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Prepare-se para entrar em uma zona...

domingo, 21 de agosto de 2011

Em um relacionamento sério

As mídias sociais surgem para conectar pessoas e facilitar o compartilhamento de informações. Isso acontece diariamente com milhares de pessoas ao redor do mundo a cada segundo.

Eu já encontrei, via facebook ou Orkut, pessoas que não via há anos e que, se dependesse de um encontro físico, nunca mais encontraria. Também surgem pessoas do além, que você nunca viu, mas que por algum motivo querem ser seus "amigos".

O mais estranho, é que com o passar do tempo, essas pessoas se tornam mesmo amigos seus. Ou o mais próximo disso que o ambiente virtual permite. E é até engraçado quando você faz isso com alguém que não conhece pessoalmente (mas gostaria de fazê-lo) e a pessoa aceita seu pedido de "amizade".

Eu, particularmente, fiquei bastante feliz quando uma personalidade do meio virtual e musa das mídias sociais aceitou o meu pedido de amizade no facebook. Pura tietagem, eu sei, mas eu sou assim.

Por outro lado, às vezes as mídias socias e suas ferramentas que tanto nos facilitam a vida, trazendo em tempo real as novidades dos seus amigos e ainda por cima organizadas em uma coluna, por ordem cronológica, nos trazem ambiguidades.

Recentemente vi no perfil de uma grande amiga que ela está em um relacionamento sério. O que é uma ótima notícia, afinal trata-se de uma pessoa incrível e que qualquer homem pode se dizer feliz por tê-la ao seu lado.

Mas senti um gostinho amargo no final. Será inveja? Eu também gostaria de tê-la ao meu lado, mas não é de hoje que eu sei que isso não aconteceria.

Talvez seja porque na minha cabeça, eu acabei de perder uma excelente companhia para um jantar, para uma conversa franca, e até mesmo para apedrejar os psicopatas do trabalho que nos cercam (leiam a materia na Superinteressante!).

Talvez...


domingo, 12 de junho de 2011

Dois pesos, duas medidas.

Como pai de duas filhas, eu sempre procurei tratar ambas com a mesma atenção e dedicação. Minha preocupação sempre foi a de não deixar uma impressão de "meu pai gosta mais da minha irmã do que de mim". Essa sensação é horrível.

Por diferentes que elas sejam, eu entendo que cada uma tem suas características próprias. Eu não gosto de dizer "defeitos" e "qualidades" porque acho isso extremamente subjetivo. Durante a minha vida sempre vi as pessoas mais velhas elogiando "qualidades" e repreendendo e criticando os "defeitos" de muitos à minha volta e minhas também.

Mas quem define o que é "defeito" e o que é "qualidade"?

Cada um tem suas próprias conclusões a respeito de qual é qual. E o que serve para você, pode não servir para mim. Na minha infância durante muitos anos tive que comer bacalhau nas sextas-feiras santas. Odeio bacalhau! Nunca gostei. Mas naquele dia, especificamente, serviam bacalhau, assado com batatas, cebolas, ovos e mais um monte de coisas.

O que pode parecer um banquete para muitos apreciadores desta iguaria era, e ainda é, um pesadelo para mim. Era um dia em que eu passava fome e a única coisa boa era reunir a família.

E porque eu era obrigado a comer algu que não gostava? "Porque sim" era a resposta. Porque não podia comer outra coisa? "Porque não pode!" era a outra resposta, entonada como se fosse uma obrigação minha nascer sabendo isso.

Bem mais tarde descobri que isso faz parte da crença cristã, que prega o não consumo de carnes vermelhas nesse dia. Só não descobri porque me enfiavam aquela droga goela abaixo, sem que eu sequer tivesse aceitado essa crença.

E fora isso, passei por muitas outras coisas desagradáveis durante minha vida. Minha mãe não compreende o sentido da palavra "igualdade". É até engraçado analisar tudo hoje. Enquanto meus irmãos eram constantemente incentivados a fazer várias coisas e suas notas eram comemoradas, no meu caso era tudo empurrado com a expressão "tem que fazer", e as minhas notas que não eram grande coisa, eram apenas criticadas.

Ah, sim! Eu uma vez tentei mudar isso. Acho que foi a primeira vez que tive vontade de estudar na minha infância/adolescência. Sim, faço esse parêntese de tempo porque hoje, me sinto à vontade para estudar o que gosto de fazer, ler livros, matérias, ver palestras. Mas naquela época eu não tinha essa escolha, tinha que estudar o que estava na pauta. É assim até hoje.

E não gostava de estudar, porque não via uma aplicação prática para aquilo tudo. De quê adiantava saber a tabela periódica ou as ligações covalentes entre qualquer que fossem os dois ou mais compostos? Química sempre foi uma incógnita para mim, nunca gostei, nunca entendi. E naquela época não via a menor utilidade para aquilo. E nunca gostei de fazer coisas à tôa.

Também ninguém se preocupou em me explicar nada. Professores incluídos.

Mas o ponto é que, vendo os meus irmãos sendo tão elogiados, fiquei com vergonha de nunca ter passado por aquilo. Fiquei pensando "onde eu estava errando?". Cheguei à conclusão de que as matérias escolares, poderiam ter essa função. "Estudamos para tirar boas notas e sermos reconhecidos por isso". Pode parecer óbvio, mas não basta dizer isso a alguém, é preciso que essa pessoa entenda.

Naquele momento entendi. E decidi que queria fazer parte daquele rol de pessoas elogiadas por seus feitos. Decidi então que a próxima prova seria minha grande virada. Checando a agenda, vi que seria de física. "Ótimo!"-pensei-"Assim será um desafio ainda maior e obviamente os elogios também!".

Faltavam poucos dias para a prova e eu não entendia nada do que ia cair. Normalmente eu tentaria decorar algumas coisas mais simples e, por que não, colar! Mas aquela vez era diferente. Eu tinha uma meta a cumprir, um objetivo a conquistar. Precisa de um bom plano.

