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Prepare-se para entrar em uma zona...: Outubro 2009

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Bateria não incluída.

Algumas vezes você acha que tudo está dando errado. Você se interessa por uma garota e descobre que ela é comprometida (alguns não ligam para isso, mas esse definitivamente, não é o meu caso), o palm que você tem certeza de que colocou no bolso do paletó não está lá, e nem em lugar algum, e para finalizar acordou tarde porque o seu despertador era o palm, que deveria estar no bolso e agora está em algum lugar no passado.

Não tinha muito o que fazer a não ser tentar compensar o máximo possível o dia, já que teria que sair uma hora antes do expediente normal naquele dia. O carro andava meio estranho já fazia algum tempo, já tinha levado ao mecânico mas nenhum problema foi constatado. Foi feita uma regulagem e parecia que estava tudo bem.

Rateava às vezes. Na marcha lenta, de vez em quando, morria. Ou quando desligava e religava em seguida (num estacionamento, por exemplo) parecia que o motor de arranque estava emperrado. Mas bastava insistir e ele pegava numa boa.

Exceto é claro, quando você não tem tempo. Aí ele ficava manhoso "nheeeeennn,nhenhen...nheeeennheeeen". Algumas vezes eu escutava nitidamente ele dizendo "Neeeeeemmm. Neeeeeeeeem.(vem, que não tem!)".

Nesse dia ele estava indo bem, enfrentou o trânsito "matinodiúrnicovespertinal" bravamente. Encarou subidas e descidas como um bom Volkswagen, sem pestanejar. Cheguei ao estacionamento e, como ainda haviam vagas próximas à saída, decidi eu mesmo estacionar. Naquele local ainda poderia levar a chave.

Posicionei o carro meio de viés na vaga e ia engatar a ré para acertar o carro. Nesse instante, o motor simplesmente apagou. Nem posso dizer que "morreu", porque normalmente ele dá uma engasgada antes e então para. Mas dessa vez foi diferente. Simplesmente, parou.

Tentei uns 5 minutos fazer o motor funcionar e nada. Daí empurrei o carro para vaga (sorte que já estava quase certo na vaga) e liguei para o seguro.

-Olá senhor, em que posso ajudar?
- Meu carro parou aqui no estacionamento. Não consigo fazer o motor pegar de jeito nenhum. Bateria tem , porque tudo que é elétrico funciona, e combustível também tem.
- Antes de enviuar um guincho eu posso pedir a um técnico para ir até o local. Se ele não resolver, o senhor pode chamar o guincho logo em seguida.
- Legal. Pode ser.
- Ele chegará em aproximadamente 30 minutos.
- Ok. Obrigado.

Bom, eu já esperava que esse prazo se extendesse em pelo menos 20 minutos. Mas tão logo desliguei recebi 2 SMS. O primeiro dizia quem iria me socorrer e de onde estava vindo. "Legal. É relativamente perto daqui", calculei que os 30 minutos seriam mesmo suficientes.

O segundo dizia que se eu quisesse receber informativos do equipamento que está no veículo do técnico, bastava responder ao SMS. E agora? Não tinha mais créditos, mas tentei mesmo assim. Foi.

Acho que todas as seguradoras fazem isso, mas só desta vez posso afirmar que a seguradora banca o SMS de resposta.

Em uns 20 minutos, lá estava o técnico.Antes do previsto. Muito cortês, ele se apresentou e perguntou o que tinha acontecido. Expliquei exatamente o que ocorreu e ele disse "Podem ser duas coisas, ou a bateria não está segurando carga ou o alternador pifou". Daí ele tirou um medidor da maleta e espetou nos terminais da bateria. "olha só, está marcando pouco mais de 12v. Para o motor girar,precisa ter 13,8V".

Daí puxou uma bateria da maleta da moto e ligou na minha, mostrou que a carga estava correta, 13,8V e pediu para eu dar a partida. Se o alternador estivesse ruim, a carga ia continuar assim ou cairia. Quando entrei no carro, ele já havia posicionado o medidor de forma que eu pudesse ver o visor. Dei a partida, o motor pegou na hora e o medidor acusava 14V!.

"É a bateria", disse ele, "você vai preciar trocar a bateria, mas não tem problema. Veja onde quer comprar a bateria e, se você quiser, nem precisa ir lá buscar. Deixe pago e me avise onde é que eu passo lá, pego a bateria e venho aqui instalar ela pra você".

