Sento no fundo, perto da porta e aí começo a pensar no que fiz. Como consegui fazer aquilo? Naquele momento, comecei a pensar que todas as vezes que algo bom me acontece, algo ruim acontece logo em seguida. Parece um lembrete de que coisas boas para mim, são apenas a exceção que confirma a regra. Um prenúncio de todas as desgraças que aconteceriam dali por diante.

Naquele momento, fiquei triste por não ter podido ver o show. Aquele domingo era o dia ideal, quando todos estariam mais entusiasmados. Seria televisionado. Não que eu tivesse a esperança de aparecer na tv, isso sequer me interessa, mas todo mundo fica mais empolgado e o show tem mais energia.

Lembrei do momento em que eu tirei a pulseira de plástico que dá direito à entrada no camarote. Só ali sento como se fosse um rebaixamento ou algo assim. Mas quer saber de uma coisa? Eu não vou me deixar abater por isso. Rocky Balboa disse:"Não importa quão forte você bate. Importa quão forte você é atingido e continua a seguir em frente" (It ain´t about how hard you can hit. It is about how hard you can get hit and keep moving´foward!)

Está certo! Amanhã eu volto. Agora só tenho que pensar em como pegar meu carro.

(Continua...)


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Show do Paul

É realmente engraçado como algumas coisas acontecem. Durante a semana, faz sol, depois chove sexta à noite, sábado e domingo. Você muda de faixa no meio do trânsito e aquela onde estava começa a andar. Está sozinho e não aparece nada, começa a namorar e chove mulher... Bom, esta última nunca aconteceu comigo.

Mas parece que é sempre assim, passamos um bom tempo buscando coisas que acabam não acontecendo e algumas, para piorar, acontecem na hora errada. E aí o que deveria ser bom, vira um desastre.

Eu passei o ano procurando coisas novas para fazer, estou tentando me estabelecer como autônomo ou então colocar um novo produto no mercado, mas não deixei de enviar currículos e responder a anúncios. Acho que uma hora ou outra alguma coisa tem que dar certo. E só vou saber tentando. Resolvi que já passei tempo demais esperando o momento certo, a hora é agora e estou fazendo tudo ao mesmo tempo.

E continuei fazendo tudo ao mesmo tempo, e continuei, continuei... E nada de resultado. Nada dava certo. E nem errado, porque se desse errado, ao menos era uma possibilidade a menos para trabalhar.

Isso já estava me cansando e eu fico pensando que algo deveria acontecer, já deu tempo suficiente, o que estaria errado?

Fico avaliando e tentando encontrar o erro para poder corrigí-lo. Vejo muitas coisas que eu gostaria de fazer e que preciso abrir mão agora, até que as coisas entrem nos eixos. Justo agora o Paul McCartney resolve vir para cá. Dois primos vão ao show, claro, porque também são músicos e tocam sempre. Um tio deles é músico profissional e é claro que também vai. Inclusive se encarregou de comprar os ingressos.

Encontro os dois e eles comentam que estão pensando em ir para a arquibancada, porque a pista é meio cara e bla,bla,bla...

-Ficaram loucos?! Meu! Compra a pista premium! Depois corta uns gastos, se aperta um pouco, deixa de sair uns meses, mas vai pra pista! Senão vão se arrepender pro resto da vida.
- Hmmmm... Tá certo, né? Afinal é o Paul!
- Claro! E olha, não é querer gorar, mas vai saber se ele volta. Aliás, se vai ter tempo de voltar!
- É, pensando bem acho que vale a pena ir pra pista.

E lá foram eles tentar comprar a pista premium. Claro que devido à procura, a pista premium simplesmente evaporou. Mas conseguiram a pista, se derem sorte chegarão bem perto do palco.

E eu fiquei me conformando, afinal não poderia ir nem na arquibancada mais barata. Não sou de ir em shows, só fui a um em toda a minha vida. Eric Clapton, no Pacaembú. E até hoje penso que deveria ter pego a pista.

Bom, pelo menos eles vão e quem sabe tiram umas fotos e depois me contam como foi. Se passar na tv ou lançaram o DVD do show, eu posso ver depois. Até me empolgava todo falando com eles sobre como seria o show. Até parecia que eu ia também. Mas eu estava muito feliz que eles estavam indo. Conheço muita gente que gostaria de ir, até minha filha queria, mas cada um estava impedido de ir, pelas mais variadas razões. A principal, era grana mesmo.

Nesse meio tempo vejo um twitt da Mirian Bottan sobre uma promoção chamada SENAC Box. Entrei para ver e vi que já tinha começado. Havia um mural com um mosaico que ia sumindo conforme as pessoas iam clicando nos quadrinhos. O regulamento dizia que ali embaixo tinha uma frase e quem descobrisse qual era a frase ganharia diversos prêmios.

Seriam duas semanas de promoção. Na primeira os cinco primeiros colocados ganhariam ingressos para o show do Paul. Na segunda semana, os três primeiros ganhariam um X-Box 360 cada.

Como o show já seria na próxima semana, imaginei que a primeira semana já era. Tudo bem, afinal, eu já não ia ao show mesmo. Vou tentar ganhar esse X-Box. Eu já tenho um, mas posso vender e comprar um Wii que as meninas tanto querem.

Lá fui eu. Ainda não haviam muitos quadros abertos, mas já dava para ver algumas letras. Para facilitar, fiz um print-screen e joguei no Photoshop. Aí fui encaixando letras e tentando formar palavras.

Depois de um bom tempo, cheguei a uma frase coerente. Mandei a minha sugestão e fui no google buscar a frase. Achei até quem disse a frase. Beleza! Então deve estar certo. Espero ter ganhado!

E aí esqueci isso porque o resultado sairia só na semana seguinte.

Uns dias depois vejo um twitt direcionado para mim e para mais algumas pessoas perguntando se eu já havia recebido meu ingresso.

"Que mané ingresso?! Esse cara tá doido..."- pensei. Logo lembrei do concurso e fiquei meio preocupado porque depois dos X-Box o prêmio era um ingresso para um evento de aminação, eu acho, e eu não queria isso. Queria o X-Box! Todos os colocados também ganhariam um pacote de licenças Microsoft. Mas eu queria o X-BOX!

Fui lá ver e lá estou eu! Na lista de premiados da primeira semana!

"Putz! Que droga! Errei a semana! Caramba, não ganhei o X-Box, e já perdi 3 dias... Espera aí... É o show do Paul..."- sim, só aí caiu a ficha. Quer dizer, não caiu direito. Mas lá estava eu na lista de ganhadores dos ingressos do show do Paul McCartney!

Caraca! Eu vou no show...!
(continua...)


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ler ou não ler... Se não, como escrever?

Por esses dias vi uma matéria na Superinteressante sobre um setor da ONU que cuida da educação e cultura. Eles publicaram uma pesquisa sobre os motivos que levam as pessoas a ler em países desenvolvidos e o porquê disso não acontecer, aqui por exemplo.

Eu já ia dizer na lata que "ora essa, em um país onde se elege e reelege um presidente semi-analfabeto (se não total, ninguém foi verificar isso), um deputado analfabeto o que mais poderia se esperar", mas foi aí que li o resultado da pesquisa.

O incentivo à leitura se deve principalmente à cultura. Isso começa em casa, o que já é um problema em um país como o nosso, onde a tv chega antes dos livros a qualquer pessoa, e para piorar conteúdos completamente desprezíveis na grade de programação. E aí li um dado que eu digo desde a minha época de colégio: "Os especialistas culpam a escola pela falta de leitores".

Explico. Na escola somos obrigados a ler um mundo de obras clássicas do século 19, que podem sim ser livros excelentes e ricos, mas que em nenhum momento atraem um adolescente de 15 anos. Como considera a literatura chata, ele não busca outras formas de leitura.

É óbvio! Como levaram 20 anos para descobrir isso? Não digo que não devemos ler os clássicos, mas eles deveriam ser apresentados de forma mais leve. Podemos ler trechos e estudar partes dos livros sem precisar ler a obra toda e, especialmente, sem ler todas as obras.

Conheço pouquíssimas pessoas que desde essa idade gostam da literatura clássica. Isso é questão de gosto. Nem digo que seja intelecto ou maturidade, mas é gosto mesmo. As pessoas gostam de ler o que lhes traz algum tipo de benefício. Para ler os clássicos é preciso um interesse pela época em que foram escritos, ou pelo romance. Esses livros retratam uma época e seus valores.

Mas serei sincero, eu odeio a literatura clássica. Passei mais de 10 anos sem entrar numa livraria devido a eles, especialmente Machado de Assis, que o escritor clássico que mais detesto.

Já ouvi muita gente dizer, inclusive num workshop sobre histórias em quadrinhos, que Machado é uma leitura obrigatória para quem quer contar histórias (ou desenhá-las). Porque ele tem um método descritivo fantástico. Porque isso, porque aquilo.

Não tiro a razão de ninguém, mas eu não gosto. O cara gasta páginas e páginas falando das malditas laranjas geladas no éter! Catzo! Já entendi da primeira vez que foi dito, que o infeliz era considerado elegante, fino, moderno, por causa das malditas laranjas geladas no éter!

Para quê repetir isso duzentas vezes? E para quê descrever um a um, praticamente, os azulejos portugueses da parede da cozinha? O livro teria menos da metade do tamanho, a minha tortura seria aceitável e economizaria papel!