Separei a matéria em partes: "entendo", "entendo pouco", "não faço ideia do que seja isso".

Descobri nesse momento que a maior parte da matéria estava concentrada em "entendo pouco" e "não faço ideia do que seja isso". Isso era um problema. Com o pouco tempo até o dia da prova, fiz uma seleção de exercícios. Comecei com o pouco que sabia e entendia pouco, assim podia deixar tudo como "entendo" e já teria uma parte da nota garantida.

Comecei fazendo os que já tinha feito em aula e corrigindo tudo depois, depois peguei o livro e comecei a fazer os exercícios que ainda não tinham sido pedidos pelo professor. Como tinha respostas no verso eu saberia se tinha acertado ou não. Mas o livro continha somente o resultado final, não descrevia o desenvolvimento, então quando não batiam os resultados eu era obrigado a refazer várias vezes até encontrar o erro.

E aí passei para a parte que eu não entendia nada. Como eram alguns dias até a prova, tive a chance de perguntar a alguns amigos como se resolviam os problemas que eu não tinha conseguido.

O que eu não entendia, no máximo passei a entender pouco. Aí tive que decorar umas fórmulas, mas estava apreensivo quanto à porcentagem da prova que seria baseada naquele conteúdo.

No dia anterior, revisei tudo. Fiz vários exercícios de toda a matéria. E no dia da prova, aconteceu algo que há muito não sentia: Eu sabia resolver os exercícios.
Claro que nesse meio tinha aqueles que eu achava que sabia, mas olhando a prova por cima, vi que tinha muitos bem parecidos com os que resolvi em casa, inclusive vários parecidos com os exercícios do livro que o professor não havia pedido para fazermos.

Foi uma grande expectativa até o dia em que as provas seriam devolvidas. Será que eu tinha conseguido? Será que eu teria falhado miseravelmente outra vez? Será que finalmente eu faria parte do turbilhão de elogios e risos que envolvem as boas notas? Quanto tempo fazia desde a última vez que eu tirei algo acima de 7? Na verdade fazia tempo que não tirava nada acima de 5,5 (a média era 5 e eu comumente ficava bem abaixo disso).

O professor vinha andando pela classe com a pilha de provas na mão e procurava os alunos. Então ia até a carteira dele e deixa a a prova em cima dela. O nervosismo fez uma tonelada de adrenalina ser injetada na minha corrente sanguínea. De repente as coisas pareceram andar mais devagar, em slow motion. "Não!"-pensei desesperado- "Assim vai demorar ainda mais!".

Eu não conseguia ouvir mais nada, a sala não estava em silêncio, alguns alunos que já tinham recebido suas provas comentavam o resultado. "E a minha? Cadê a minha?". Nenhum som ecoava na sala, apesar de eu ver as bocas se mexendo. Eu ouvia somente as batidas do meu coração. "Meu coração!"- no instante em que percebi que aquelas batidas surdas não eram os passos do professor, mas sim o meu coração batendo, fiquei um pouco aliviado. Afinal, ainda estava vivo!

Por estar em uma carteira próxima, o professor me olha e começa a folhear as provas. Um frio subiu na minha espinha e tive a impressão de que meu coração tinha parado quando eu vi que ele estava puxando uma folha do meio da pilha e, tudo em cãmera lenta, estava esticando o braço na minha direção.

Acho que se ele estivesse me dando um tapa na cabeça eu ia cair antes de perceber que tinha levado o tapa.

"Droga de câmera lenta! Como desliga isso?!"

Mas aí súbitamente a prova estava na minha frente. Olhei e vi alguns "X" espalhados nela. Mas como tinha alguns "C" (aquele "C" estilizado que os professores fazem, que fica parecido com a marca da Nike) tomei coragem e olhei a nota.

8.5.

Olhei para cima e tudo voltou ao normal. Deu tempo de ver o professor dizendo "parabéns! Gostei de ver!". Aí eu voltei a respirar e parei de suar frio. Missão cunprida! Agora era só voltar à base e colher os louros. Valeu a pena ter deixado de ver TV e estudado um pouco mais. Eu já estava imaginando como seria quando eu chegasse em casa com aquela prova. 8,5! Nem eu acreditava!

Até alguns colegas de classe me cumprimentaram, porque sabiam que as minhas notas não eram boas e acharam legal que eu estivesse melhorando.

E já estava fazendo os planos seguintes. "Agora não podia deixar a média baixar!"- tinha que manter aquele nível de notas e abranger também as outras matérias, porque uma só não faria diferença alguma. Por mais estranho que pudesse parecer, naquele momento eu mal podia esperar pela próxima prova. Qual seria o próximo desafio que eu iria detonar? (Já estava com arroubos de grandeza!).

Eu voltava da escola a pé e mal podia conter a ansiedade. Tentei correr até em casa, mas meus pulmões me lembraram que isso não era uma boa ideia. Quando parei de ver estrelas, voltei a andar, com passos mais rápidos e fui imaginando o que minha mãe diria quando visse a prova. Também já estava planejando como seria o estudo para a próxima prova. Matérias diferentes requerem abordagens diferentes.

Os 45 minutos habituais de caminhada passaram mais rápido do que imaginei, logo estava no portão de casa. Entrei empolgadíssimo, lembrando de tirar a prova da mochila pouco antes de entrar na sala, afinal, ela podia estar logo ali e eu tinha que fazer a entrada triunfal com o troféu em mãos.

A sala estava vazia. Mas ouvi barulho na cozinha e fui até lá, triunfante, chamando a minha mãe e fazendo mistério (sempre é bom fazer um pouco de suspense, parece que aumenta a grandiosidade do momento). "Mãe, adivinha só o que aconteceu hoje!".
Sem me olhar ela só perguntou de volta "O quê?" e aí saquei a prova dizendo "Tirei 8,5 em física!"