Caramba! Não esperava por isso. Beleza. Como ele estava sem celular, ficou de me ligar às 15h para agendarmos a instalação.

(continua)


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A fúria

Fazia tempo que eu não ia ao Burger King. Eis que, numa dessas passadinhas no shopping que deveriam ser de uns 30 minutos e se extenderam por mais de 3 horas, eu me encontrava num estado de fome absoluta.

Esse é aquele estado em que você quer comer algo, precisa comer logo e quando o faz, acaba escolhendo algo maior do que realmente precisava. Não chegava a ser desesperador, mas o cansaço de acompanhar 3 mulheres (minha mãe e duas filhas) ao shopping, fez com que a fome se tornasse ainda mais evidente.

Tentei me ater à missão do dia: comprar o presente da minha mãe. Neste caso, é um ferro de passar roupa.

Antes que as feministas de plantão começem a queimar ferros de passar em praça pública, bradar por direitos iguais (desde que sejam mais iguais para elas, claro) ou fazer qualquer manifestação do gênero, aviso que eu gostaria de comprar qualquer outra coisa, mas a minha mãe faz questão deste ítem indispensável.

Enfim, entre uma loja e outra o lado "avó" sempre fala mais alto e lá fomos nós ver um mini parque da Mônica, montado no pavilhão central (nossa! Até parece que é "O" shopping). 20 minutos depois (era o tempo estipulado para cada criança permanecer lá. Ao menos, é gratuito) continuamos a procurar o invejado presente.

Eis que ela, minha mãe, resolve lembrar que logo será dia dos professores e meu irmão é um deles. Logo merece um presente. Compramos uma camisa e continuamos a saga.

Em nenhuma loja encontramos o tal ferro de passar, que aliás, tem nome e sobrenome. Ela faz questão que seja aquele. A esta altura do campeonato, eu já estava meio zonzo e aí vi que estava morrendo de fome.

Perguntei se alguém queria sorvete e, como previ, todos aceitaram. Aproveitei para ir ao Burguer King que estava mais perto. E chegando lá avisei que eu iria pegar um hambúguer porque estava com fome. Como já era tarde, resolvemos todos comer algo por lá. Um lanche de frango e um suco para minha mãe, lanche Kids para as meninas e... Opa!

O que é aquilo?!? Whooper Duplo Furioso? Eu já ia pedir um Whooper Triplo com queijo, como sempre mas esse me chamou a atenção. Era um Whooper Duplo com pimenta Jalapeño. "Ah! Tem que ser esse aí! Quero ver qual é a desse sanduíche!", pensei.

Nas primeiras duas mordidas, nada de mais. O mesmo Whooper de sempre. Mas aí cheguei no que interessava: a pimenta!

Diferente do que imaginei, não era um molho de pimenta espalhado pelo hambúrguer, mas a própria cortada em fatias. Nesse momento eu entendi porque essa pimenta é chamada de "a pior pimenta do mundo". Não é porque ela é ruim, mas porque arde feito um vulcão em erupção.

O pior de tudo é que esta pimenta é saborosa, então fiz questão de mastigar bem cada pedacinho para sentir bem o gosto.

Quando estava na metade do hambúrguer minha filha disse: "Pai. Você tá suando! Tá tudo bem?"

"Claro que está! É que este hambúguer é com pimenta."
"Ah, por isso você tá vermelho assim?"

Bom, não sei se era verdade, mas eu me sentida desse jeito mesmo. A coca-cola era só um paliativo. Contra o ardido da pimenta só leite resolve (momento Telecurso: O leite tem uma proteína que envolve a susbtância da pimenta que causa o ardor, minimizando ou até anulando seu efeito. Isso vale para qualquer produto feito com leite, iogurte, queijo, creme de leite, etc).

Minhas filhas só riam e me davam bronca: "Também, pai, para quê você foi comprar um sanduíche com pimenta? Só pra ficar suando aí desse jeito é?", "É mesmo pai, você não sabe que isso é ardido?"

Mas eu comi tudinho e olha, vou dizer, que hambúrguer gostoso! Muito bom mesmo.

Claro que logo depois, ainda fiquei uns 15 minutos sob efeito da pimenta e dali, fui direto buscar os sorvetes (que como reza a tradição do bom sorvete, tem leite na receita!)

E venci a fúria. Pelo menos, até agora!