Eu confesso que elegi pessoalmente o Machado como um ícone da literatura cansativa, arcaica, enroladora e, resumindo, chata. Tem outros ainda piores.

Mas considero importante saber o que ele fez, quais foram os outros autores contemporêneos e qual a relação entre eles. Mas sou contra a obrigatoriedade de ler as obras completas. Há coisas muito mais interessantes para serem lidas e essas obras, devem ser um lazer, um prazer e não uma tortura.

Ultimamente eu penso em como trabalha um escritor. Imagino como eu faria se quisesse escrever um livro hoje. Sei como não se deve fazer, mas será que eu li a quantidade de livros suficiente para me aventurar a escrever um deles? Mesmo que pequeno? Será que eu teria lido mais livros se não fosse o Machado e sua trupe de descrevedores de azulejos azuis importados de Portugal?

Sinceramente não sei. Mas confesso que eu sempre achei que deveria ler mais livros. Tento incentivar isso nas minhas filhas, mas me preocupo demasiadamente quando chegar a hora delas encararem as laranjas geladas em éter e os azulejos azuis portugueses.

E espero que elas consigam passar por essa experiência de uma forma menos danosa que eu, que tenham mais livros lidos na suas prateleiras do que eu e, se quiserem escrever um livro, que tenham todo o embasamento necessário.

Antes de escrever temos que ler e ler muito, o problema é o que ler.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Made in China

Já faz quase um ano que estou trabalhando como consultor. A coisa não vai no passo que eu gostaria, mas está andando e estamos fazendo algumas mudanças para tentar acelerar o processo.

Em contrapartida há alguns benefícios como almoçar em casa todos os dias, não pegar trânsito, poder acordar 1h antes de começar a trabalhar e ainda chegar cedo depois de tomar café da manhã com calma. Claro que sempre tem um vizinho ou outro sem noção, educação ou audiçao que insisti em compartilhar com você o último grande sucesso do repeat always do seu i-Pod.

Mas isso é contornável.

Contudo, às veses sinto falta dos colegas de trabalho e do relacionamento com outras pessoas, outros departamentos. Não tem a enchação de saco, mas também não tem o papo na sala de café, que pode ser rápido mas sempre é divertido, e é claro, as brincadeiras entre os colegas.

Ah! Isso realmente faz falta, para quebrar a monotonia. Como uma vez em que um amigo resolveu comprar um celular novo. Bom, ele sempre comprava um celular novo. Gostava de dizer que tinha o último modelo, afinal, era do TI.

E como era do TI, não queria pagar o preço de loja, ia encontrar um site ou alguma forma de trazer o celular de fora por dois terços do valor.

De tanto fuçar achou um site que prometia trazer qualquer equipamento da China a preços módicos. Procurou, procurou e achou o aparelho que queria. E olha, melhor do que ele esperava. Era pela metade do preço de loja.

Chamou um amigo, que além de trabalhar com ele, já era companheiro de infância e de muitas aventuras, para perguntar sobre o site.

-Cara, você conhece esse (site)?
-Claro! É da hora! Pode comprar que esse (aparelho) é muito bom!

O que está entre os parêntesis no diálogo acima, não foi dito por nenhum dos dois e assim começou a confusão porque um, achando que se tratava do aparelho disse para comprar sem susto, o outro acreditando que o amigo falava sobre a idoneidade do site... Comprou.

As semanas passaram e nada do aparelho chegar. Caiu na fatura do cartão, ele pagou e nada do aparelho. Quase todo dia ele ligava para o número que constava no site como SAC. Além do speech em infinitivo ele também sempre escutava que o aparelho estava chegando. Que vai chegar.

-Olha aí cara, tá vendo? É culpa sua. você me indicou esse site e os caras me engambelaram.
-Eu?!?! Quando eu fiz isso? Acha que eu ia comprar num site desses?
-Como assim?! Foi aquele dia que eu te perguntei o que você achava e você disse: "É da hora, pode comprar!"
-Eu estava falando do aparelho. Caraca! Você achou que eu estava falando do site? hahahahahaha!

Nesse momento todos no setor foram unânimes no comentário sobre a compra: Hahahahahahahahaha!

Após uns 10 minutos de furioso debate sobre a inconsequente compra feita pelo colega, era de se esperar que isso não passasse com o tempo. Todo dia e para tudo que acontecia a solução era "comprar num tal site da China".

Um dia, o tampinha que era dono do fantasmagórico e mitológico celular, se vira e diz com lágrimas nos olhos:"Tá certo. Vou dizer uma coisa. E é para todos vocês"- dizia apontando para cada um de nós -"Se algum de vocês conseguir ligar lá e fazer esse celular chegar, eu dou R$100,00 na hora".

Virou-se e foi ninguém sabe pra onde, porque ele estava indo ao CPD que ficava do outro lado para onde ele se dirigiu.

Comentamos que aquilo realmente estava passando dos limites, afinal ele não estava mais bravo com a situação, ele já estava triste.

Comovido, fui buscar algumas informações sobre o site. Em vez de achar algo útil a ele, encontrei um cara que em algum outro lugar do mundo, também comprou um celular nesse site. Só que o caso dele era diferente. Ele recebeu o aparelho, mas chegou com defeito e eles não queriam trocar. Para provar que ele comprou o aparelho lá, ele escaneou o invoice que veio na caixa.

Aí não resisti. Como o invoice estava em boa resolução, editei no photoshop para que o nome do destinatário ficasse parecido com o do meu amigo. Imprimi e fiz uma caixa de papelão. Coloquei umas revistas no fundo para ficar mais pesada e imprimi e recortei um aparelho de celular gigante o maior que consegui em uma folha A3. E coloquei lá dentro.

Do lado de fora, imitei alguns carimbos, fiz algumas anotações parecidas com ideogramas em um canto da caixa e colei um plástico com o invoice falso na frente. Esperei até que ele fosse para fora do andar e fui até a recepção.

-Quando ele voltar entrega isso, deste jeito, ok? Diz que a recepção lá de baixo mandou agora aqui pra cima.
-Ah, tá bom. Pode deixar.

A recepcionista era fantástica. Muito bonita, simpática e sempre prestativa. Claro que, se ela soubesse o que era, não teria entregado.

Nós esperamos já com todos os celulares que filmam a postos. Nós sabíamos que ele iria querer vingança pelas piadas que fizemos e ia pedir para filmar ele recebendo.

Aí ele entra. Mal pude ver a cabeça dele por cima das baias mas o sorriso na cara dele eu pude ver.

Ele entrou no setor radiante.

-Não disse que ia chegar? Não disse? Eu disse! Eu disse! Vocês ficaram me zoando! Olha só! Tá AQUI Ó!

Nessa hora eu fiquei feliz por não termos feito um bilhete falso da MEGA SENA. E ele apontava, um a um e dizia que tava todo mundo errado.

-Filma aí! Pode filmar que é para eu mandar para todo mundo que me zuou!
-Opa! Claro! Pode deixar!

É claro que já estávamos filmando fazia tempo.

Ele soltava uma risada malévola enquanto ia abrindo a caixa. Arrancou o plástico com o invoice e jogou num canto, tirou a fita adesiva e... Ficou branco.

Olhava para dentro da caixa e para nós que a essa altura já não estávamos mais nos segurando e ríamos a plenos pulmões.

-Caras... Vocês... Vocês me zuaram...?

E então ele puxa lentamente lá de dentro o celular de papel gigante que eu fiz.

Eu achei que ele ia ter um ataque cardíaco naquela hora. Mas ele só deu um sorrisinho amarelo e prometeu vingança.

Ah! Esse é o tipo de coisa que fazia valer a pena trabalhar lá!


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Continue a nadar!

Ultimamente as coisas andam monótonas demais. Não consigo fechar nada e não tem nada promissor no horizonte. A coisa só não é pior porque eu ainda tenho alguma reserva, mas que loga acabará.

O que faço é pensar na melhor estratégia de marketing para meu cliente de consultoria, que apesar de ter contratado poucas horas/mês, dedico bem mais para que tenhamos resultados logo.

Por outro lado a prospecção nada devagar, quase não tenho retorno e quando tem não é nada certo. Vi uma amiga que esteve hospitalizada há algum tempo e ouvi dizer que ela já estava de volta ao trabalho. Quis dar uma força a ela nesse período de retorno e algo que eu disse deve ter sido entendido da forma errada porque ela simplesmente desligou na minha cara. Sem mais, nem menos.

Quer dizer, "desligar" neste caso é colocar "offline" ou então bloquear você se estivermos falando de MSN. Eu até entendo levar um fora quando estou cantando uma garota, já levei vários na minha vida, mas essa foi a primeira vez que levo um fora sem estar cantando a moça.

É, a coisa anda pret... Quero dizer, azul-marinho-oveprint-k100C10, para não ser politicamente incorreto.

Ao menos voltei a fotografar, um hobbie que eu não praticava há anos. Eu tirava fotos com a minha Cybershot, mas isso eu não considero fotografar, apesar de um amigo sempre elogiar as fotos que fiz para o livro dele, "Indo Além em um Duck".

Ficaram boas, sim, mas eu só apertei o botão. A máquina fez o resto, aí é fácil.

Consegui comprar uma máquina usada de um amigo fotógrafo -esse sim, profissional, muito bom- que estava trocando o equipamento. Fiz algumas fotos para sentir a máquina e percebi que nenhuma saía como eu esperava.