Naquele segundo que se passou entre eu terminar a frase e ela começar a dizer algo, revi mentalmente aquela cena digna de proganda de margarina, sorrisos se abrindo, cumprimentos e elogios efusivos, fogos e champagne... Mas antes que pudesse ir mais longe na minha imaginação, ouvi "E daí?".

Bom, certamente algo estava errado. Repensei rapidamente todos os elementos da cena. Nota boa, ok! Mãe ou pai, ok! Filho esforçado, ok! Então que diabos teria dado errado? Melhor tentar de novo.
"Mas mãe! É uma prova minha! Eu tirei 8,5 sozinho! Não é legal?"- disse eu, certo que aí sim, os louros viriam. Claro que a minha mãe não deve ter entendido da primeira vez que eu falei.

Então veio a resposta de uma forma que não deixasse dúvidas: "Ah! Você não fez mais que a obrigação, tá? Você tá pensando o quê? Que isso é alguma grande coisa?".
Na minha estupidez adolescente, ainda tentei um "mas". Nunca se deve tentar um "mas" em uma situação assim, só que o nó na minha cabeça era tão grande que eu nem pensei. Disparei um "mas eu nunca tiro notas boas, e dessa vez eu tirei".

Aí eu ouvi uma bronca, por causa das outras notas ruins, e um sermão sobre o quanto é difícil pagar um bom colégio, que ela quando tinha a minha idade, bla bla bla. E tudo isso sem sequer olhar pra mim uma única vez.

Me sentindo pior que o exército americano voltando do Vietnã, fui para o meu quarto. Sentei na minha mesa, onde alguns dias atrás estava sentado vom dezenas de exercícios de física á minha frente. Só que desta vez, tinha uma prova. Com um 8,5 marcado nela.

E em vez do cenário vitorioso, só conseguia lembrar da surra que acabava de levar. Ainda estava tentando compreender aquilo. Tentando achar uma utilidade para aquele 8,5. Eu deveria me sentir bem com ele, então porque me sentia tão mal. Era pior do que tirar uma nota baixa.

Quando percebi que a prova estava começando a borrar, concluí que "não serve pra nada!". Amassei e a joguei fora. "Isso serve para os meus irmãos, não pra mim."

Depois minha mãe, veio e tentou arrumar as coisas, disse que estava nervosa com sei lá o que. E que culpa eu tinha? Ela sempre quis empurrar a função dela de cuidar dos meus irmãos para mim. E ali ela tinha acabado de me mostrar que sempre há dois pesos e duas medidas. E era assim que as coisas funcionariam.

Já era tarde. Eu não queria exlicação alguma, ela já tinha dito o bastante. E qualquer elogio agora, parecia falso. Pior ainda, parecia uma tiração de sarro com a minha cara. Ela tentou pegar a prova amassada do lixo e desamassá-la para ver a nota. Mas não deixei. Tomei e rasguei o máximo que pude e torci os restos de forma a não deixar qualquer vestígio que pudesse ser identificado.

Eu não esqueço as coisas. Nunca esqueço e nunca perdoô. No máximo, relevo o que foi feito, mas não deixo passar.

E prometi a mim mesmo que as minhas filhas nunca passarão por isso. Pior é, hoje, estar de volta a esse mesmo cenário, que não mudou nada desde então, para continuar a escutar as mesmas reclamações e cobranças indevidas sempre.

Bom, isso devo à minha ex-mulher, à sua decisão de pedir separação para que não precisasse sair de perto dos pais dela e para que a irmão tivesse um banheiro extra na casa dela.

Pesando bem, parece que nunca me livrei dos dois pesos e duas medidas.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Às vezes

Em alguns momentos da vida ficamos com uma pilha de perguntas e nenhuma resposta nas mãos. Sempre há aquelas que demoram a ser respondidas, ou que nunca terão resposta. Mas de vez em quando, talvez de tempos em tempos, surgem períodos em que surgem muitas perguntas, dúvidas, todos os tipos de questionamentos e nenhuma resposta.

Isso é desconcertante, porque a impressão é de que estamos rodando em círculos, como em um sonho em que você corre, corre e está sempre no mesmo lugar. Pensando bem, isso está mais para pesadelo. Bem, é no mínimo desconfortável, especialmente porque isso acontece enquanto você está acordado.

Os dias tem sido assim. Sem grandes mudanças, sem grandes esperanças de que algo grande aconteça. Não tendo com quem dividir as dúvidas e incertezas, só posso contar comigo para encontrar as respostas que preciso. Talvez uma leve esquizofrenia fosse conveniente agora. Não precisa ser nada muito forte, só um ou dois amigos que possam discutir alguns tópicos comigo.

Claro que, sendo eles fruto da minha imaginação, o conteúdo mental deles seria o mesmo que o meu, então posso dizer que de certa forma seria como se eu fizesse tudo sozinho. Mas pelo menos teria alguém para debater. Ou quase.

Ainda bem que no meio desse turbilhão de interrogações que varre a minha existência, ainda existem coisas boas. Não falo de ficar com minhas filhas, isso é a melhor coisa do mundo para mim. Mas às vezes, sinto falta de ter alguém por perto. Alguém com quem as horas passem mais rápido do que deveriam, alguém que você queira estar por perto quando ela precisar, que possa contar com você assim como você conta com ela.

Não tem ninguém assim no meu horizonte. E sinceramente, desisti de tentar, de procurar. Tenho tantas coisas para resolver e essa está sendo mais uma coisa na lista de "a fazer, ainda não feito e sei lá quando vou fazer". Risquei. Deixei pra lá. Se uma hora aparecer uma garota que seja insana o suficiente para querer ficar comigo, revejo a lista. Depois de me certificar que ela não é psicopata, claro.

Nesses tempos ando vendo muito Law & Order - SUV, Criminal Minds, CSI, etc... Fiquei meio paranóico? Bom, isso é outra coisa que só vai entrar na lista depois que eu resolver alguma coisa dela.