-Cara, mudou muita coisa desde que mudamos do filme para o digital. Você vai ter que reaprender algumas coisas, aprender outras que ainda não sabe e uma ou outra coisinha que fazímos no tempo do filme, dá para aproveitar ou adaptar.
-Tô vendo. Aliás, não tô. Não saiu nada.
-Isso é fotometria errada. Seria melhor fazer um curso, mas enquanto isso, vai praticando. Testa uma regulagem, olha, faz de novo, olha, corrige, faz de novo e assim vai.

Bom, assim está indo.

Aproveitei também para ver Homem de Ferro 2. Eu queria ter ido ao cinema, mas não consegui. Tive que esperar até agora quando o DVD chegou à locadora. Gostei do filme, mas fiquei meio decepcionado com alguns detalhes, como a armadura do Máquina de Guerra. O aspecto ficou legal, mas nos quadrinhos ela é feita especialmente para o Rodey, um presente do Stark ao amigo. Acho que faltou isso.

Enfim, pensei, pensei, escrevi, escrevi e não consegui escrever nada de interessante, nem engraçado. Virou um desabafo. Chato.

Mas a vida tem seus altos e baixos. Logo farei a extração do meu último dente do siso, mas infelizmente não será a mesma cirurgiâ que fez a extração anterior. Espero que seja igual ou melhor, mas do jeito que as coisas estão indo, não sei, não...

É melhor parar por aqui, porque este blog tem pouquíssimos leitores (sem contar os que chegam aqui, xingam porque não tem nada a ver com o que procuravam e fecham a janela) e não quero matar nenhum de tédio ou deixar em depressão profunda.

Como dizia a Dory: "Continue a nadar, continue a nadar..."


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

It´s the Eye of Tiger!

Esses dias fui ver Os Mercenários. Filme divertido, despretensioso, nenhum roteiro digno de prêmio da academia, mas um bom filme para quem quer diversão e uma desculpa para comer um balde de pipoca. Sem manteiga, já que a minha companhia, que importei do litoral para ver o filme comigo, não gosta.

Uma coisa que chama a atenção é que o Stallone, com seus 64 anos, tá em forma, todo definido, sem pelanca. Claro que atores de hollywood tem acesso a boas academias e bons... Digamos, acessórios. Mas mesmo assim o cara tem 64 anos. Eu tenho 30 a menos e me sinto uma geléia.

Alguns meses atrás, extraí um siso. Ainda não extraí o outro porque a dormência ainda não passou completamente e se eu ficar com o outro lado igual não conseguirei falar nada sem que o meu interlocutor esteja com capa de chuva e guarda-chuva. O lado bom é que eu perdi 4 Kg.

Fiquei bastante animado porque eu já esperava perder peso. No auge dos meus 18 anos, eu estava em excelente forma física. Nunca tive muita massa muscular, nem barriga de tanquinho, mas tinha tônus muscular. Às vezes ganhava uns quilos a mais, a gordurinha aparecia na barriga, mas era só emagrecer e já dava para ver os músculos do abdômem por baixo da pele.

Eu praticava Kung-fu e fazíamos mais de 200 abdominais e 150 flexões de braço em cada aula. Claro que não tudo de uma só vez, mas de 50 em 50 fazíamos bem mais que isso, sem contar os exercícios do próprio estilo, que chamávamos de "kati".

Eu tinha grande flexibilidade, muita agilidade e a musculatura em dia.

Quando perdi os 4Kg, me lembrei disso. Na minha adolescência era só perder o peso extra que já dava para ver o músculo sob a pele. Às vezes eu precisava dar uma esticadinha nela, que leva um pouco mais de tempo para voltar ao normal, um curvadinha no tronco para a frente, contrai o abdômem e lá estavam eles. Nunca bem definidos, mas estavam lá.

Dessa vez, fui para a frente do espelho, certo de que os encontraria por lá. Talvez um pouco menos proeminentes, mas deveriam estar lá. Me estiquei todo e nada.

Contraí o abdômem, girei o tronco de um lado para o outro e nada. Comecei a puxar a pele para os lados... Nada.

Resolvi ajudar inclinando para a frente, assim o músculo contrai mais e ganha um pouco de volume. Nada. Nem uma leve saliência. Contrai daqui, contrai dali, estica a pele e finalmente, soltei um pum!

Afe! Ainda bem que estava sozinho em casa. Janelas e portas abertas, quarto arejado e novamente habitável. Fiquei pensando: "Caraca! A coisa tá feia". Perdi peso, mas não sobrou nada embaixo da pele. E quando você emagrece e percebe que estava melhor quando era gordo, a situação tá feia.

Então resolvi tirar a poeira de uns pesos que tenho em casa. Dois pequenos de 2Kg cada, que minha tia usava para fazer uns exercícios que preveniam a tendinite. E um de 8Kg que já tenho faz tempo e que usava antes para fazer um pouco de exercício para os braços.

Comecei com os pequenos. Para aquecer e também porque o meu ombro direito dá umas estaladas de vem em quando e minha prima que é fisioterapeuta disse que eu deveria evitar os movimentos que o faziam estalar e que alguns exercícios leves poderiam tonificar o músculo e assim dar mais suporte ao ombro, diminuindo o estalo.

Lá fui eu. Elevando até a altura do ombro para não forçar a articulação. Primeiro lateralmente, depois à frente. Fui alternando até que senti o deutóide queimar. Tinha feito umas 15 repetições.

Credo! Tava pior que imaginava. Vou dar um tempo para o braçio descansar e pego o grande.

1, 2, 3, 4, 5... 6... ARGH!

Troco de braço. A mesma coisa. Não passo de 6.

Beleza, vamos fazer um pouco de abdominal então. A tv sempre está ligada. Uma pena que não estava passando Rocky. Na sequência de treino dele sempre dá ânimo para fazer mais e tentar acompanhar o velho (na época não tão velho) Sly.

Mas vamos com o que temos. E lá vai 1, 2, 3, 4, e estava indo bem. Até que o 10 chegou e com ele descobri que os músculos abdominais estavam lá sim, ou era algo mais que doía e queimava feito o inferno.

Pelo jeito dessa vez vou precisar de toda a hexologia do Rocky para me colocar em forma. E dá-lhe Eye of Tiger!


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

The Expendables

De vez em quando algumas coisas boas acontecem. Ainda bem, porque nessa onda de arrumar uma casa, arrumar emprego ou abrir uma franquia, as coisas parecem que sempre estão contra você. E um pouco de diversão é imprescindível, eu sempre digo isso, mas às vezes eu mesmo acabo deixando de lado.

O cansaço vai se acumulando, as coisas parecem empacar e você não sabe porque. É porque você está tão imerso naquela situação que já não consegue mais encontrar uma saída e fica dando voltas e voltas no mesmo lugar.

Eu sempre participo dos concursos culturais da Fábrica de Quadrinhos e vira e mexe, ganho alguma coisa lá. Participei dos concursos para ganhar ingressos do filme "Os Mercenários (The Expendables)" e "A Origem (Inception)", mas não ganhei nenhum.

Que pena. Queria ver esses filmes e agora, como terei que pagar para vê-los, serei obrigado a escolher um só ou esperar sair em DVD. E provavelmente terei que ir sozinho, porque não tenho muitas opções para convidar para um cinema.

Aqui vale uma observação curiosa. Eu não gosto de ir ao cinema sozinho, então fico procurando quem queira ir comigo. Minhas filhas são pequenas para ver os filmes que quero e eu gosto de vê-los legendados. Só que meus amigos estão todos namorando, a maioria casados.

Me sinto meio estranho indo só eu e um casal de amigos, parece que estou segurando vela. Então, apelo para algumas amigas, que estão solteiras e que não se importariam de me fazer companhia. Bom, pelo menos eu acho que não.

Não entendo bem o porquê, mas eu devo passar sempre a impressão de que estou apaixonado pelas minhas amigas. E elas automaticamente se esquivam, ou elegantemente dizem que não estão a fim ou que somos só amigos. E eu fico tentando entender qual a razão de terem dito aquilo.

Por exemplo, quando as chamos para sair e fazer qualquer coisa, jantar ou dar uma volta, é bem simples e normalmente elas aceitam. Mas é só eu perguntar se querem ir ver um filme e ficam mudas. Parece que ficam pensando se aquilo quer dizer algo mais, se eu estou querendo algo mais... Bom, até pode ser, mas eu separo bem as amizades, porque senão você não pega e ainda perde a amiga. Ou é só bobagem minha, vai saber.

Para esses casos eu deixo que elas façam o primeiro movimento. Quer dizer, o primeiro, o segundo e às vezes um terceiro porque eu quero ter certeza de que não estou confundindo as coisas e nas primeiras vezes não vou entender o recado, pode ter certeza.

Aí nesse meio tempo eis que chega em casa um envelope da FdQ. Quando eu abro vejo que há dois convites para Os Mercenários. Não entendi nada, vi a lista de ganhadores no site. E eu não estava lá. Aí lembrei que quando eu ganhava alguma coisa, eles me mandavam um e-mail pedindo para confirmar os dados e se isso não fosse feito em um determinado prazo, o prêmio seria enviado a outro participante. Neste caso, eu!

Sorte minha! Mandei um e-mail para uma amiga. Não respondeu. Nada de mais, às vezes ela faz isso, quando está muito ocupada. Aí, depois de uma semana, mais ou menos, mandei outro sugerindo uma data.

Ela respondeu que não poderia por várias razões. Mas eu adoro ela e não fico chateado. Ficaria se estivesse pensando em ficar com ela, mas eu só queria uma boa companhia. Comentei com outra amiga o que aconteceu e ela achou muito engraçado.

Ela está em outra cidade, mas quando eu perguntei se ela queria ver o filme, aceitou na hora. Legal, marcamos em um lugar que ficasse fácil para ela chegar e depois para voltar para a casa dela.

Eu vi muita gente fazendo o maior escarcéu por causa de uma piada que o Stallone fez sobre o Rio. Ora, façam-me o favor! Primeiro porque ele não disse nada de mais, segundo porque aqui acontecem coisas muito piores e mais sérias e ninguém diz nada. Ou vocês acham que a Dilma estaria em primeiro lugar nas pesquisas se o povo brasileiro fosse consciente?

Bem, deixando questões políticas de lado, achei uma piada quererem boicotar o filme por causa disso.

O filme é bom. Não é nenhuma obra prima, mas também ninguém achou que um filme com esse nome e com esse elenco seria uma viagem introspectiva pelos aspectos mais complexos da psiquê humana, não é?

A Giselle Itié faz uma particpação legal. Eu achei que ela faz inglês bem demais para quem é nativa de uma ilha que fala espanhol, mas quem liga para isso quando ela aparece?

O filme é divertido, tem umas boas piadas e o velho Schwarznegger faz uma ponta divertida no filme.

Não gostei do Cinemark do Shopping Santa Cruz. O cinema estava com o chão grudento e metade da sala estava isolada com uma fita. O banheiro estava sujo e cheirando urina. Estranho. Nos outros Cinemark que fui eram bem diferentes.

Saindo do filme ainda aproveitamos para dar uma volta no shopping. Fomos à escada rolante e lá havia uma senhora parada logo na ponta. Achei que ela estava procurando por alguém no andar de baixo, mas logo que nos aproximamos ela perguntou:
-Vocês sabem onde tem uma escada que não se mexe?
-Heim? - eu nem tinha entendido a pergunta mas a minha amiga, que trabalha em um hospital e atende velhinhos que vão fazer um tipo de exame, logo estendeu a mão.
- Não precisa ter medo, pode vir! É só dar um passo para a frente. Olha!
E deu um pulinho e estendeu a mão de novo para a senhora, que trêmula, a segurou e meio insegura esticou a perna para entrar na escada rolante.

Com um passo e quase enfartando ela entrou na escada rolante, mas estava com medo e desceu mais uns degraus para ficar mais perto da minha amiga, que segurava firmemente a mão dela.

-Viu? É fácil. Pode ficar tranquila!
-Ai. Eu tenho tanto medo. Essa escada fica se mexendo! Eu prefiro as que ficam paradas!

Eu queria saber como ela chegou ao terceiro andar.

No fim da escada, ela saiu com um pulinho e foi feliz da vida procurar uma escada que não se mexia para descer até o térreo.

Uma tarde bastante divertida.


domingo, 25 de julho de 2010

A Teoria Harper

Eu não sou exatamente o tipo de cara que gosta de ir à baladas ou barzinhos e ficar "pegando" mulher. Nunca vi muita coerência em ir a um lugar onde o som é tão alto que você sequer consegue ouvir o que você mesmo fala, ficar bebendo e sair beijando mulheres festa adentro.

Já não curto som alto, não bebo e não danço, logo não é o ambiente mais favorável para mim em qualquer aspecto.

Há aqueles que gostam disso, ficam contando com quantas "ficaram" naquela noite e tal. Eu não gosto disso. Prefiro convidar uma garota só por vez, ir a um lugar onde possamos conversar, com música ambiente suave e se no final der certo, maravilha! Se não der, paciência.

Mas ultimamente não tenho procurado ninguém porque tenho uma meta muito mais urgente a cumprir: arrumar uma casa para mim.

Como a ajuda da especulação imobiliária então, essa meta é quase impossível. Entre devaneios, envio de currículos e ligações para vender o nosso estúdio de criação (sim, essa é uma possibilidade. Ou arrumo um bom emprego ou a "ATO & ARTE - Estúdio de Criação" começa a render, qualquer alternativa é válida), fico pensando se não estou com uma meta impossível. Já fracassei tantas vezes nesses anos de separado que já começo a sentir os primeiros sintomas de uma depressão.

Mas como depressão é doença de gente rica, que pode ficar em casa na cama choramingando e tomando remédios caríssimos, e eu não estou nem perto disso, respiro fundo e... Lá vamos nós!

Então estou sozinho, sem emprego e sem ninguém. E vendo minhas filhas aos fins de semana.

Sem uma renda mensal, comecei também a cortar os gastos. Não saio para fazer nada, se vou a algum lugar vou a pé ou de ônibus. E como lazer me resta apenas a tv.

Gosto de alguns seriados como The Mentalist, Big Bang Theory, Two and a Half man, CSI. E eles por vezes conseguem me distrair um pouco das minhas frustrações. Desses dois são cômicos o que ajuda a dispersar o gosto ruim do fracasso. E ultimamente tenho conseguido ver apenas Two and a Half Man.

É até engraçado perceber que o Charlie e o Alan são na verdade personificações da nossa vida e do que gostaríamos que fosse a nossa vida.

Charlie é um cara que tem muito dinheiro, vive em uma casa na praia, não sai para trabalhar, aliás, são raras as ocasiões em que ele aparece trabalhando, está sempre fazendo algo divertido. Ou está bebendo ou está com alguma mulher maravilhosa.

Tá certo que eu, por exemplo, não beberia. Mas morar em uma casa de praia e poder fazer o que quer e quando quer é um bom modo de viver. Tem um bom carro, vai a bons restaurantes, se veste da maneira mais informal possível. É, com certeza é para se pensar.

Já o Alan, se divorciou, precisa trabalhar todos os dias, nunca tem grana para nada, dificilmente se arruma com alguma mulher e mesmo quando consegue, muita coisa dá errado antes e depois disso.

Bem mais parecido com a minha vida, infelizmente. Fico pensando, porque será que a nossa vida tem que ser mais "Alan Harper" do que "Charlie Harper"? Porque não poderia ser mais equalizado? Meses com 30 dias, "Charlie", meses com 31, "Alan".

Independente de como seria o escalonamento, seria bom termos um pouco mais de sorte na vida. E aí percebo que na verdade esse seriado funciona justamente por trabalhar os dois lados da moeda. Aquilo que você é (Alan) e o que gostaria de ser (Charlie). Os fracassos de Alan, o jeito exagerado de ser dele, contrapõe o lado utópico do Charlie. Acredito que tenha alguém que consiga ter um estilo parecido, mas igual ao do Charlie, em todos os aspectos, duvido.

A minha teoria é que você acaba assistindo porque se identifica em algum momento com o Alan. Ele se dá tão mal em tantas coisas que não é possível que você não se identifique com algum mico dele. Ele passa por todos. E até espera que ele se dê bem em algum momento, porque é a esperança que você também tem. Uma hora, tem que acertar.

E o Charlie é a utopia personificada. Muito dinheiro, quase nenhum trabalho, muita diversão, boa casa, bom carro, muitas mulheres. Quê mais um cara poderia querer? Mas de tão perfeito, é praticamente impossível chegar a esse ideal de vida.

Mas quer tanto que também se identifica com ele. Vê n Charlie aquele lance de sucesso que falta na sua vida.

E no final, acabamos percebendo que somos mais parecidos com o Jake mesmo. No meio de duas possibilidades de vida tão distintas e opostas, ele vai seguindo seu caminho, meio torto, mas segue.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Que comédia!

Recebi uma dica de stand-up da minha prima. No teatro Cacilda Becker toda quinta a partir das 21:30h.

Legal! Eu curto stand-up comedy mas nunca tinha ido a um espetáculo ao vivo. Era uma quarta-feira e eu queria achar uma companhia para ir comigo. Chamei uma grande amiga para ir junto, mas ela não tinha o dia livre.

Com o pouco tempo que restava, fiz algumas tentativas e no final quem resolveu ir foi um primo que se tornou meu vizinho há pouco tempo.

Beleza. Pelo menos não fico à tôa no caminho até lá. já que ir de ônibus é sempre chato.

Na quinta, ligo pro cara e marco com ele. Como o espetáculo começa às 21:30h, vamos nos encontrar às 20h no metrô e de lá pegamos um ônibus só que vai direto e passa perto do teatro.

Por volta de umas 19h o cara me liga:
-E aí beleza?
-Tudo certo. Tá na zona "lost" ainda?
-É, tô saindo daqui a pouco. Mas deixa eu perguntar uma coisa. Tem que ir de social?
-... Que...?
-Social. Tipo, terno, camisa...
-Cara, é um show de stand-up, não recepção da realeza britânica! Vai do jeito que quiser!
-HAhahaha! Tá certo! É verdade! Na hora combinada estou por lá!

Me aprontei e fui. Cheguei no mesmo instante que ele me liga para avisar que também está lá. Só que eu procuro de um lado, do outro e nada. Cadê o cara?
Esperei mais um tempo e não achei ele.

Eu avisei que ele precisava atravessar para o lado de cá. Será que se perdeu no meio do caminho? Vi que havia um corredor abaixo da estação que fazia a ligação dos dois lados da estação. Calculei que ele só poderia estar lá, já que não estava na saída.

Subi e fui de um lado a outro e nada de achar o infeliz. Daí ele me liga.