Mas voltando ao assunto, apesar de ter riscado da lista, não significa que não sinta falta. E algumas pequenas coisas me fazem bem. Não substituem completamente, nem poderiam, mas são o bastante para me trazer de volta ao centro.

Uma delas é jantar com uma amiga. Uma pessoa muito especial, dessas que eu citei antes, com quem as horas passam mais rápido do que deveriam e blá blá blá. Ela já deixou claro, há muito tempo, que não aconteceria nada de mais. Se algo mudou, eu não saberia dizer, na verdade, vou sempre assumir que nada mudou, até que ela me diga.

Enquanto isso, somos amigos, eu não preciso criar expectativas e nem me frustar depois. Normalmente saímos para jantar, o que aliás preciso rever urgentemente. Sempre vamos aos mesmos lugares. Acho que ela merece algo diferente. O Andiamo parece legal. Quem sabe?

O mais legal de jantar com ela, é que sempre parece o primeiro encontro. Aquele que você ainda não sabe se vai ganhar um beijo no rosto ou na boca no final (alguns esperam mais que isso) e não sabe direito o que fazer, o que dizer. Aquela sensação de descobrir algo, encontrar algo novo. Eu sempre sei como vai terminar, mas isso não é uma frustração. Pelo contrário. Sei que é minha amiga, não preciso chegar a lugar algum e posso ser eu mesmo. Ser sincero do começo ao fim que nada mudará o final.

Não que eu minta quando é para valer, mas procuro omitir algumas coisas no início. Como por exemplo o fato de eu ser ateu. Isso ainda causa mais desconforto nas pessoas do que deveria. Então deixo isso para um momento lá na frente, quando o assunto surgir naturalmente.

É claro que é uma pena sempre saber o final do filme, mas vale a pena. É divertido, a companhia é boa e o principal, eu gosto dela.

Às vezes, é bom contar com alguém do seu lado.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Enfim...Fim!

Eu estava aguardando que a parestesia causada pela extração do siso inferior direito, passasse antes de encarar a extração do último deles.

Para quem não sabe, parestesia é a insensibilidade causada por uma lesão no nervo. Para todos os efeitos é como se fosse uma anestesia comum, mas dura mais que algumas horas. Isso ocorre porque em casos de intervenção cirúrgica, o nervo pode ser lesionado (se rompido pode causar a paralisia do local) ou então, devido ao procedimento efetuado, ficar pressionado por um coágulo e isso impede que ele transmita os impulsos nervosos.

A extração do siso anterior durou 2h, a dentista não conseguiu retirar as raízes do dente e precisou usar a broca em quase tudo. E ao que tudo indicava, o último siso não seria diferente.

E a parestesia estava demorando a passar. Como disse a dentista, isso não tem um tempo certo de recuperação, podem ser semanas ou meses. No meu caso estavam sendo longos meses. É uma sensação muito estranha, como se eu ainda estivesse anestesiado. O problema maior era saber se eu estava mastigando comida ou a minha língua, que devido à parestesia, estava insensível na metade direita.

E a minha preocupação era que isso ocorresse do outro lado também. Aí eu ficaria com a boca toda "parestesiada" e não ia saber nem se estava com a boca fechada ou não. E comer então? Seria como viver à base de chuchu, já que nada teria gosto algum, nem saberia se é quente ou frio.

Isso sem contar que eu ficaria falando igual ao Stallone e ninguém ia entender nada do que eu dissesse. Não que alguém entenda agora, mas não era minha intenção ficar falando como se cada parte da minha boca tivesse vontade própria e quisesse fazer coisas diferentes ao mesmo tempo.

Com quase um ano a parestesia ainda perdurava. Liguei para a dentista para saber se algo poderia ser feito para acelerar o processo. Já havia alguma melhora, o lado de fora da boca já havia recuperado a sensibilidade e só restava que a língua retornasse ao seu funcionamento normal. Não está mais totalmente insensível, sinto um formigamento, o que segundo a dentista é um bom sinal. Mas não tem muito o que fazer.

Mas tentei marcar a extração mesmo assim. Afinal, iria terminar essa novela de uma vez por todas. Queria marcar para o final do ano e decidi que final de outubro serial ideal.

Mas a dentista que fez a extração anterior já não trabalha mais na Sorridents, o que me deixou um pouco inseguro. Marcar com outro dentista e na primeira visita já fazer uma cirurgia dessas? Não era bem o tipo de situação que me deixava mais confortável.

Para piorar, marquei a data e alguns dias antes recebo uma ligação da clínica desmarcando a consulta, pois a dentista teve algum tipo de problema e não podeira me atender na data especificada. Depois me ligam novamente dizendo que uma outra dentista poderia me atender.

E no dia seguinte ligam de novo para desmarcar porque essa também teve algum imprevisto. Dada a época do ano, é de se esperar que as pessoas queiram emendar os feriados, aproveitar para esticar um pouco a semana entre Natal e Ano Novo, mas eu não estava marcando na véspera do Natal. Era no final de outubro, o que não fazia muito sentido. Então, deve ter sido realmente uma infeliz coincidência.

Então, decidi que só iria ver isso no ano seguinte. Esperei para ter certeza de que não teria nenhum trabalho para a época do carnaval e foi justamente nessa data que marquei a extração.

Conheci a dentista na hora e isso me deiava mais nervoso que o normal. Não bastasse a fobia de agulhas, ainda tinha a possibilidade de parestesia e eu não sabia quem era a dentista.

Muito simpática, ela também explicou como seria o procedimento, como seria aplicada a anestesia e tudo mais. A diferença é que ela passou um algodão com algo que julguei ser uma espécie de desinfetante no meu rosto e me cobriu com um tipo de lençol com um buraco em que o rosto fica encaixado.

Aquilo estava me deixando ainda mais neurótico porque a abertura era pequena e aquilo ficava caindo sobre meus olhos. Duas tesouradas depois, com a abertura maior e a sensação claustrofóbica eliminada, passamos à etapa seguinte. Anestesia.

Aí não tem jeito, mal consigo respirar até que ela termine as primeiras aplicações. Então o local fica anestesiado e consigo me acalmar, pois já não sinto mais a agulha na boca.

Eu já esperava que a coisa fosse complicada como o anterior, mas aparentemente dessa vez foi mais fácil. Ela cortou o dente ao meio, tirando a coroa e passou a retirar as raízes do dente.

Nessa hora, uma das alavancas que ela estava usando para forçar a raiz, escapou e me acertou um pouco atrás do céu da boca. Na verdade, a raiz se soltou mais fácil do que ela esperava e acabou não conseguindo evitar que me atingisse.

Eu tinha medo que algo assim acontecesse, já que ela precisava forçar o dente lateralmente. Bem, aconteceu. E aí pareceu que não tinha mais nada para acontecer de novidade.

Realmente a coisa foi bem rápida. E vi que dessa vez o dente saiu em 3 pedaços, como era esperado e não em vários cacos como foi o anterior.

Pontos feitos, gaze no lugar e lá fui eu comprar os antibióticos para tomar. A recuperação está indo bem, como desta vez foi preciso menos broca para tirar o dente, não ficou tão dolorido como da outra vez.

Mas ainda à base de sopa e líquidos. Quando invento de comer algo diferente, mesmo partindo em pedaços pequenos e comendo devagar, logo começo a sentir dor no local da extração. Devido à mastigação, creio eu.

Enfim, todos os 4 sisos extraídos. Só falta eu saber se consigo almoçar com uma amiga ainda esta semana. Será que servem sopa lá?


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Humor Não é para Todos

Recentemente retwittei um posto do Rafinha Bastos com uma promoção dele. É simples. O Rafinha levará, com tudo paga, de qualquer parte deo Brasil, uma pessoa para ver os shows dele. São dois e agora não me lembro quais e nem onde.

Para participar é simples, basta fazer um texto novo, um stand-up e gravar. Então você posta no YouTube como resposta ao vídeo dele e já está participando. Acredito que ele vá selecionar o melhor texto, levando em consideração a interpretação do suposto novo comediante.

Eu gosto muito de stand-up comedy, assistia ao Whose Line is it Anyway? sempre que podia e ainda vejo o que consigo encontrar no YouTube, e sabendo disso algumas pessoas me disseram para fazer um vídeo e mandar pra lá.

Como se isso fosse fácil. Escrever o texto, até é relativamente fácil. Rascunhe algumas idéias base, algumas piadas sobre qualquer tema, e com isso construo um texto. Se vai ficar bom ou não, aí é outra história.

Mas o pior é gravar o vídeo. Tem textos que, quando você lê, são hilários, mas se um pretenso comediante o interpreta, fica horrível e sem graça. A linguagem corporal nestes casos é muito importante. E também lembrar que você não está falando com uma câmera, mas com quem for assistir isso depois.

As pessoas vêem os vídeos do Rafinha e acham isso super-fácil de ser feito. Não é.

Vamos começar do princípio. O Rafinha tem anos de experiência. O cara começou quando ver um vídeo pela internet era uma tarefa hercúlea. O Site do Rafinha, tinha vídeos, jogos, e mais um monte de coisas.

Até o nome do cara é a favor da verve humorística: Rafinha Bastos. Com um nome desses você acha que é um moleque de 12 anos que faz o site, ou então que deve ser um tampinha qualquer. Mas não. O cara fugiu de algum time de basquete, que provavelmente, deveria ser uma piada! Hahaha...haha...ha... Ok, Não teve graça. Não sou o Rafinha.

Imaginem só uma enfermeira chamando na sala de espera: "Rafinha... Rafinha Bastos...", e já vai olhando para baixo, aguardando o ser desprovido de altura, ou um pivete qualquer, quando chega aquele cara que precisa abaixar a cabeça para não bater no batente da porta.

E ele é engraçado.

Já eu não teria nenhum argumento a meu favor, sem contar o fato de que eu não me acho engraçado ou carismático. Diferente do Jim Carrey, que consegue fazer caras e bocas que muitas vezes são a piada por si só.

Enfim, melhor deixar isso para os que sabem fazer e eu faço o que sei fazer melhor: assistir aos shows de stand-up comedy e rir!


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Religião?! Deus me livre!

É realmente engraçado ver como as pessoas se tornam intolerantes a partir do momento em que adotam uma religião qualquer. Não é apenas uma postura ideológica, vai além disso. Torna-se algo pessoal, é inaceitável que uma pessoa pense diferente.

Já disse diversas vezes que eu nasci em uma família católica. Estudei em colégio de freiras todo o ensino fundamental e médio. Fui batizado, sem saber que raios era aquilo. Tive que fazer primeira comunhão e durante dois anos ia à igreja, duas vezes por semana e precisava assistir uma missa no sábado.

E a essa altura eu já não acreditava no que estava escutando. Tudo parecia frio e distante demais. Não parecia lógico, nada fazia sentido. É uma atitude até óbvia, já que estava estudando e aprendendo os mais diversos assuntos. Darwin me mostrou que, o que eu já achava demasiadamente forçado, era apenas uma fábula. Newton, Einstein, o casal Pasteur, todos de alguma forma elucidaram dúvidas que antes eram respondidas de uma só forma: "Foi Deus".

Passei a questionar algumas coisas e aí é que vi a verdadeira face dos católicos. Em vez de argumentar e conversar, ficavam irados, esbravejavam que aquilo não se dizia. No melhor estilo era medieval.

E é assim até hoje. Estudei as religiões mais diversas, esperando encontrar uma que me atraísse. Sempre encontrei algo que me fazia discordar desta, ou daquela religião. Eu acho que se você adota uma religião, deve crer nela piamente. Se eu não era capaz de fazer isso, não me sentia à vontade para me dizer católico, ou budista, ou seja lá qual for.