- Onde você tá?
- ué? Te procurando. Você está na estação certa?
- Estou. Mas não estou te vendo.
- Eu estou aqui na plataforma de baixo.
- Ah! Então espera que já chego aí!

E logo em seguida vem o cara descendo a escada rolante.

- Caraca velho! Tava escondido lá em cima?
- hahaha! Achei que era para esperar na catraca! E agora?
- Vamos pegar o bus que passa aqui na frente.

E descemos até o ponto que fica bem em frente da saída da estação. Só que lá tem uma placa com todos os nomes e números das linhas que passam ali. E nenhum era nem parecido com o que o Google maps tinha me mostrado.

- E agora?
- Bom, melhor perguntar para alguém.

O "alguém" em questão era um botequinho que tem ali perto. A única coisa aberta naquele horário.

- Ah! Esse ônibus passava aqui, mas agora tá passando na rua de trás. É só virar aqui à direita e você vai ver um ponto à esquerda. Ele tá passando ali porque parte do trajeto tá em obras.

Lá fomos nós andar um quarteirão até o tal ponto. Mas chegando lá percebemos que, diferente da rua onde estávamos, essa era de mão dupla e o ponto indicado ficava na mão contrária ao lado para onde pretendíamos ir.

- Hmmmmm. Tá estranho. Eu acho que deverímos estar do outro lado da rua.
- Peraí. Ei! Senhor. Por favor sabe se o ônibus 278-A passa aqui?
- 278-A? Deixa ver... Ah! Passa sim, mas lá do outro lado.

E lá fomos nós para o outro lado. E ficamos uns 20 minutos lá. E nada do tal ônibus passar.

Perguntamos de novo sobre o mítico ônibus 278-A e, vejam só que coisa, ele não passava lá naquele ponto!

- Vocês seguem adiante nesta mesma rua, vai passar aquele cruzamento ali, depois mais um e já vão ver um ponto. Lá ele passa!.

E fomos nós caminhar mais um pouco. Só que, depois de passar os dois cruzamentos, cadê o tal ponto? Mal tinha iluminação na rua.

Nessa hora meu primo, já descrente que existia um ônibus de número 167 e que ele passava por ali, onde quer que fosse, achou melhor voltarmos à estação de metrô.

- Ah, então vamos para a estação Tietê, que fica ali, do outro lado da rua.

Chegando lá ele vê 3 seguranças do Metrô e vai perguntar como fazer para chegar na Lapa.

- Ah, tem dois ônibus que passam aqui do lado, mas não lembro direito o nome. Era Pedro II ou III ou Pio XI. Ah, são os únicos que tem número no nome e os dois vão pra Lapa.

O único problema é que a Lapa é enorme e cada ônibus deve ir para um lado diferente. E detalhe, nenhum deles é da linha que eu tinha anotado.

Até eu já estava acreditando que o Google estava chorando de tanto rir do mané aqui procurando o tal ônibus que não existe, quando chegamos ao ponto e fui ver a placa das linhas que passam lá. E lá estava ele. Ou melhor, eles. São dois ônibus com o mesmo número, mas nomes diferentes.

Caramba! Se vão para lugares diferentes, custava ao menos chamar um de 278-A e o outro de 278-B? Mas não! São os dois 278-A! Um é Penha e o outro Ceasa, e o Google tinha dito que era um nome só: Penha-Ceasa.

Aguardamos e assim que o primeiro apareceu, entramos e perguntamos ao cobrador sobre o itinerário e como era esperado aquele era o ônibus errado.

Novamente no ponto e 15 minutos depois, surge o ônibus certo. Mal entramos e começamos a ver o trajeto que ele estava fazendo. Sensação de dejà vu. Ele passa por todos, sem exceção, lugares onde estivemos perambulando pelos últimos 40 minutos.

Mas finalmente estávamos a caminho. Mais ou menos na metade, minha prima liga para avisar que já chegou lá e está nos esperando.

Tranquilo, já que o ônibus nos deixaria a poucas quadras do teatro. Seriam poucas se eu não tivesse errado o ponto de descida. Estava escuro e eu não conseguia ler as placas com os nomes das ruas. Calculei que já estaríamos no lugar certo ou faltando pouco.

Sim, eram só mais 3 quadras.

Aí, beleza! E só virar à esquerda e andar mais 5 quadras e... Legal! Além de tudo é subida! Toca subir 5 quadras. Estávamos na penúltima e minha prima liga avisando que o espetáculo já vai começar e que ela comprou os nossos ingressos.

Aí só nos restou correr morro acima na última quadra e meia que faltava e chegar lá com dor no baço, câimbras e sem um dos pulmões. Ou pelo menos era essa a sensação. Mas chegamos!

Pegamos o espetáculo bem no comecinho e valeu a pena. Após uns 10 minutos de show, consegui recobrar o fôlego para rir e convencer a senhora que estava ao nosso lado de que não era preciso chamar a ambulância.

Foi um show muito bom! Quem quiser ir pode encontrar mais detalhes em www.meuteunoseu.com.br. Vale a pena!

Saindo de lá, por volta das 23h, estávamos com a barriga doendo de tanto rir e também porque não tinha jantado antes de sair de casa. Resolvemos comer uma pizza, mas por ali só tinha alguns barzinhos abertos.

E minha prima sugeriu o Margherita. Eu disse que por mim poderia ser marguerita ou muzzarela, tanto fazia. Como bom paulista que sou, nascido e criado em São Paulo, desconhecia completamente essa pizzaria e achei que ela estava se referindo ao sabor da pizza (esse foi o único momento em que achei bom minha amiga não ter conseguido ir comigo).

Chegando lá escolhemos meia presunto cru e meia americana que simplesmente evaporou da mesa. Era uma pizza maravilhosa. Mas como a fome continuava, resolvemos pedir mais uma. Arigato. Não, não estou agradecendo nada, é o nome da pizza. Dessa aí sobraram 3 pedaços, porque ainda íamos comer sobremesa.

Não sei porque, mas minha prima, que parou no terceiro pedaço e não quis sobremesa, ficou meio espantada.

Aí, plenamente satisfeitos, percebemos que eram 1:11h. Como já não tinha mais metrô naquele horário, o jeito foi pegar um taxi. E meu primo lembra que tem que voltar para a zona "lost" porque deixou um aparelho de trabalho lá.

- Beleza, faremos a coisa mais "inteligentical" (obrigado London!) que poderia ser feita agora. Como você precisa ir pro outro lado e não tem dinheiro, vamos até a minha casa, pego o carro e te levo.

E lá fomos nós. Quase chegando em casa, minha prima liga.

- E aí tudo bem?
- Tudo estamos quase em casa. E você? Já chegou?
- Que nada. Meu morreu.
- Morreu?!? Como assim?

Nesse momento o taxista e meu primo que ia no banco de trás quase enfartaram.

- É. Morreu e não liga nada. Nem o pisca alerta funciona.
- Deve ser a bateria(aqui quase me bateram), vou pegar o carro e vou praí. Onde você está?
- Não precisa, já chamei o socorro. Ah, acho que chegou, parou um motoqueiro do lado do carro. Vou lá ver!
- Tá, qualquer coisa me liga que eu vou até aí.

No final das contas fui até a Zona "lost", voltei e não consegui falar com a minha prima. No dia seguinte ela me conta que teve que trocar a bateria e que aquele motoqueiro era só um curioso, mas pelo menos ele ficou lá por um tempo fazendo companhia para ela.

É. Comédia!


quarta-feira, 2 de junho de 2010

MInha nada mole vida

Depois que perdi o emprego, avaliei as minhas opções. Eu poderia procurar emprego, tocar a editora, colocar um projeto antigo em prática...

Resolvi que não teria tempo nem dinheiro sobrando para escolhar por tentativa e erro. Se quero que algo dê certo, tenho que começar ontem. Então continuo enviando currículos e ao mesmo tempo, vou encaminhando todos os outros projetos. O mais frustrante é ter mais de 3 meses de envio de currículos e respostas para vagas e não ter tido sequer uma entrevista.

Vai ver, como profissional eu sou um ótimo desempregado.

Não tenho tempo para ficar lamuriando, então segui adiante com o que julgava que poderia me dar um retorno a médio prazo. Agora eu teria tempo para resolver os problemas de diagramação dos livros da editora. Mas infgelizmente, não aconteceu dessa forma. Um sócio saiu e então, numa conversa com o sócio que restou, decidimos que faltava algo para dar a ingnição nesse motor. A faísca que falta nesse caso é dinheiro.

Nos vimos na situação complicada de ter que aceitar um sócio capitalista. Até aí tudo bem, já que teríamos financiamento para finalizar o livro e quem sabe até resgatar alguns dos patrocinadores que perdemos com o tempo. Mas isso implica em uma decisão. Esse sócio em questão não admite uma sociedade com mais de 2 pessoas, ele incluído.

Me restam duas opções: ficar e possivelmente matar a editora, ou sair e ver tudo que fiz sair com os méritos de outra pessoa.

Ao menos na segunda hipótese, a editora finalmente tomaria vida e teria a chance de se erguer e enfrentar os gigantes do ramo editorial. Mas isso não é uma decisão fácil de tomar. É quase como deixar seu filho para que outro cuide dele.

E porque eu não continuo e meu sócio sai? Simples. Um dos motivos de eu ter começado este projeto foi justamente de proporcionar a ele uma chance de se reestruturar e, mais importante ainda, é lembrar que quem tem o know-how é ele.