Acabei por excluir todas as que conhecia e cheguei à conclusão que para acreditar em Deus, não preciso uma religião, nem igreja ou padre. Basta acreditar. As religiões divergem em muitas coisas, mas um ponto é essencial em todas elas: a palavra de Deus prega a paz e harmonia.

Elencando os melhores pontos podemos dizer resumidamente que Deus quer que tratemos as pessoas com respeito, sejamos benevolentes com o próximo, sermos solidários e antes de mais nada, verdadeiros.

Eu não precisava de igreja ou religião para fazer isso ou para crer em Deus. Só comecei a achar que Deus, da forma como dizem as religiões, era um pouco demais para mim. Fiquei muitos anos acreditando em Deus à minha forma. Eu nunca rezava ou ia à missa, mas acreditava que fazendo o bem sempre que pudesse, sendo o mais correto possível, e dizendo sempre a verdade seria o bastante.

E para mim, ele era apenas uma forma etérea, sem contornos definidos, uma força misteriosa. Mas não ma entidade que estivesse me olhando o tempo todo, escutando minhas súplicas e me ajudando ou castigando.

Mas se eu acritava em Deus o que houve? É um processo complicado. Eu passei anos nessa lavagem cerebral que diz que Deus existe e está em todos os lugares. "Seja bom, ou Deus castiga", "Graças a Deus", "Deus me livre".

Pois é. São frases cotidianas, que expressam apenas um pesar ou um sentimento de excusa, mas no final das contas elas surgiram porque algum cristão ora atribuía algo bom que tivesse ocorrido a Deus, ora era algo ruim que desejava que fosse afastado dele. Por Deus, claro.

Mas o que esquecem de fazer é dedicar a Ele as coisas ruins também. Afinal, "tudo é obra de Deus". Então, se você quebrar a perna diga sorridente: "Graças a Deus!"

Não? Ah! Isso não foi obra de Deus. Foi culpa da própria pessoa, ou então é "obra do Diabo".

Sei. Então vamos a uma coisa inexplicável. Pernilongos. Esse bicho não presta para nada, não tem um predador natural que se alimente exclusivamente dele, não poliniza flores, não serve para nada e ainda chupa sangue deixando o local coçando e de quebra, espalha doenças. É obra de Deus.

Um bicho que não tem utilidade nenhuma, não traz benfício nenhum, ao contrário, só traz prejuízo, foi feito para que?

Bom, Deus deve ter senso de humor. Deve ser isso.

O fato é que esses pequenos exemplos, são apenas uma ponta do iceberg para mim. Essas dúvidas, geram outras, que geram outras, e no final você percebe que a resposta óbvia é que Deus não existe. Como poderia?

Por exemplo, como é possível acreditar em um ser que está em todos os lugares ao mesmo tempo? Que observa um a um, todas as pessoas e castiga os que são maus e gratifica os bons?

Heim? Deus? Não, não. Agora estou falando do Papai Noel.

Mas é verdade. Eles são a mesma coisa. É o mesmo modus operandi. E eu deixei de acreditar em Papai Noel faz tempo. Não entendo como continuei a acreditar em Deus tanto tempo a mais.

Só que a coisa não é tão simples. Infelizmente aqueles que acreditam em Deus, nunca fazem o que pregam. Enchem a boca para falar "as palavras de Deus", mas é só para poder usar frases de efeito, porque virando as costas, falam mal dos outros, são egoístas, se acham no direito de obrigar os outros a pensar da mesma forma que eles, são hipócritas a ponto de achar que somente a visão deles é correta.

Claro que, como em todas as sociedades e grupos de convivência, deve ter algum cristão que realmente age da forma como prega. Que segue a religião. Pena que a grande maioria não é assim.

É triste ver que, se eles agissem da forma como dizem que se deve agir, o mundo poderia ser um lugar muito melhor que é hoje. No dia em que perceberem que ser um católico não é ter um adesivo com o Cristo cruxificado no carro, ou então com o perfil de nossa senhora, nem tampouco é saber a Bíblia de cor, ou passar 3h por dia rezando.

É fazer aquilo que se prega, se honesto, ter respeito pelas pessoas, pelos pensamentos diferentes, aceitar que outros sejam diferentes. Fazer o certo, porque é certo e não porque alguém disse "Fazei e serei aceito nos céus".

Gosto muito de blues e tem uma música que eu acho fantástica. O refrão é um conselho que todos deveriam seguir. É assim:

"Before you accuse me, take a look to yourself..."
"Antes de me acusar, olhe para si mesmo..."


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Show do Paul - Final

A segunda-feira começa bem. Alguns detalhes de um job que precisavam ser definidos, mas aparentemente eu conseguiria sair a tempo de ir ao show. Eu calculei que saindo às 15h, teria tempo suficiente, mesmo com trânsito, para chegar a um ponto de estacionamento alternativo e ainda ir a pé até o estádio. Mas para isso, eu teria que deixar tudo pronto. Não prejudicaria um job para ir ao show. Sendo um show do Paul McCartney eu agonizaria algumas horas em lamentações infindáveis e teria acessos de fúria, mas terminaria o job.

Felizmente não foi preciso. Meu cliente é muito exigente, e tem um perfil muito inovador o que torna qualquer trabalho simples, em uma epopéia. É bom trabalhar com ele, porque seus limites são ampliados e você é jogado alguns anos à frente de tudo que está fazendo até o momento. O lado bom é que ele também é muito prático e economizamos tempo dessa forma. E, no meu caso particularmente, não precisei abrir mão do show.

Assim, deixei tudo organizado e quando o relógio anunciou 15h eu já estava dentro do carro, com a porta da garagem abrindo. E lá fui eu em direção ao estádio, com o meu mapinha no banco do passageiro. Eu preciso visualizar as coisas para entendê-las, talvez seja um reflexo da abstinência literária causada por Machado e cia, mas o fato é que vendo o mapa eu consigo me localizar em qualquer lugar. Se levar somente as anotações do caminho, invariavelmente me perderei pelo caminho.

E ficar perdido não é uma ba opção quando se quer chegar cedo em algum lugar. Tudo ia bem, até que, 15 minutos depois de sair de casa, tudo parou. O trânsito estava horrivel de uma forma que eu não conseguia me recordar de outra situação pior. Com muito esforço e lentidão cheguei a um ponto onde poderia pegar um caminho alternativo e assim o fiz, esprando que ao menos estivesse "menos pior" do que onde estava. Melhorou um pouco mas não durou muito. A continuação desse caminho estreita de 3 para 2 pistas e nesse ponto, tudo voltou à velocidade zero.

Eu já tinha perdido uma hora e meia para chegar até ali, num percurso que não deveria levar mais que 40 minutos. Comecei a estudar o mapa e procurar por alternativas. Virei à direita em uma travessa e novamente à direita em uma rua paralela, que estava andando e me levaria de volta ao percurso orginalmente traçado. Mas para minha infelicidade, uma quadra antes de chegar à avenida que eu precisava pegar, a rua se torna contra-mão. Só naquela quadra e acabei voltando para o mesmo lugar.

Nova tentativa e dessa vez, sucesso. Ali já era a Av. Faria Lima e, para variar, estava completamente parada. A faixa que ia para o túnel andava um pouco e minha esperança era que esse trânsito melhorasse quando eu chegasse lá. Mas foi nesse lenga-lenga até chegar perto do estádio. Eu passei em frente ao hospital onde pretendia deixar o carro, mas naquele momento já eram quase 18h e decidi ir em frente assim mesmo.

Chegando lá encontrei um estacionamento por módicos R$100,00, mas considerando que já eram 18:15h resolvi ficar por lá mesmo. E a vaga ainda era na parede, o que significava que aquilo ainda iria encher de carros.
"Os carros só ao liberados no fim do show", avisou o dono do estacionamento enaquanto me dava o tíquete do estacionamento.

O estacionamento ficava bem em frente do portão onde eu entraria. Chegando pela segunda vez no balcão, fiquei surpreso de ver que, ao contrário do domingo, não havia fila nenhuma para entrar.
-Agora estou no dia certo?
-Ah, agora sim!- disse uma delas enquanto checava o número do meu convite, enquanto uma outra completou:
-Eu falei que ia te passar na frente, mas olha só! Hoje não tem nem fila!
-Relaxa! O importante é que eu estou aqui!

E finalmente recebi a pulseira, cinza desta vez (a do domingo era vermelha e mais bonita)e o ingresso. Passei a revista com um PM que só falava inglês e confesso que até demorei a perceber isso. Entrei e vi que haviam algumas bancas com camistas e pôsteres do show para vender. As coisas iam de R$15,00 a R$45,00. Achei até barato por ser memorabilia de um show como esse e fiquei pensando se levaria uma camiseta ou um pôster. No show do Clapton eu voltei sem nada, mas os preços eram exorbitantes. Fazendo uma comparação, seria algo como R$80,00 por uma bandana silkada em uma cor só com o filigrama "EC".

Mas resolvi entrar e dependendo de como fosse o esquema lá dentro eu sairia de novo para comprar algo. E antes de chegar ao camarote, tinha fila. Que estava parada e ninguém sabia exatamente o porquê. Enquanto isso, vi que na minha frente havia uma senhora e 3 adolescentes, duas garotas e um rapaz. Julguei que as duas eram filhas e o rapaz namorado de uma delas, e estavam discutindo algo a respeito de valores.

O rapaz foi tirar satisfação com alguém enquanto ficamos na fila e me perguntaram quanto eu tinha pago no meu ingresso.
-Eu ganhei o meu.
-Ah, então tá certo. É que nós pagamos um valor bem maior do que está escrito aqui atrás.

Aí eu vi que no verso do ingresso estava escrito R$140,00 enquanto que eu tinha visto a venda do camarote por R$1.500,00.
-É, foi isso mesmo que nós pagamos! deve ter gente ganhano muito em cima disso. Porque não colocam o valor real?

Eu também não entendi. Poderiam deixar sem valor algum, mas enfim, finalmente liberaram a nossa entrada. E uma nova fila se formou na entrada do camarote. E um segurança avisava que "quem já tinha pego a camiseta, poderia entrar direto".
-Opa! Vamos ganhar uma camiseta?
-Pelo jeito sim- disse um rapaz da fila que tinha um sotaque que me lembrou o pessoal do Mato Grosso - se eu soubesse não tinha pago R$80,00 nessa aqui, lá fora.
-R$80,00?! Mas eu vi na banquinha ali do corredor por R$40,00!
-Pois é. Eu já tava meio chateado, agora então, só na hora que começar o show mesmo!

É, estava perto. E a única coisa que me chateava era que eu estava sozinho lá. Mas isso não importava. Eu ia curtir o show de qualquer jeito. E quando entramos eu vi, primeiro uma área envidraçada do Jacques Janine e não entendi nada. Tinha umas moças lá fazendo alguma coisa no cabelo, mas se era demonstração ou se era para uso dos que estavam lá, eu não sei.

Logo depois tem uma rampa e lá fica o hall com sofás e grandes pufes retangulares que faziam as vezes de mesa, enquanto ninguém resolvesse acomodar suas regiões glúteas por lá. Dois buffets com comidas diversas. Muitos tipos de pães e mini sanduíches, mas também tinha coisas que eu não fazia a menor ideia do que era, como um tipo de queijo que ficava sobre um desses queimadores de álcool, do tipo que usamos para fazer fondue, e você pegava um pedaço dele aquecido, praticamente um creme e comia em uma dessas casquinhas de massa crocante.