E ele mesmo fez a negociação de forma que eu ainda pudesse ser ressarcido em alguma coisa do investimento que fiz. Aceitei deixar a editora, com dor enorme no coração.

Mas segui em frente e então recebi a ligação de um amigo, fotógrafo e casado com uma ilustradora. Ambos são profissionais liberais. E eis que este me convida a participar de algo que ele quer fazer há muito tempo. Um estúdio de criação. Ele fotografa, a esposa ilustra, um outro amigo faz vídeos e sites, só faltava quem fizesse a venda.

Eu, no caso. E topei. Porque não? Pode ser o que trará o retorno mais rápido.

Então comecei a ligar para empresas e consegui um job de última hora. Fizemos em tempo recorde e fui levar o trabalho finalizado. A empresa fica na Bela vista e quando estava indo, vi muitas lojas onde eu poderia passar dias sem me entediar. O lugar é repleto de antiquários e no meio do caminho vi uma pequena lojinha, com massas e biscoitos. Daquelas que parecem bem antigas.

Quando estava voltando, resolvi passar lá (só para xeretar mesmo, já que ainda queria passar nos antiquários e eram mais de 16h). Uma olhada rápida e vi muitas massas e num cantinho, umas bandejas com doces. Na hora vi algo que queria provar há muito tempo: Cannoli!

Eu os conheci no blog do Katsuki (http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br) e fiquei com vontade de provar. Parecia bem diferente daqueles canudos com doce de leite ou de abóbora que eu comprava na vendinha perto de casa.

Mas nesse dia eu estava sem dinheiro e saí deixando para trás o último dos cannoli de creme.

Felizmente, tive que voltar lá depois de alguns dias, e então fui decidido a comprar o doce. Passei lá na saída e fui logo procurando os cannoli. Se não tivesse acho que teria levado algum outro porque todos tinham uma aparência deliciosa. Mas lá estavam eles, vários cannoli de chocolate com avelãs!

Fui ao balcão e paguei R$4,50 à moça do balcão. Peguei o doce (você mesmo se serve) e munido de um pratinho e guardanapos que ela me forneceu, analisei o produto.

A casquinha parecia bem crocante, mas achei um pouco grossa. Tive a impressão de que seria daquelas que eu comprava na vendinha, que eram meio duras e às vezes nocauteavam minhas obturações.

Na primeira mordida essa impressão desapareceu. A massa é deliciosamente crocante e saborosa. O recheio farto de nutella (tive a impressão de ser esse o recheio) faz qualquer sair do regime, mas eu estava no céu. Fazia tempo que não comia um doce tão bom.

E enquanto saboreava calmamente o meu cannolo (cannoli é plural), fiquei olhando as outras coisas da loja. Tem uns pães muito bonitos lá e outras massas que nunca tinha visto antes, além de embutidos diversos. Para quem só conhecia salame e mortadela, era uma infinidade lá pendurada.

Antes de sair, pedi um cartão. O lugar se chama Padaria Italianinha (r. Rui Barbosa, 121 - 11 3289-2838/3141-4166) e é uma padaria tradicional da Bela vista. O site deles é www.padariaitalianinha.com.br e tem uma lista de tudo que eles fazem de bom por lá.

Nessa semana, o cannolo que comi foi a comemoração por um trabalho bem feito e para que venham outros ainda melhores.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Hardware, software, headacheware

Desde a minha 8º série (atual 9º ano, eu acho) eu já sabia o que queria fazer da vida. Queria fazer propaganda. Dessas que passam na tv. E acho que tão longínqua quanto, é a infindável discussão a respeito de um dos mais usados, e igualmente odiado, software de vetorização.

Para quem não sabe, todo designer gráfico que se preze, usa um software de vetor qualquer que seja. Antes, os Macintoshs dominavam a área, pois eram as melhores máquinas para tal função. Depois os PCs baratearam (os Macs, não)e melhoraram sua performance. Até o Windows deu uma melhorada (cópia descarada do Mac OS, que é cópia descarada de um ambiente gráfico desenvolvido pela Xerox).

Seguindo essa mesma linha de tempo, é natural que os softwares desenvolvidos para design gráfico fossem feitos para Mac e só para Mac, afinal quem iria usar um PC para isso? O pacote Adobe, na época na versão com duas cores- preto e verde ou preto e laranja dependendo do fósforo do seu monitor- só existia para Mac.

Um dia, um canadense pensou: Porque não fazer um software de vetor para PC?

A resposta deveria ser que os PCs em sua imensa maioria não prestavam para a coisa. Mas o canadense, tal qual um Wolverine dos programadores, juntou sua equipe de mutantes em códigos de programação e desenvolveram aquilo que seriam, até hoje, a maior das contradições do mundo do design: O Corel Draw.

Todo mundo odeia o Corel, tem gente que nem sabe porque, mas odeia. E o pior é que, seja por qual motivo for, usa. E diariamente.

Bom, a razão dessa raiva toda pode ser porque o Corel foi um dos, senão o primeiro, software de vetor para PC. Não lembro se antes havia uma versão para Mac e, já rejeitado nos reinos da maçã mordida, resolveu se mudar para uma vizinhança mais acolhedora. Fato é que desde seu surgimento, muitos passaram a odiá-lo e com razão. A partir de então, qualquer um com um PCzinho em casa se dizia publicitário, ou designer. Ou pior ainda, diziam que faziam "Desing".

Bom, esses ainda devem "fazer desing" até hoje.

Outro motivo, e esse bem mais sério, era que o Corel tinha um sério problema de daltonismo. Eu diria até que seria um caso de anacronismo (quando o indivíduo vê tudo preto e branco, ou ao menos não consegue distinguir as cores) e chutava quais cores estavam sendo usadas.

Era comum ver vermelhos que quando impressos viravam o mais esdrúxulo dos magenta (AKA: Fúcsia)meio roxo, meio rosa. Tons de azul que ficavam verdes e deixavam brancos os designers e vermelho-fúria os donos de agência e diretores de criação.

Só isso bastou para que todo profissional sério se recusasse a utilizá-lo. Bom, isso até a popularização maciça dos PCs, dos processadores Pentium III e IV e da grande maioria das gráficas adotá-lo como principal software.

Claro que as grandes gráficas, mesmo tendo um corel lá perdido para atender aos clientes desavisados que o utilizam e acham o máximo, ainda usam o pacote Adobe como principais softwares, mas atendem os clientes "Corel Drawístas".

Eu particularmente, gosto do Corel para algumas coisas. Como eu trabalhei só em pequenas agências, a maior parte do tempo usei o Corel em PCs. E me habituei a usar as ferramentas de desenho dele. Gosto muito do Illustrator, mas algumas coisas eu resolvo mais rápido no Corel, nem que depois tenha que exportar para o Illustrator para finalizar.

E eu ainda me dou ao luxo de plugar um segundo monitor para facilitar o trabalho. Todas as paletas de funções e janelas secundárias, eu deixo nesse segundo monitor e fico com a minha tela livre para trabalhar, com a maior área útil disponível possível.

Outro dia, entre atender um cliente, procurar por um serviço de tradução "overnight" e ainda receber e encaminhar o material do cliente, estava eu fazendo uma ilustração no Corel. Fui desligando as coias que não ia precisar mais, inclusive o segundo monitor, que já não era necessário.

Liga para um, manda e-mail para outro, atende ligação e se não bastasse, lembro de uma amiga que anda meio chateada esses dias. A coisa mais natural e lógia a se fazer num caso desses é, obviamente, abrir o Corel e começar uma ilustração para animá-la um pouco. Uma coisa simples, que não deveria tomar mais que uns minutos e ainda a deixaria mais feliz.

E comecei o desenho enquanto atendia telefone, encaminhava e-mail, recebia material, montava o cronograma de trabalho. Um fundo em degradèe, uma círculo aqui, outro ali para compor uma figura. E aí percebo que a cor não está do jeito que quero. clico no ícone para abrir a janelinha onde eu posso determinar qual a cor exata que eu quero e... Nada.

Ué? Já deveria ter aberto. Deixa aí mais um pouco que eu tenho que atender essa ligação. Agora vejo se tem resposta no e-mail. Ok. Encaminho a resposta. Volto ao Corel e nada ainda. tento clicar em outra coisa e aquele som característico de Windows travado": Paaaam!

Que droga. Como assim? Clico de novo: Paam!
Paampaampaam!

Aperto ESC e aí no primeiro clique, dá certo. Ué? Que coisa... Clico de novo para editar a cor e nada. Paam!

Droga, não acredito. Mas agora não tenho tempo para resolver isso.

Resolvido o job, material finalziado entregue, cheque recebido e depositado, voltei para a máquina. Coloco o CD, peço para corrigir o programa. Faço a atualização que está disponível. Volto ao Corel, tento editar a cor e PAAAM!

- ARGH! Esse bicho tá me tirando do sério. Era só que faltava.

Resolvo desinstalar tudo e reinstalar de novo. Tento outra vez e PAAAM!

- Mas que droga! Nunca vi isso antes.

E desinstala, reinstala, atualiza, faz tudo de novo e de novo e de novo! Parecia o Baby da família Dinossauro: "Di novo!"

Resolvi pedir ajuda a outros designers, um pessoal muito bacana que eu perdi duas oportunidades de conhecer pessoalmente. Os e-mails começam a chegar e não podia ser diferente.
-Cara, nunca vi isso. Tenta reinstalar
-Faz melhor, desinstala e instala o Illustrator!
-Já experimentou usar outra mídia? Uma que não seja do Corel?