Tinha um bar para bebidas em geral, mais 3 quiosques; um da Bacardi, outro da Amarula e outro da Smirnoff; que serviam drinks. Como não bebo nada alcoólico tive que passar batido.

Sentei em uma poltrona bem confortável num canto da sala, mas achei ruim porque tinha um vidro na minha frente. Que graça tem ver o show daqui?! Estiquei o pescoço e lá estavam as cadeiras da arquibancada. Fui pra lá e, apesar de ter uma cobertura naquela área, pelo menos 3 fileiras da beirada estavam molhadas. E tinha uma senhora secando com um pano e aproveitei para me instalar em uma delas.

Tinha achado um lugar muito bom. Logo um casal se acomodou à minha esquerda e eram muito simpáticos. Eram mais velhos, mas com uma jovialidade ímpar. À minha direita ficaram dois caras. Um era magro e grisalho e o outro o extremo oposto. Alto e corpulento, mas muito divertido. Este vivia sumindo porque estava explorando o lugar e eis que numa dessas ele volta com uma sacola cheia de coisas, inclusive um pôster.
-Olha só que legal! Nesse pôster tem um espaço vazio embaixo. Aí você pode mandar enquadrar e aqui colocar o ingresso e do lado a pulseira! É o que eu vou fazer! Vai lá também, compra um para fazer isso que fica legal! Olha, não precisa sair até lá fora não. No corredor, vira à esquerda e fala com um pessoal da TAM que eles te deixam passar e ali tem uma banquinha que vende essas coisas. É bem mais perto.

O casal que estava ao meu lado era muito gentil e se ofereceu para guardar meu lugar caso eu quisesse ir lá pegar comida ou bebidas. Eu aproveitei algumas vezes para pegar algo para comer e peguei uma coca-cola. Não aguentei e fui ver os pôsteres. Tinha um grande, bem legal, e outros dois menores que mais pareciam postais. Além das camisetas, tinha chaveiro e uma coisa que eu não tinha visto ainda, uma espécie de credencial plastificada do show, com correntinha e tudo.

Mas comprei o pôster mesmo e voltei. Ficou meio incômodo, e até devo ter atrapalhado um pouco o pessoal do meu lado com a sacola, mas valeu a pena.

Aproveitei o tempo que ainda tinha para o show para ver as pessoas na chuva e escutar todas as canções do Creedance que tinham "rain" na letra, especialmente "Who´ll stop the rain" que tocou pelo menos 5 vezes.

Mas o que parou a chuva foi o Sir Paul McCartney pisar no palco e dizer: "Tudo bem, na chuva?" - e com a cabeça meio de lado - "Chove, chuva".

E aí foi só curtição. Ele abriu o show com Magical Mystical Tour e emendou Jet seguido por All My Loving. O show todo segue em um ritmo impressionante, são 3h de show e parecia que tinha começado aquela hora. O cara não para nem para beber água.

Algumas coisas eu já esperava, como os fogos de artifício em Live and Let Die, mas não imaginava que seriam tantos e nem tantas vezes como foi feito nessa apresentação!

E sem contar a emoção do momento em que ele pega o violão Martin, e toca os primeiros acordes de Blackbird. Fiquei mais feliz ainda por não ter visto a versão retalhada com colher da Globo, porque ali tudo foi surpresa. Inclusive os dois "bis". No total foram 6 músicas a mais.

Indescritível! As horas passaram como se fossem minutos. O Sir Paul McCartney não para nem para (nota:estão vendo a desgraça que a deforma ortográfica faz?) tomar água. Quando ele sai do palco a primeira vez, sabemos que ele voltará. Mas a segunda foi realmente animal!

Quando o Paul diz: "Agora, temos que ir embora!" bate a sensação do "fim do show". E você aplaude o quanto pode e observa a banda sair do palco e as luzes coloridas se apagarem. A iluminação geral acende para que todos possam sair do estádio e você vê aquela multidão esvaziando a pista.

Fiquei na sala vip por uns minutos, comi algumas coisas por lá e aproveitei para pegar uma coca-cola para levar. Afinal, meu carro estava no fundo e demoraria até eu poder sair.

Tive que colocar a coca-cola num copo porque não era permitido sair com a lata de lá, mas sem problema, tomei um pouco lá e levei o resto que tomei enquanto observava o rio de gente que se formou na saída do estádio.

Até que foi rápido, logo a Giovanni Gronchi começou a esvaziar. Os carros que estavam na minha frente saíram e eu voltei ao meu. Mas quando saí com o carro na rua, percebi que ainda tinha muita gente andando, literalmente, no meio da rua. Devagar e sempre, consegui sair do estacionamento sem passar em cima de ninguém. E escolhi ir à esquerda, já que seria o melhor caminho para mim.

Mas mal comecei a andar, vi que a Giovanni estava bloqueada e só tinha uma rua à esquerda que eu poderia pegar. E essa rua, fui descobrir depois de uns 40 minutos de anda e para, sai na Giovanni. Poucos metros à direita de onde fica o estacionamento onde eu estava.

Se a Companhia de Engarrafamento de Tráfego tivesso colocado uma placa nos cavaletes que estavam na Giovanni, dizendo que o sentido era à direita eu não teria perdido 40 minutos dando uma volta que não resolveu nada. Mas enfim. Caminho certo, mas tudo parado devido ao volume.

Vi um casal de adolescentes passar meio desesperados e o comentário das pessoas que estavam a pé (curiosamente a mesma velocidade que eu, de carro) era de que eles tinham sido assaltados.

Fora isso, não vi nada de anormal. VOltei traquilamente para casa e tratei de guardar muito bem os ítens que mandaria enquadrar depois. Sim! Segui o conselho do Jô (baterista da www.Hocuspocus.art.br) e mandei enquadrar. Agora enquanto escrevo estas linhas, posso olhar para o poster, que fixei logo acima da minha mesa.