Foi bom ver as respostas do pessoal porque ao menos dei umas risadas. Todos realmente queriam ajudar, mas com esse problema do além, acho que nem o Chico Xavier.

A minha esperança era alguém já ter passado por isso, mas pelo visto eu era o pioneiro. Aí resolvi apelar. Chamei um amigo que é programador.

-Cara, me diz uma coisa. Qual o aplicativo que comanda aquelas janelas, tipo de menu, que ficam "flutuando" nos programas.
-Aí depende. Porque?
-É que a paleta de cores do Corel não aparece, mas o Corel trava e só volta se eu aperto ESC. Até parece que a janela está lá, só que invisível.
- Ah! Isso pode ser duas coisas. Ou o programa tá com algum problema e você via ter que reinstalar, ou por algum motivo a janela está em um lugar onde você não tem acesso. Tenta colocar a resolução máxima possível que normalmente aparece pelo menos um cantinho da janela e você puxa ela de volta.

Nessa hora na minha cabeça eu escutei um PAAAM! Claro! Só podia ser isso. Voltei à mesa com o outro monitor e pluguei ele no note. Na primeira tentativa, lá estava a paleta. Sozinha no outro monitor.

Por algum motivo o Corel achou que eu ainda estava usando 2 monitores e jogava as paletas todas para lá. Afe!

Mais uma do Corel para a minha coleção.


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Workin´ for a Livin´

Somedays won't end ever and somedays pass on by,
I'll be working here forever, at least until I die.
Dammed if you do, dammed if you don't
I'm supposed to get a raise week, you know damn well I won't.

Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin', livin' and workin'
I'm taking what they giving 'cause I'm working for a livin'.


Enquanto Huey Lewis seguia em frente com a sua música, eu me dirigia ao trabalho. É muito difícil escutar essa música, então gravei um CD com ela e mais uma dezena de outras músicas que gosto de escutar.

Essa letra é especialmente indicada para o trajeto "casa/trabalho". Apesar da verdade angustiante da letra, o ritmo é bastante animado e por isso o astral dela é positivo. E não tem como não escutar e pensar: "É, eu também trabalho para viver".

Hey I'm not complaining 'cause I really need the work
Hitting up my buddy's got me feeling like a jerk
Hundred dollar car note, two hundred rent.
I get a check on Friday, but it's all ready spent.

Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin', livin' and workin'
I'm taking what they giving 'cause I'm working for a livin'.


O melhor de tudo é que estou voltando de férias. Sempre peço as minhas férias em janeiro por causa das minhas filhas. Assim podemos aproveitar o mês para viajar (quando dá) ou pelo menos ficarmos juntos mais tempo. Por essa razão parei de vender parte das minhas férias. Passei a tirar os 30 dias. E quando acaba, é sempre uma tristeza, porque eu só verei as pequenas aos fins de semana.

Mas sem crise. Trabalhar é preciso e vamos em frente. Chegando no escritório, nada de novo. Comecei a organizar a minha mesa, abrir a pilha de correspondências acumuladas e ver os e-mails que ficaram parados na caixa postal.

E estou lá respondendo vários e-mails, algumas reclamações que chegam pelo SAC, redireciono o que precisa e então o telefone toca.
- Oi, é a Andressa do RH. Tudo bem?
- Oi Andressa. Tudo e você?
- Também. Ahnn... deixa te perguntar uma coisa. Você voltou hoje ao trabalho?
- Sim, como tirei o mês todo, foi do dia primeiro até o dia 30. Volto hoje.
- É que no meu sistema você ainda está de férias.
-...
- Como o dia primeiro foi feriado, só podemos lançar as férias a partir do primeiro dia útil seguinte.
- Então, quando eu deveria ter voltado.
- Depois de amanhã. Mas faz assim, porque você não volta agora para casa e daqui a dois dias pode chegar depois do meio-dia para compensar o que você trabalhou hoje, pode ser?
- Sim, claro. Sem problema.

Bom, terminei de responder meus e-mails que estavam parados e voltei para casa. Depois de dois dias quando retornei ao trabalho, após o meio dia como combinado, não conseguia abrir nada. E-mail, rede, nada.

Então um dos administradores de outro setor, que nada tem a ver como meu, me chama para conversar.

- Então cara. Eu nem sei direito o que falar. Você sabe que nós estamos com problemas, né?
- Sim, claro. Até conversei com o vice-presidente antes de sair de férias porque eu acho que posso fazer mais pela empresa se tiver mais atribuições do que atualmente.
- Pois é. É sobre isso que quero falar com você. É que me pegaram de surpresa, eu também não esperava por isso e...
- Putz... Já entendi...
- Desculpa cara. Eu nem sei te dizer o porque. Só sei que serão vários cortes ainda e nem sei se eu também não estou no meio.
- Desencana. Se isso acontecer, não esquece de apagar a luz.
- Queria que fosse assim. Mas espero que você consiga se recolocar logo e em um lugar melhor.

Bom, voltar de férias e descobrir que você está de férias não remuneradas indefinidamente... Não tem preço.

Juntei as minhas coisas e após as despedidas de praxe, voltei para casa para pensar no que fazer. Tenho um projeto incabado que talvez possa alavancar agora.
Duvido que eu consiga me recolocar rapidamente desta vez. Vou ter que encontrar algo que possa me sustentar durante esse tempo. Ou quem sabe eu já esteja preparado para seguir uma carreira solo.

Sempre quis ter uma empresa, mas nunca me senti empreendedor. Falhei miseravelmente em algumas tentativas e uma delas era bem recente. Faltou mais grana que outros fatores, mas mesmo assim foi um fracasso.

Fiz a via sacra dos recém desempregados: Me cadastrei em todos os sites de currículos gratuitos. Alguns eu já utilizo, só atualizei as informações. Agora tenho disponibilidade imediata.

Em menos de um mês, esgotaram todas as vagas disponíveis, para algumas eu já tinha enviado dois ou três currículos. Então, como nenhuma entrevista apareceu, resolvi analisar as outras possibilidades.

Nesse meio tempo, um amigo fotógrafo me liga e sugere uma parceria. Excelente. Mais uma opção e esta talvez seja a que tem o retorno mais rápido.


Ooh, Workin' for a livin'
Ooh, taking what they giving
Ooh, Workin' for a livin'
Ooh, ooh

Bus boy, bartender, ladies of the night
Grease monkey, ex-junky, winner of the fight
Walking on the streets its really all the same
selling souls, rock n' roll, any other day


As opções estão na mesa. Só que eu não tenho tempo para testar, não tenho grana suficiente para errar. Só tenho uma tentativa. Nesse caso só tenho uma alternativa.

Tentar todas ao mesmo tempo.

Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin' (workin')
Workin' for a livin', livin' and workin'
I'm taking what they giving 'cause I'm working for a livin'.

Workin' for a livin', livin' and workin'
I'm taking what they giving 'cause I'm working for a livin'.
Workin' for a livin', livin' and workin'


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Dentes... Pra quê te quero?!?

Já faz um bom tempo que os meus sisos nasceram. Ou melhor, os superiores nasceram e os inferiores fizeram um serviço digno da atual administração deste nosso País. Além de não nascerem completamente, ficaram na horizontal.

Os superiores extraí faz tempo, foi uma extração simples. Basicamente um empurrãozinho aqui, outro ali, um "crec" pra cá e dois pra lá... Um puxão e lá se foi um deles.

Depois de uns dias, foi-se o do outro lado. Quase a mesma coisa, acho que foi até mais simples. Mas aí chegou a vez desses inferiores.

-Bom, esses aqui vai ser mais complicado.
-Como assim?
-Vai ser preciso cirurgia. Aí é melhor fazer com a minha esposa. Lá no consultório dela é mais equipado e ela é especialista.
-Credo. Cirurgia?!?
-É. Mas é rotineiro. Não é um bicho de sete cabeças, só que eu nãofaço esse tipo de extração.

Bom, o dentista é meu amigo e lá fui eu fazer a avaliação com a esposa dele. Radiografia dos dois lados, panorâmica, etc,etc.

-É. Tão bem de lado.
-Muito complicado?
-Aparentemente não, mas não dá para dizer antes de abrir porque às vezes, na radiografia aparece tudo bonitinho mas quando abrimos a gengiva é uma complicação só. (excelente explicação!)
-Sei... E quanto fica isso?
-R$250,00
Achei caro, mas comecei a pensar que eram dois dentes e tal, e ela completou:
-...cada um.

Putz! 500 pilas para tirar esses &$*&@&# de dentes do siso? Nem a pau!
-Bom, eu vou pensar porque é meio caro...
-É preço padrão para esse tipo de cirurgia, mas se ajuda eu posso fazer em duas vezes.
-Tá. Vou pensar.

E fiquei pensando pelos próximos 6 ou 7 anos.

Aí, a coisa começou a incomodar porque esses bichos empurram os outros dentes e às vezes toda a arcada fica dolorida. Descobri uma rede chamada Sorridents que faz todos os procedimentos e ainda parcelam em várias vezes. Como são franquia, acabam com um preço mais em conta.

Fui lá porque a gengiva superior inchou e ficou muito dolorida. Com receio de ser uma gengivite ou algo assim, marquei uma avaliação.

Não sei como são as outras clínicas, mas a dentista que fez a minha avaliação é muito bonita. Isso, de alguma forma, ajuda bastante. Ela receitou um antibiótico e pediu retorno depois para fazer uma limpeza e já identificou de cara duas coisas: Os sisos e a falta de aparelho nos meus dentes.

-Então você toma esse antibiótio para cessar essa inflamação e depois volta.
-Ok.
-E você precisa tirar esses sisos, você sabe né?
-...Hmmmm.É, eu sei.
-E aparelho? Nunca pensou em usar? Dá para deixar os seus dentes direitinho.
-Ah, já usei um tempo,mas depois parei no meio e nunca mais voltei a usar. Já os sisos, esses tem incomodado mesmo.

Ela já me encaminhou à ortodontista (também uma moça muito bonita. O que acontece com as dentistas desse lugar??) Ela fez toda a avaliação, indicou que seria preciso extrair mais 4 dentes, ou fazer uma cirurgia maxi-bucal para corrigir a posição do maxilar inferior, mas essa teria que ser em um hospital mesmo. Eu heim?

Bom, tive que fazer uma radiografia panorâmica nesse meio tempo que serviria tanto para verificar se houve algum dano na raiz do dente por causa da inlfamação, como também para a ortodontia e a extração do siso.

No retorno, fiz a limpeza e já agendei a extração do siso. Na sexta feira antes do carnaval, assim teria tempo para me recuperar, já que eu previa que precisaria cortar o osso para liberar o dente e isso deveria doer pacas depois.

No dia fatídio tudo ia bem, não fosse um porém. Eu tenho um pavor incontrolável de agulha. Qualquer uma. Até para pregar botão em camisa eu suo frio. Mas fui tentando me "auto-convencer-me-a-mim-mesmo" durante o caminho de que essa fobia não existia.

E olha, vou te dizer. Não estava adiantando nada.

Sentado na sala de espera, fiz as minhas últimas tentativas, mentalizei a agulha, imaginei ela chegando e... Parei porque estava piorando tudo. Finalmente a dentista me chama.

Agora todo mundo vai achar que, ou estou mentindo ou então preciso desesperadamente de uma companhia feminina, mas ela também é bonita! Isso pra falar a verdade ajuda demais, porque já imaginou, você encarando uma fobia e ainda por cima aparece um rascunho do inferno feito a lápis com ponta solta para ter tratar??

E também, porque o instinto diz que você não pode dar vexame na frente de mulher bonita (feia pode).

Como é de praxe avise a ela da minha fobia, mas ela é super tranquila e isso passou uma segurança muito grande.

-Bom, estou vendo aqui na sua radiografia que eles estão bem deitados.
-É, mas eu queria tirar os dois hoje.
-Os dois? Eu acho que é melhor tirar um lado de cada vez, senão como você vai comer?
-Ah, de qualquer jeito eu vou ter que apelar para sopas, né? Então achei que seria melhor fazer tudo de uma vez só, ainda mais por causa desse med absurdo de agulha que eu tenho.
-Entendi. Mas vamos fazer assim. Vou tirar um só. Depois, se você estiver legal, tranquilo, tiramos o outro.
-Ok. Pode ser.

E lá fomos nós. Uma assistente acompanhava a dentista, do outro lado da cadeira. Basicamente para impedir que ficasse muito líquido acumulado na boca.

A cadeira começou a deitar e eu respirei fundo.

-Tudo bem?
-Sim.
-Então vamos começar. Essa pasta é um anestésico tópico. você nem vai sentir a picada da agulha.
-Hmm,hmm.
-Ok. É rapidinho e você vai sentir um formigamento.

Ela aplicou um pouco e esperou o anestésico agir e só então aplicou o restante. Foi bem tranquilo, apesar de eu ter a impressão que fiquei até sem respirar até ela terminar de anestesiar tudo.

Daí metade da minha boca começou a ficar dormente, mais precisamente o maxilar inferior e só do lado direito da boca.

A extração começou bem. Ela ia explicando os passos e a essa altura já não estava mais tão nervoso. Pelo menos eu acho que não.

Cortou a coroa e avisou "você vai sentir um pouco de pressão e vai ouvir um "crec", ok?"

E lá se foi um pedaço do dente.
Maravilha. Se for assim, tiro os dois hoje mesmo, pensei confiante.

Mas aí ela começou a tirar a raiz.
-Hmmm. Eu vou ter que abrir mais um pouco. Vou usar a broca bem de leve para você não sentir muito a vibração, ok?
Eu não conseguia responder nada, mas estava confiante que não seria muito demorado.

Mas aí ela empurrava e nada. Mais broca, empurrava e nada.
-Não é possível que isto ainda seja osso.
Broca, broca. Empurra, puxa e nada.

Volta a broca. Empurra e dessa vez eu ouvi um "crec" e pensei: "beleza, acabou! vamos para o outro lado".

E ela disse:
-Certo. Agora só falta a outra metade da raiz.

Aí eu pensei, quantas raízes tem essa porcaria afinal? Todo mundo fala que esses dentes do siso não prestam, que cariam à tôa, são fracos... Bom, não tava parecendo nada fraco não. Era mais uma mistura de Exterminador do Futuro com Duro de Matar.

-Hmmm... Esse pedaço vou tirar tudo na broca. Não vai sair.

E dá-lhe broca! Ainda bem que a minha fobia é da agulha, porque se fosse da broca ou do barulho do motorzinho...

Finalmente, um siso a menos. Feitos os pontos, finalmente pude fecha a boca. Foram só 2h com ela aberta e eu quase esqueci como se faz para fechá-la. Na hora, apesar de estar com os músculos da boca bem cansados, ainda achava que iríamos tirar o outro. Mas antes que eu fizesse qualquer insinuação a esse respeito ela disse:
-Olha, mesmo que você queira eu não vou retirar o outro dente hoje. Foi preciso mexer demais nesse aí e a possibilidade de ficar inchado é muito grande. Se eu fosse imprudente a ponto de extrair o outro lado também, você acabaria ficando com os dois lados tão inchados que não seria possível nem mesmo beber água.

Eu me sentia bem, sem dor, mas meio desgastado. Concordei imediatamente com ela.

Ela me deu uma dose de paracetamol, para prevenir a dor. Me deu a receita com os outros remédios que eu deveria tomar, compressas de gelo, repouso, nada quente, etc,etc.

Me deu também o telefone dela, caso eu tivesse alguma complicação ou dúvida. (Ok, ok. Sem piadinhas. Foi puramente profissional).

Comprei os remédios, voltei pra casa, peguei gelo para fazer as compressas e fiquei de cama. Depois de uns 30 ou 40 minutos, com a tv ligada e sem prestar muita atenção nela, veio um lampejo de lembrança.
Era a dentista dizendo algo sobre já tomar um dos remédios logo que chegasse em casa, algo sobre o paracetamol, remédio à base de cortisona...

E agora? Qual será? Comecei a olhar o monte de caixinhas em cima do criado mudo e aí a realidade me acertou feito um tiro.

O local da extração começou a doer e estava aumentando rápido. Fui ver a receita. Paracetamol deve resolver. CARACA! Era para ter comprado o de comprimido. Esqueci.

Deixa ver o que tem aqui (e a dor aumentando)... Só tem infantil! Vai ter que servir. Mas aí, antes que eu conseguisse pegar uma dose, a dor ficou insuportável e eu mal consegui tirar o frasco da caixa.

Vendo que eu estava com algum problema minha mãe imediatamente veio e fez a única coisa que seria possível fazer naquela situação:
-O que você tá procurando?

Eu não consguia nem pensar quem dirá responder algo. Reunindo o que me restava de controle, comecei a bater com o dedo na caixa e tentei (em vão) tirar o frasco dela.

-Você quer o quê? Paracetamol? Mas isso é para criança, não é muito fraco?

Sim. A minha mãe escolhe sempre os melhores momentos para discutir os assuntos mais relevantes.

-Ah, deixa eu pegar o meu óculos. Porque aqui tem um remédio que o seu pai tomou quando fez os implantes dentrários dele. Deixa eu ver... (calmamente vasculhando o armário) É esse aqui, ó. Lisador. Não é para você tomar esse aqui?

A essa altura eu já estava tentando tomar o paracetamol com a caixa e tudo mesmo, só não consegui porque era impossível abrir a boca. A dor era insuportável. Eu peguei a caixa e comecei a agitá-la para ver se caía o frasco de dentro.

-Você quer esse aqui mesmo? Mas cadê a receita? Ah, aqui tá falando que é o de comprimido, cadê o comprimido, você comprou?

Eu balbuciei algo como "Nãããã~...". quem sabe ela entenderia que eu queria aquele porque não tinha o comprimido.

-Não? Mas porque não comprou? Eu vou lá comprar então.

-HMMhHnmMMHHmh mh MHMHMHMMHmhmMHMHMHmhmhmhhmhhmMHM!
-Ah, tá bom. vou dar esse aqui então. Quantas gotas?
-HHHHHHMMMUMMMMMUMMMMMMMMFMMHMMHMMMHM
-Pronto tá aqui.

Eu nem lembro como eu fiz para beber, mas logo em seguida a dor começou a diminuir.

E voltei a pôr gelo. Minha mãe foi comprar os comprimidos mesmo assim. Mas a dor mesmo, já estava passando.

Fiquei o carnaval todo praticamente de cama e tomando sopa. PAra não ficar só nisso fiz gelatina. Ou melhor, ia fazer mas minha mãe acho que eu estava dopado demais para operar o fogão.

É, um siso e 4 Kg a menos!